Banco Mundial visita projetos baianos na Chapada Diamantina

24/10/2012

Uma comitiva formada pelo especialista em Desenvolvimento Rural da América Latina e Caribe do Banco Mundial, Edward Bresnyan, pelo diretor executivo da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), José Vivaldo Mendonça, pelo subcoordenador e técnicos do Programa Produzir, esteve este fim de semana, na Chapada Diamantina, para visitar projetos de combate à pobreza rural executados pelo governo estadual e considerados bem-sucedidos pelo organismo internacional.A programação realizada pelo grupo compreendeu  a visita a importantes projetos, como o da Casa de Farinha, de Mecanização Agrícola e da Casa de Mel, que representam a melhoria de vida de centenas de famílias da região, através do incremento da renda e aumento significativo da produção.“Essa visita do Banco Mundial reflete a certeza de que o Governo do Estado está no caminho certo para criar condições para o combate à pobreza rural. Os investimentos do Banco Mundial nessas três comunidades mostraram como esse esforço foi bem empregado para a produção e geração de renda. Os relatos que ouvimos deixaram isso bem claro. O governador Jaques Wagner criou o Programa Vida Melhor, cuja meta nos próximos quatro anos é atender mais de 300 mil famílias de agricultores”, afirmou o diretor executivo da CAR.De acordo com o subcoordenador do Produzir, Fernando Cabral, os investimentos da CAR, empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), se multiplicaram nos projetos visitados. “O representante do Banco Mundial ficou impressionado com os resultados e o próximo acordo de empréstimo já foi aprovado pela Cofiex e está em fase de negociação com o Banco Mundial”, disse Cabral.“Nesses dois dias de viagem, visitamos empreendimentos da CAR que já têm dez anos de construção, cada, e permanecem dando frutos, dando evidência da sustentabilidade, mas sempre com desafios e atitude da comunidade de fazer outros investimentos até com recursos próprios, mostrando que eles sabem lidar com o capital social”, destacou Edward Bresnyan, especialista do Banco Mundial.BeneficiáriosDona Edelzira Souza, de 70 anos, que trabalhou a vida toda descascando mandioca, encarava mais uma pilha de raízes quando o grupo chegou ao projeto da Casa de Farinha no distrito de Pocinho, no município de Souto Soares, na Chapada Diamantina. “A mudança aqui foi muito grande com a ajuda deste projeto. Estamos satisfeitos porque a vida melhorou para toda comunidade”, disse.Ela é um dos 160 sócios da Associação Comunitária de Pocinho, apoiada pela CAR através do Produzir, programa cujos recursos são oriundos do Governo da Bahia e do Banco Mundial e que tem se destacado enquanto iniciativa sustentável.No local, o êxito do projeto é visível. A mandioca produzida vira bolachinhas, bolo de aipim, pão de aipim e até pizza, lasanha e sonhos, fabricados com a raiz pelo Grupo Delícias da Mandioca, que também faz parte da associação, e vende seus produtos como merenda escolar e encomendas para festas.Os benefícios experimentados pela população rural também puderam ser percebidos na visita ao projeto de mecanização agrícola da comunidade de Tabocas, no município de Nova Redenção. A atividade agrícola foi dinamizada e a produção ganhou mais incentivo. Nos últimos meses, devido à seca, a Associação Comunitária Tabocas II tem usado pouco o trator na região este ano, onde se planta milho, feijão, mandioca e mamona, estes dois últimos produtos com alguma colheita este ano.Apesar das dificuldades, os associados reunidos na sede – com destaque para o grande número de mulheres -, demonstraram perseverança e pediram apoio à CAR e ao Banco Mundial para reforma de uma casa de farinha antiga que funciona no local. “Não desistimos nunca de lutar pelo desenvolvimento da nossa comunidade”, disse o presidente da associação, Iso Feitosa.A visita do Banco Mundial foi encerrada no dia seguinte quando o grupo conheceu o projeto Casa de Mel na comunidade de Capão/Caeté Açu, no município de Palmeiras. Famosa pelo mel da marca Flor Nativa, a Associação de Apicultores do Vale do Capão vende o seu produto nos supermercados Pão de Açúcar, em São Paulo, e Perini, em Salvador, entre outros pontos do país, e já chegou a exportar o produto para os Estados Unidos.SecaOs associados também se ressentem da perda de produção causada pela seca - cerca de 50% de 920 colmeias -, com a queda de dez para quatro toneladas no semestre passado. “Momentos de crise trazem aprendizado. Estamos aqui hoje para pensar em soluções que minimizem o impacto da seca, a exemplo de uma forma de alimentar as abelhas para que não deixem as suas colmeias em época de estiagem”, ressaltou José Vivaldo Mendonça, que anunciou a entrega de um caminhão para auxiliar na disseminação das colmeias e entrega de produtos.