A Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), realizou, na última terça (27), através do Projeto Gente de Valor, um Dia de Campo, que contou com cerca de 200 participantes, entre técnicos agrícolas, agrônomos, agentes de desenvolvimento subterritorial (ADS) e agricultores familiares dos municípios atendidos pelo Escritório Regional da CAR, em Cícero Dantas. O evento ocorreu na comunidade de Brejo II, localizada no município de Antas, a 320 quilômetros de Salvador, e teve como objetivo apresentar técnicas de substituição de copas de cajueiros improdutivos.O Dia de Campo foi possível a partir de uma parceira entre associações da região de Cícero Dantas atendidas pelo Projeto Gente de Valor e teve o apoio da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), do Centro de Informação de Agricultores Familiares do Território do Semiárido Nordeste II (Centrenor), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e da Associação da Escola Comunitária Família Agrícola da Região de Cícero Dantas (AECFARCIDA).De acordo com o chefe do Escritório Regional da CAR em Cícero Dantas, Geraldo Varjão, o Dia de Campo é uma das metas do Projeto da Cadeia Produtiva do Caju. “É a oportunidade de mostrar, na prática, as técnicas que já estão sendo utilizadas para melhorar as condições de produção dos cajueiros e consequentemente a renda das famílias das comunidades, pois, 25% da renda das famílias, vêm da venda das castanhas no período de safra” salientou.O encontro foi dividido em três estações, na primeira, os técnicos apresentaram a seleção e identificação de cajueiro improdutivo, além de promover uma discussão a cerca da polinização. Na segunda, foram mostradas as técnicas de corte e enxertia dos brotos, com potencial genético produtivo e na terceira, foi apresentado como deve ser feito o manejo do pomar após a substituição das copas.Segundo o assessor técnico da Cadeia Produtiva do Caju, Florisvaldo Silva Almeida, 42, nesse dia é possível mostrar o resultado de um trabalho que vem dando certo. “Só nessa propriedade 160 cajueiros improdutivos tiveram as copas substituídas e, com essa substituição, os agricultores familiares têm a possibilidade real de aumentar a produtividade gerando emprego e aumentando a renda”, ressaltou.Para o agricultor familiar, que também é pedreiro, da comunidade de Brejo II, José Adelson da Silva, 33, as etapas da enxertia do cajueiro foram muito bem explicadas e será de grande proveito. “Eu vou colocar em prática a técnica do enxerto e renovar os cajueiros que já não são tão produtivos”, disse.Já para a agricultora familiar, Josenilda Sales dos Santos, 38, que participou pela primeira vez, de encontros como o do Dia de Campo, do Gente de Valor, ajudam a desenvolver o trabalho com a produção do caju e é também um momento de trocar experiências com outros agricultores.A iniciativa foi realizada com a participação de entidades como a Associação Comunitária de Gravatá e Caboclo, Associação Comunitária das localidades de Panasco, Brejo I e II, Associação Comunitária dos Produtores Rurais de Baixa da Roça e Boa Vista, Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Fazenda Pedrinhas e a Associação dos Agricultores Familiares das Comunidades Folgador e Raso do Besouro.De acordo com técnicos do Projeto Gente de Valor e da EBDA, a cajucultura tem grande importância econômica para a agricultura familiar do semiárido baiano. A castanha, o principal produto do caju, gera empregos para as famílias, especialmente em períodos de grande estiagem e após a colheita e comercialização das culturas de ciclo curto como o feijão, milho, amendoim e abóbora.Ainda segundo os técnicos, a quase totalidade da área plantada com cajueiros na Bahia foi realizada por sementes não selecionadas sem critérios de qualidade genética e potencial produtivo. Por isso, os órgãos de Assistência Técnica e Extensão Rural promovem ações que proporcionem o aumento da produção e produtividade da cultura de forma sustentável, estimulando o protagonismo dos agricultores familiares.O Projeto Gente de Valor, que tem objetivos como melhorar as condições de vida da população rural pobre do semiárido e promover o processo de desenvolvimento social, cultural, produtivo e econômico ambientalmente sustentável, possui outras ações nessa região como o projeto baú de leitura, cursos de associativismo, capacitação em gestão de convênios, beneficiamento de frutas, quintais produtivos, manejo alimentar do rebanho, manejo de solo e água, manejo de recursos agrícolas, manejo sanitário do rebanho, corte e costura, projeto de energias renováveis (construção de biodigestores, fogões ecoeficientes e viveiros para produção mudas), além de dar uma atenção especial à relação de gênero.
Dia de campo do Projeto Gente de Valor reúne agricultores familiares no município de Antas
28/11/2012