31/07/2013
Quem ainda não provou algum derivado de umbu da Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura do Sudoeste da Bahia (Cooproaf), não sabe o que está perdendo. O doce ‘nego bom’ de umbu é o carro-chefe da marca Imbuira, mas tem ainda a deliciosa geleia, doces, e compotas, entre uma grade de 22 produtos que ainda serão lançados até as Olimpíadas de 2016.
Essas delícias integram um projeto que vem sendo desenvolvido desde 2010, através do projeto Gente de Valor, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), uma empresa da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir).A inauguração da Unidade de Processamento de Frutas no município de Manoel Vitorino no última segunda-feira (29) vai triplicar a produção da Cooproaf. A unidade tem ainda convênio com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Prefeitura Municipal de Manoel Vitorino. O evento marcou os 51 anos de emancipação do município e contou também com a I Feira de Comercialização e Divulgação dos Produtos da Agricultura Familiar – Saberes e Sabores da Caatinga. Os produtos da Cooproaf e de outras cooperativas apoiadas pela CAR puderam ser degustados e adquiridos.Segundo o chefe do Escritório Regional (Gente de Valor) da região, Orlando Moraes Filho, a partir de um diagnóstico rural participativo, foi criado o subterritório das Quatro Forças Unidas, com os esforços de 67 cooperados nos municípios de Mirante e Manoel Vitorino, para chegar a este estágio de verticalização da produção. “O sonho era ter uma indústria para não se perder o umbu e a região é conhecida como a maior produtora da Bahia”, explicou Orlando. As etapas foram baseadas na formação e capacitação dos cooperados.Até setembro mais três Unidades de Processamento de Frutas serão inauguradas no subterritório. “O foco da produção, que ainda é artesanal, inicialmente é a merenda escolar, porque há uma demanda muito grande, mas 40% será para venda em locais especiais, como nas 55 lojas da Ebal e da rede Pão de Açucar no Rio de Janeiro e São Paulo”, afirmou o gerente de suporte, acompanhamento e capacitação deste projeto da CAR/Gente de Valor, Egnaldo Gomes Xavier.Ele explicou que a marca Imbuira será inserida como produto da agricultura familiar na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016 em uma parceria entre a CAR, o Sebrae, a Superintendência de Agricultura Familiar, da Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia, e a União de Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Estado da Bahia (Unicafes).Egnaldo contou que foi feito um estudo de viabilidade econômica, com diretrizes que levaram ao plano de ação, baseado em ações sócio-educativas. “A partir daí foi criado o plano de negócio da cooperativa e dos sub-territórios com um planejamento estratégico com o objetivo de instruir os envolvidos para dar conta de toda a parte organizativa, produtiva e comercial”, disse.Cada unidade tem a capacidade de produzir 40 toneladas por ano, trabalhando oito horas normais, mas se for necessário, essa capacidade por ser triplicada trabalhando 24 horas por dia. “Não damos conta da quantidade de umbu in natura produzido na região de Mirante e Manoel Vitorino. Mesmo em épocas de seca extrema, a produção é mais do que suficiente”, afirmou o técnico da CAR, lembrando que os produtos não têm conservantes e a capacitação dos cooperados tem um viés agro-ecológico. “Estamos investindo até no melhoramento genético do umbu”, comemora.Uma das cooperadas é Etelvina da Silva Lima, que mora em uma comunidade no município de Mirante e fez questão de mostrar a novidade entre os produtos da Imbuira. Trata-se de um pickles feito com a raiz da batata do umbuzeiro cultivado. “A safra de 2012 já está armazenada em bombonas e já vamos colocar a mão na massa”, disse, confiante.A presidente da Cooproaf, Marilda dos Santos, celebrou a abertura da unidade, lembrando que vai melhorar bastante a capacidade produtiva. “Nossa produção vai triplicar”, disse. Ela explica que na época da safra trabalha-se apenas na estocagem do produto para trabalhar o ano todo. São 45 dias guardando a matéria-prima.Segundo ela, 30 toneladas de umbu foram armazenadas em uma safra considerada ruim por causa da seca prolongada. “Primeiro o umbu é lavado e esterilizado e depois é cozinhado em um tacho. Só então é colocado nas bombonas, onde pode ficar até um ano armazenado em temperatura ambiente feito de maneira correta quanto à higienização”, enumerou.O ‘nego bom’ entra como sobremesa da merenda escolar. A Cooproaf planta hortaliças, que são a base da alimentação das crianças e jovens. “Estamos vencendo através de muita luta e esforço. Essas são palavras de otimismo, porque às vezes acreditamos que as coisas boas só acontecem com os outros”, finalizou Marilda, que trabalha há sete anos com o beneficiamento do umbu.