
Com o objetivo de conscientizar agricultores familiares sobre a possibilidade de produzir cacau de qualidade, o governo estadual, através da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa da Sedir, está investindo, cada vez mais, na capacitação dos produtores da Bahia. Desta vez, as atividades de qualificação chegaram aos moradores do Assentamento Santana, no município de Ibicaraí, na região sul do estado.
O curso, realizado essa semana no âmbito do programa estadual Vida Melhor, integra uma série de iniciativas da ação Cacau para Sempre, lançada pela CAR, em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
De acordo com o técnico do programa Vida Melhor/ CAR, em Itabuna, Anderson Afonso, a capacitação surgiu de uma necessidade de conscientizar os agricultores familiares de que é possível produzir um cacau de qualidade na região, sendo necessário atender a alguns critérios para se obter uma amêndoa adequada para a produção de chocolates finos.
“Esse encontro é fundamental para o fortalecimento dessa atividade e reúne, aqui, agricultores e membros da Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências (COOPFESBA), responsável pela gestão da Bahia Cacau, 1ª fábrica de Chocolate da Agricultura familiar da Bahia”, disse.
Segundo o técnico da área de qualidade da CEPLAC, William Souza da Silva, para obter um produto final de qualidade, com sabor e aroma agradáveis, é preciso ter uma atenção especial com o fruto, que vai desde a colheita e quebra do fruto à fermentação e secagem do cacau.
“Para se alcançar uma amêndoa apropriada à produção de chocolates finos, é necessário conhecer o ponto de maturação do fruto, que pode ser através da coloração. Nesse estágio de maturação, o fruto possui de 10 a 11% de açúcar e menos acidez. Os frutos doentes ou defeituosos devem ser separados dos sadios”, explicou.
Durante o encontro, Silva, apresentou ainda outras etapas a serem seguidas para a produção do cacau de qualidade, como a análise da polpa, onde é detectado, por exemplo, aspectos como brilho e consistência. O processo envolve também o tempo de fermentação do fruto, que deve ser de 32 a 48 horas, antes do primeiro revolvimento das amêndoas, numa primeira etapa, e mais três revolvimentos a cada 24 horas, a depender da temperatura ambiente. “Quando a temperatura estiver baixa, pode ser necessário um tempo maior de fermentação”, assinalou.
O presidente da COOPFESBA, Paulo Ramiseces, ressaltou que a capacitação é importante para a conscientização dos agricultores, especialmente os cooperados. “Todo o processamento da amêndoa do cacau, a seleção e fermentação adequada do fruto também pode diminuir o tempo de produção do chocolate fino”, disse.
A oficina também teve a participação de técnicos da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário (EBDA), da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e do Centro Público de Economia Solidária (Cesol).
Agricultura familiar
A Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do país, produz chocolates especiais apresentados nas versões de 70%, 56,6% e 46% de cacau. A unidade, localizada no município de Ibicaraí, opera em sistema cooperativado, envolvendo agricultores cadastrados na COOPFESBA.
O empreendimento apoiado pela Sedir/CAR agrega valor à produção da amêndoa de cacau e já beneficia cerca de 300 famílias de produtores de cacau vinculados à agricultura familiar nos municípios de Ibicaraí, Coaraci, Buerarema, Itajuípe, Uruçuca e Floresta Azul.
Para combater a pobreza rural e promover a inclusão socioprodutiva na região cacaueira do sul do estado, a CAR empresa da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), além de apoiar a implantação da fábrica, lançou o Cacau para Sempre - uma estratégia do programa estadual Vida Melhor.
A ação é resultado de uma parceria entre a CAR, a Superintendência de Agricultura Familiar (SUAF), da Secretaria da Agricultura, EBDA, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Ceplac.