02/10/2013
O projeto Mata Branca, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), está encerrando o seu ciclo de trabalho e apresentou os resultados alcançados ao longo dos seis anos de execução, nesta terça-feira (1º), durante o Seminário Final do Projeto, em Fortaleza, Ceará.O evento contou com a presença de 40 beneficiários de Itatim, Curaçá, Contendas do Sincorá e Jeremoabo, municípios atendidos na Bahia, e cerca de 10 técnicos baianos, além de representantes do Ceará, promovendo o debate sobre as lições aprendidas entre os participantes.Estiveram presentes na abertura oficial, o secretário da Sedir, Wilson Brito, o diretor executivo da CAR, José Vivaldo de Mendonça Filho, o superintendente da CAR, Dernival Oliveira, o coordenador do projeto Mata Branca, Cássio Biscarde, e as representantes do Banco Mundial, Bernadete Lange, e da Fundação Luiz Eduardo Magalhães, Nadia Holtz, além de outras autoridades da Bahia e do Ceará.Segundo José Vivaldo Mendonça, sem a parceria com as associações e com os agricultores do semiárido, não seria possível o êxito do projeto. “Sei que ainda temos um desafio imenso pela frente, mas a gente tem como exemplo a força do sertanejo, que apesar de toda a seca, alcançou resultados tão significativos pelo projeto”.O diretor executivo da CAR disse ainda que tem uma frase pronta que resume bem a missão do Mata Branca: o homem no vermelho não conserva o verde. “Não adianta pensar que sem promover o desenvolvimento vamos promover a conservação. Temos que garantir esse casamento. O Mata Branca dá esse exemplo para o nordeste e para o semiárido. Tenho certeza que ainda temos muito a fazer, mas quando olharmos para traz teremos muito com o que nos orgulhar. Que saiamos dessa experiência com determinação de continuar a brigar e lutar para fazer a diferença”.O titular da Sedir, Wilson Brito, também falou da importância do projeto para as famílias atendidas e agradeceu a confiança depositada pelo Banco Mundial no projeto. “Esperamos que esse projeto não pare por aqui. O que apresentamos hoje foi uma pequena amostra de um trabalho que muda a vida de muitas famílias. Estamos finalizando apenas uma etapa e agora é hora de dar início a outras ações”.De 2007 a 2013, o Mata Branca beneficiou mais de 9.500 famílias do semiárido com projetos como recuperação e preservação de áreas degradadas, construção de cisternas e barragens subterrâneas, hortas pedagógicas, manejo sustentável, beneficiamento das frutas nativas da caatinga, criação de galinha caipira, viveiros, quintais produtivos, criação de abelha sem ferrão, entre outros.O coordenador do projeto, Cássio Biscarde, destacou que entre os resultados alcançados estão o fortalecimento da presença do Estado nos municípios, o que gerou uma atenção maior pela questão ambiental por parte das instituições; valorização das ações voltadas para o meio ambiente; disseminação de tecnologias de produção de baixo impacto ambiental; além da apropriação pelos agricultores dos processos de implementação de tecnologias, dialogando com o meio ambiente e a conjuntura de trabalho em suas propriedades. “A chegada do Mata Branca aos municípios atendidos contribuiu para a promoção da segurança hídrica e alimentar e inclusão produtiva, considerando a sustentabilidade dos recursos naturais”.A programação do evento foi composta por palestras, onde foram apresentadas, pelas UGP’s do Ceará e Bahia, o projeto em cada estado e abordado os indicadores de resultados, os desafios e oportunidades. Foi realizado também um debate sobre a importância do Bioma Caatinga para o desenvolvimento e apropriação do conhecimento científico, social, cultural e turístico, que teve como participantes o superintendente da CAR, Dernival Oliveira Júnior, o coordenador do projeto Quilombolas da CAR, Antônio Fernando Silva, o ex-técnico do Mata Branca, Gerino Francisco, e autoridades do Ceará.O superintendente da CAR afirmou que o Mata Branca representa o processo de inclusão produtiva das comunidades, o que significa a preocupação com as futuras gerações. “Todas as propostas são construídas junto com a comunidade para que ela se aproprie do conhecimento e possa desenvolver seus próprios projetos e andar com suas próprias pernas”.Quem esteve no evento, pode conferir um pouco das ações desenvolvidas pelo Mata Branca, através de uma exposição com as tecnologias demonstrativas de convivência com o semiárido. Nos dias 16 e 17 de outubro, será a vez do estado da Bahia receber representantes do Ceará e beneficiários baianos para fazer uma apresentação final do projeto.O Mata BrancaO Projeto de Conservação e Gestão Sustentável do Bioma Caatinga nos estados do Ceará e Bahia, Projeto Mata Branca, é executado pelos governos estaduais com recursos do Fundo Mundial para o Meio Ambiente – GEF e a contrapartida de ambos os estados e sua implementação é de responsabilidade do Banco Mundial.A Fundação Luís Eduardo Magalhães (FLEM) foi definida como agência de execução financeira enquanto que a CAR e o Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (CONPAM) no Ceará são as instituições designadas para a gestão operacional do Projeto mediante um termo de cooperação técnica assinado pelos Governos da Bahia e do Ceará ficando cada estado responsável pela execução de 50% do Projeto.O objetivo do Projeto é contribuir para a preservação, conservação e manejo sustentável da biodiversidade do bioma Caatinga nos Estados da Bahia e do Ceará, melhorando simultaneamente a qualidade de vida de seus habitantes através da introdução de práticas de desenvolvimento sustentável.