Governo baiano apresenta projeto para redução da pobreza rural

19/03/2014

“É com muita honra que estou aqui. A CAR enxergou a necessidade do meu povo, sanou a sede do meu povo, e sou grata por isso. Quero agradecer a essa empresa e ao Banco Mundial que vem selando parcerias com a gente, porque, antes, não tinha projeto, e agora, recebemos 60 cisternas que beneficiam toda comunidade”, disse, emocionada, a trabalhadora rural Siara Emídia Souza, 32, da Associação dos Pequenos Produtores Rurais de São José, que se deslocou do povoado de Cubículo Pindaí, Zona Rural do município de Pindaí, a 726 quilômetros de Salvador, para participar do Seminário Novos Desafios. O evento, organizado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa da Sedir, no Hotel Sol Bahia, no bairro de Patamares, foi aberto com a apresentação do coral da empresa, Canto da Terra, regido pelo maestro Gilmar Mendes, e teve a presença de representantes de associações rurais, cooperativas, lideranças indígenas e quilombolas. A reunião teve como objetivo apresentar o Bahia Produtiva - novo projeto estadual de ações voltadas para redução da pobreza e inclusão socioprodutiva no estado. O projeto, que sucede o programa Produzir, foi apresentado pelo diretor executivo da CAR, José Vivaldo Mendonça. “Esse encontro é motivo de alegria, de balanço, de discussões. Iniciamos um novo ciclo, um ciclo de encerramento da operação do Banco Mundial, no âmbito do programa Produzir, e apontamos para um novo desafio, que é a consolidação do Bahia Produtiva”, ressaltou. Mendonça destacou ainda que o projeto introduz uma série de inovações e aposta, efetivamente, no aprofundamento do combate à pobreza rural e urbana no estado da Bahia. “Esse seminário integra uma estratégia que está sendo debatida com a equipe do Banco Mundial, que se encontra até sexta-feira em missão na Bahia. “Vamos debater elementos que serão incorporados na nova operação que será submetida ao Banco, em abril, de forma final, seguindo, depois, então, para tramitação no governo federal e aprovação no Senado para efetivação do Acordo de Empréstimo”. 1.150 horas trabalhadas Marieta de Jesus, presidente da Associação de Pequenos Produtores de Casa Nova e Boa Esperança, localizada no município de Urandi, na microrregião de Guanambi, que dá exemplo de superação, a cada dia, deixando de lado as limitações impostas pela deficiência visual, também agradeceu os projetos do governo que chegaram para sua comunidade. “Temos cisternas que beneficiam nossas famílias, e projeto de mecanização agrícola. A gente sente um grande orgulho por isso e, esperamos que CAR dê continuidade às ações sempre mais firmeza, força e coragem. Já temos 1.150 horas trabalhadas. O trabalho não para, é direto, dia e noite. Esses benefícios do governo é para que haja, cada vez mais, pão, dignidade e igualdade para todos”, enfatizou, parabenizando pelos projetos destinados a Urandi e região. Bahia Produtiva O secretário de Desenvolvimento e Integração Regional, Wilson Brito, destacou a importância de um projeto da abrangência do Bahia Produtiva para milhares de famílias, moradoras das zonas rurais da Bahia. “Vamos investir em inclusão produtiva, ampliar as parcerias e atuar para melhorar, cada vez mais, a vida do trabalhador rural. Já conquistamos muito de 2007 até 2014, e continuaremos fazendo muito mais para garantir desenvolvimento a todos os territórios da Bahia”, destacou. Para a representante do Banco Mundial (BIRD), Fátima Amazonas, o Bahia Produtiva está diretamente ligado à estratégia de desenvolvimento com inclusão social e econômica das populações das zonas rurais, com foco em grupos especiais, como as comunidades indígenas, quilombolas, de fundos de pasto, mulheres e jovens. Outro aspecto assinalado por Fátima Amazonas está voltado aos investimentos em saneamento rural. “Esta é uma decisão bastante estratégica que será feita nos dois Territórios, onde existam as duas centrais e, também, com a perspectiva de apoio para a ampliação destas estruturas de gerenciamento dos investimentos e dos sistemas em outros territórios”. Segundo a representante do BIRD, o Bahia Produtiva deverá possibilitar como resultado final, no prazo de seis anos, uma avaliação, onde serão medidos e identificados os resultados, efetivamente, alcançados, não só em números gerais quantitativos e de projetos financiados. “Teremos que ver o efeito da intervenção na área, na localidade, na comunidade, naquele município e região, como forma geradora de desenvolvimento e mudança do padrão de vida, de renda, de qualidade na população, e acesso a uma situação que não seja mais de pobreza”, informou, desejando sucesso na implantação do projeto e agradecendo a todas as estruturas participativas. O Bahia Produtiva faz parte da estratégia do governo estadual para redução das desigualdades e superação da pobreza em todo o estado. O projeto sucede o programa Produzir, que está concluindo, no primeiro semestre de 2014, a última das quatro edições. Desde 1996, o programa, executado pela CAR, atuou no desenvolvimento das comunidades de 407 municípios do estado, através da implantação de projetos voltados ao meio rural, beneficiando cerca de 1 milhão de famílias de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, jovens e mulheres rurais e comunidades quilombolas e povos indígenas. Resultados como a inclusão social e econômica das populações em situação de pobreza do meio rural e formação do capital social, observados por estudos de avaliação de impacto do Produzir, foram alguns dos fatores que credenciaram o governo estadual a propor o Bahia Produtiva. A atuação do novo projeto abrangerá todos os Territórios de Identidade do estado, exceto a capital baiana, atendendo 416 municípios. Com um investimento total de US$ 260 milhões, serão beneficiadas 150 mil famílias com ações na agricultura familiar (94.215), quilombolas (12.111), indígenas (3.232), reforma agrária (20.468) e economia popular (19.974). No seminário, que acontecerá até amanhã (20), serão apresentados os resultados da avaliação de impacto do programa Produzir. Os dados, obtidos através de pesquisas de campo, foram levantados pela Funcamp - Fundação de Desenvolvimento da Unicamp. Estiveram presentes a superintendente da Conab na Bahia, Rose Pondé, a chefe de gabinete da Sedir, Eliana Boaventura, o superintendente da CAR, Dernival Oliveira Júnior, o superintendente da SUAF (Seagri), Wilson Dias, o cacique Anselmo Tuxá, representando a comunidade indígenas e sociedade civil, dirigentes de órgãos estaduais, entre outras lideranças municipais e estaduais. [gallery ids="3989,3991,3990,3992,3993,4118,3997,3994,3996,3995,3987,4119"]