Governo estadual promove debate sobre fruticultura na agricultura familiar da Bahia

13/04/2016
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), realiza oficina sobre a Cadeia Produtiva da Fruticultura, nos dias 13 e 14 de abril, na Pousada Central, em Feira de Santana, no Território de Identidade Portal do Sertão. O evento tem como objetivo identificar, junto às entidades, que representam os agricultores familiares baianos, subsídios para a construção do edital da fruticultura, do Projeto Bahia Produtiva, executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), com recursos financiados pelo Banco Mundial.A abertura do encontro contou com as presenças do secretário da SDR, Jerônimo Rodrigues, do diretor presidente da CAR, Wilson Dias, do superintendente da CAR, Jeandro Ribeiro, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Mandioca e Fruticultura, Domingo Haroldo, dos representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado da Bahia (Fetag), Joaquim Francisco, da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), Vívian Libório, da Central de Cooperativas e Empreendimentos de Economia Solidária (Unisol), Israel de Oliveira Santos, do cacique da etnia Tuxá, Gilberto Barros (Giba Tuxá), e, representando os agricultores, Terezinha Oliveira, da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (APAEB).O titular da SDR, Jerônimo Rodrigues, ressaltou o esforço de todos aqueles que estavam presentes na oficina, entre técnicos, universidades, instituições de ensino, pesquisa e extensão, agricultores, sindicatos e centrais de cooperativas, entre outros, dos 27 Territórios de Identidade baianos e destacou que a oficina é mais um momento para entender, sentir e viver as políticas públicas, participando do processo de construção, para que os recursos públicos possam ser acessados de uma forma responsável, valorizando também a participação das mulheres, jovens e povos comunidades tradicionais.“Estamos construindo não só editais de apoio a sistemas produtivos como o da fruticultura, que é estratégico e receberá, inicialmente R$ 40 milhões em investimentos, mas essa é a construção de uma política de agroindustrialização da agricultura familiar na Bahia, para gerar renda, oferecer uma alimentação saudável, com segurança alimentar e nutricional, por meio de uma organização produtiva que abrange aspectos como a base de produção, acesso à terra, reforma agrária, produção e distribuição de mudas de qualidade, assistência técnica, acesso à energia elétrica e acesso à água para a produção”.Para o diretor presidente da CAR, Wilson Dias, que apresentou aos participantes o projeto Bahia Produtiva, o fortalecimento da cadeia produtiva da fruticultura é desafiador, devido as especificidades e características das diversas culturas, considerando as diferenças de cada sistema produtivo, da base de produção e beneficiamento. Dias destacou a presença da Embrapa, tanto no processo de construção como na execução do edital, pela sua relevante atuação na área de pesquisa e aplicação de tecnologias que podem contribuir com a agricultura familiar.“Na conclusão dessa oficina deveremos ter elementos suficientes para subsidiar a elaboração desse edital, para organizarmos os investimentos, que deverão ser adequados para a dinamização dessa cadeia produtiva e possamos realizar um bom processo seletivo, que atenda às demandas das associações e cooperativas voltadas para esse sistema produtivo”.De acordo com a representante da APAEB, de Feira de Santana, Terezinha Oliveira, esse edital é esperado, especialmente por aqueles que trabalham com polpas, que antes tinham muitas dificuldades. Oliveira está à frente de uma associação que possui uma mini fábrica de polpas e uma pequena produção de compotas, geleias e frutas desidratadas. “Apesar de já termos conseguido, com muito esforço, a implantação de uma mini fábrica de polpas e de estarmos recebendo, em breve, uma nova unidade que está em construção, no município de Anguera, esse edital era um sonho, para que possamos melhorar ainda mais nosso trabalho”.Para o representante dos povos e comunidades tradicionais, o cacique da etnia Tuxá Kionahá, Gilberto Barros ‘Giba Tuxá’, o governo, vem oferecendo, nos últimos anos, muitas oportunidades e os indígenas passaram a ter um espaço nas políticas públicas. “Nós temos disponibilidade para trabalhar e temos que aproveitar as oportunidades que o poder público tem oferecido para nós”.Segundo o secretário geral da Unisol, Israel de Oliveira Santos, o governo estadual, por meio da CAR/SDR, está de parabéns pela iniciativa da oficina, que é uma resposta às lutas e mobilizações dos movimentos sociais. “Por meio de ações como esses editais de chamadas públicas, nos quais os agricultores familiares podem acessar assistência técnica e investimentos em infraestrutura, que favorecem o aumento da qualidade e quantidade do que precisamos para melhorar a produção”.O pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Domingo Haroldo, falou da relevância do edital para a dinamização da fruticultura e ressaltou a disponibilidade da Embrapa, que atua na geração de conhecimentos técnicos e tecnológicos, para contribuir com essa importante cadeia, com grande potencial em todo o estado da Bahia. “A Embrapa quer contribuir, compartilhando conhecimentos que podem ser úteis a tantas cadeias produtivas importantes para a agricultura, verificando demandas que deverão ser priorizadas em nossas pesquisas”.O representante da Fetag-BA, Joaquim Francisco Neto, salientou a importância dessa cadeia na agricultura familiar da Bahia, responsável pela alimentação de milhares de baianos. “Essa é uma oportunidade de discutirmos sobre a fruticultura e esperamos colocar, na prática, aquilo que precisamos, para que possamos ser mais produtivos. Estamos juntos, participando e defendendo a agricultura familiar e uma alimentação saudável”.Para a representante da Fetraf-BA, Vívian Libório, é gratificante ver que as políticas públicas estão sendo discutidas pelas organizações e instituições. Libório afirmou que, nessa cadeia produtiva da fruticultura, é necessário diversificar, ao máximo, para garantir o acesso aos mercados e garantir renda. “Estamos vendo, cada dia mais, o empoderamento das entidades que representam a agricultura familiar na Bahia, atividade que deve diversificar a produção, dizer não à monocultura e desenvolver sistemas agroflorestais, para superar os impactos ao meio ambiente”.Durante o evento, foi apresentado o Panorama da Fruticultura na Bahia, que abrangeu aspectos gerais da fruticultura na Bahia e a agroindustrialização como instrumento para agregação de valor à fruticultura. Foram debatidos ainda aspectos relacionados à Vigilância Sanitária e Pesquisa e Extensão Tecnológica.Foram realizados ainda, trabalhos em grupo para a discussão de temas como assistência técnica e extensão rural, produção, pré-beneficiamento, agroindustrialização e comercialização, de culturas como a do cacau, café, citrus, caju, entre outras, e de espécies características de regiões como o Semiárido e Mata Atlântica, além de debater sobre as principais dificuldades e possíveis soluções com indicadores para compor o edital de fruticultura.Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer ainda experiências exitosas na cadeia produtiva da fruticultura, a exemplo do trabalho realizado por cooperativas baianas a exemplo da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), Cooperativa Agroindustrial de Itaberaba (Coopaita), Cooperativa dos Cajucultores Familiares do Nordeste da Bahia (Cooperacaju), Cooperativa Agropecuária do Litoral Norte da Bahia Ltda. (Coopealnor) e Cooperativa de Pequenos Agricultores de Café de Barra do Choça (Cooperbac).Presenças – Participaram do evento Durval Libânio, do Instituto Cabruca, a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos (CTAA), Virgínia Martins, representantes do Sebrae, Fundação Banco do Brasil, Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), além de equipes do projeto Bahia Produtiva, Pró-Semiárido, Bahiater, e representantes da Fundação de Apoio aos Trabalhadores Rurais e Agricultores Familiares da Região do Sisal e Semiárido da Bahia (FATRES), secretarias municipais, Movimento de Organização Comunitária (MOC), Colegiados Territoriais, sindicatos de trabalhadores rurais, Fundação Luís Eduardo Magalhães, conselhos municipais, Instituto Federal da Bahia, organizações não-governamentais voltadas para a promoção dos direitos humanos.

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