Com a presença de mais de 60 índios, representantes de várias etnias e municípios baianos, o governo estadual, por meio da CAR, empresa da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), realizou na última segunda-feira (02), no Hotel Belvedere, no município de Paulo Afonso, no Vale do São Francisco, um seminário voltado para as comunidades indígenas da Bahia.
O encontro teve a parceria da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) e contou com a participação de técnicos da EBDA, da FUNAI e da CAR, no âmbito de programas de combate à pobreza rural, como o Produzir, Gente de Valor e Mata Branca.
Segundo o coordenador estadual indígena do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (MUPOIBA), Rosivaldo Ferreira da Siva, "Babau Tupinambá", a CAR tem se constituído em um órgão estadual estratégico, apoiando o desenvolvimento dos índios.
"Estamos pedindo um convênio interministerial para combater a pobreza em nossas comunidades. Em nossa região não chove, precisamos de terra irrigada com arado, trator e caminhão para escoamento de produtos. A atuação da CAR tem garantido muitas conquistas para o nosso povo".
Ele lembrou que os índios também estão carentes de casas com água encanada e galpões para armazenamento de produção. "Queremos mais atenção por parte dos governos federal e municipal, já que precisamos de um conjunto de ações e projetos integrados para combater a pobreza".
Para o coordenador de Políticas de Povos Indígenas (CPPI), da SJCDH, Jerry Matalawê, o encontro é importante porque é necessário criar, cada vez mais, espaços para os índios. "O índio precisa de mais saúde, educação, estradas, infraestrutura e de preservação de sua cultura e de seus direitos", disse.
De acordo com o superintendente da empresa, Dernival Oliveira Júnior, a Sedir, por meio da CAR, vai atuar com um plano de ações que sejam prioritárias para os indígenas. "Estamos voltados para atender as comunidades, fortalecendo a organização indígena e cumprindo a nossa missão de promover o desenvolvimento regional integrado no estado".
O assessor da Diretoria Executiva da CAR, Lanns Almeida, fez uma apresentação do programa Produzir para que os participantes conhecessem as obras que vêm sendo executadas nos 407 municípios da Bahia nas áreas de infraestrutura, geração de emprego, renda e produção.
"Esse seminário, assim como os encontros que aconteceram em Ibotirama, Itamaraju e Itabuna, têm como objetivo acelerar ainda mais o trabalho que já realizamos com as populações da Bahia, fazendo com que as comunidades identifiquem suas próprias demandas para a execução de seus projetos".
O Chefe de Serviço da Funai, Ademar Vieira, destacou que o seminário é um momento das etnias buscarem respostas para suas demandas. "Estamos trabalhando sempre para fazermos o planejamento e o levantamento do que as comunidades precisam junto ao governo".
Mais projetos
Já Afonso Enéas Feitoza, 61, índio Pankararé de Brejo do Burgo, povoado do município de Glória, disse que o seminário é uma oportunidade para as comunidades que nem sempre têm condições de apresentar as suas demandas. "Somos 570 famílias e temos muito que agradecer a CAR por todo o apoio e pela casa de farinha e trator que recebemos. Queremos mais projetos para alcançar o desenvolvimento".
Na Bahia, as ações da Coordenação de Povos Indígenas se concentram em 20 etnias indígenas, pertencentes a aproximadamente 135 comunidades, distribuídas em 32 municípios baianos e nove Territórios de Identidade. No total, são 7.029 famílias.
Participaram do seminário índios das etnias Xucuru-Kariri, Quixaba, Kantaruré, Pankararé,Tumbalalá, Atikum, Truka,Tupinambá, Pataxó, Pataxó Hã hã hãe, Payayá, Tuxá, Kaimbé-Manacará e Kiriris, localizados nos municípios de Glória, Paulo Afonso, Abaré, Rodelas, Lauro de Freitas, Banzaê, Ribeira do Pombal, Curaçá, Santa Cruz de Cabrália, Pau Brasil, Muqúem do São Francisco, Euclides da Cunha, Quijingue, Utinga e Buerarema, entre outros.
Estiveram também presentes ao evento o superintendente da Secretaria de Justiça, José Carlos Trindade, presidentes de associações comunitárias apoiadas pela CAR e técnicos de órgãos estaduais.