Comunidades quilombolas participam de oficina para formação de lideranças em Malhada

19/09/2011

As comunidades quilombolas de Santo Inácio, Lagoa do Rocha, Cedro, Rio das Rãs, Pau D’Arco, Parateca, Barra do Parateca, Sambaíba, Vila Juazeiro, Helvécia, Olhos D’água do Pajéu, Mari, Angico, Barro Vermelho, Lagoa do Peixe, Lagoa do Meio, Nova Batalhinha, Mangau, Jatobá, Piranhas e Agreste, localizadas no Sudoeste e no Extremo Sul da Bahia, participam até domingo (18), na Câmara de Vereadores, no município de Malhada, a 900 quilômetros de Salvador, de uma oficina para formação de lideranças quilombolas.

O encontro, aberto oficialmente na última sexta-feira (16), foi organizado pela Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa da secretaria estadual de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), e teve como objetivo fortalecer a autonomia dessas comunidades, capacitando-as a acessar políticas públicas voltadas para as populações remanescentes de quilombos.

A oficina está sendo ministrada pelo professor e doutor em Antropologia, da UFMG, Aderval Costa Filho, que abordou assuntos relacionados aos direitos quilombolas, antropologia, cultura, identidade dos povos e comunidades tradicionais, desenvolvimento regional sustentável, importância da atuação das lideranças para o desenvolvimento, movimentos sociais no campo e movimento quilombolas, entre outros temas.

Segundo o técnico em Desenvolvimento Regional, Jorge Luís Andrade, as oficinas de formação de lideranças quilombolas representam um passo importantíssimo para o desenvolvimento sustentável dessas comunidades, fortalecendo ou despertando a consciência dessa população sobre os seus direitos. “Esta é apenas uma das etapas de um grande projeto, que é o Projeto de Inclusão de Comunidades Remanescentes de Quilombos - Quilombolas, iniciado em meados de 2009 e com prazo de quatro anos”, disse.

Ele destacou que o projeto Quilombolas, coordenado pela CAR, tem obtido êxito e reconhecimento das próprias comunidades quilombolas quanto à divulgação do conceito e da realidade quilombola na Bahia. “Estamos trabalhando com 100 comunidades e estamos conseguindo fazer uma boa articulação com as lideranças, fortalecendo os quilombolas para que estejam atentos ao que os governos federal e estadual têm oferecido para se desenvolverem”, ressaltou Andrade.

Além das oficinas de formação de lideranças, outras voltadas para apoiar associações quilombolas já estão programadas. Nessas oficinas, as comunidades aprenderão aspectos relacionados às áreas administrativas de uma associação, com qualificação nos setores contábeis e jurídicos.

Para João Batista de Souza, 58, morador de Lagoa do Meio, povoado a 20 quilômetros do município de Caetité, a oficina “é uma grande oportunidade de aprender sobre os seus direitos e lutar para no futuro ter uma vida melhor”.

Ele destacou que a falta de energia elétrica é o grande problema de sua comunidade e que com o projeto, espera aprender cada vez mais, a cobrar de quem pode transformar essa realidade. “Estou aprendendo nessa oficina que também tenho direito à luz elétrica, assim como outras comunidades. Quero sair daqui e trabalhar junto com os associados para mudar essa situação. “Somos 19 famílias e, por isso, parece que a luz não chegou lá. Mas, estamos aqui para melhorar como associação e pedir que projetos como esse, o quilombolas, por meio do governo e da CAR, ajude a gente”.

Batista lembrou que a CAR, por meio do governo estadual, está implantando em seu povoado o projeto de cisternas, beneficiando várias famílias. “Adquirimos além da cisterna, um trituradora de ração animal, o que alimenta os animais no período da seca”, disse.

O Projeto Quilombolas financia atividades de comunidades remanescentes de quilombos nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, com recursos doados pelo Fundo do Desenvolvimento Social do Japão, através do Banco Mundial.