Mata Branca desenvolve estudos para a conservação ambiental

03/01/2012

Com o financiamento de US$ 5 milhões, disponibilizado pelo BIRD, o Projeto GEF Mata Branca vem desenvolvendo estudos e ações voltados para criação de planos de manejos, criação e apoio de conselhos gestores. Estão sendo desenvolvidos estudos sobre sítios arqueológicos, recuperação de bacia hidrográfica, Planos de Manejo de Unidades de Conservação, Avaliação de políticas públicas, estudos sobre a biodiversidade e capacitação técnica dos integrantes do Projeto e da comunidade. Hoje, o Mata Branca executa 60 subprojetos demonstrativos ambientalmente sustentáveis, atividade inovadora no âmbito dos órgãos do Governo do Estado da Bahia, e tem se mostrado importante para o conhecimento e divulgação de práticas nessa linha de trabalho e assim permitir sua disseminação no Estado.

O Projeto GEF Mata Branca tem o objetivo de contribuir para a preservação, conservação, uso e gestão sustentável da biodiversidade do Bioma Caatinga nos estados da Bahia e do Ceará, estabelecendo um ciclo entre as práticas integradas de gestão do ecossistema e a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes. Na Bahia, o projeto tem atuação direta nos municípios de Curaçá, Jeremoabo, Contendas do Sincorá e Itatim, e indiretamente em todo o bioma caatinga no Estado.

De acordo com o coordenador do Mata Branca na Bahia, Cássio Biscarde, o Projeto tem refletido resultados positivos de cunho estrutural e operacional no Governo do Estado da Bahia. “A experiência conquistada na identificação de temas e na elaboração de subprojetos demonstrativos ambientalmente sustentáveis, atividade inovadora no âmbito dos órgãos do Governo do Estado da Bahia, tem se mostrado importante para o conhecimento e divulgação de práticas nessa linha de trabalho, permitindo sua disseminação no Estado”, disse.

Ainda segundo o coordenador, em 2011, houve continuidade do fortalecimento das articulações institucionais iniciadas em períodos anteriores, com associações comunitárias, ONGs locais, e órgãos governamentais. “Essas articulações vêem contribuindo, tanto no processo de apoio às instituições e políticas públicas para gestão integrada do ecossistema, a exemplo da criação de três dos quatro conselhos municipais de meio ambiente, hoje existentes na área de atuação do Projeto, quanto com a promoção de práticas de gestão integrada, através da implementação do plano de qualificação das comunidades e dos subprojetos demonstrativos’, explicou.

Ações de capacitação

O Plano de Capacitação do Projeto Mata Branca tem como objetivo geral, capacitar as pessoas das organizações da sociedade civil das comunidades envolvidas, profissionais do ensino, gestores, técnicos, voluntários atuantes na área ambiental, usuários e manejadores diretos de recursos ambientais a atuarem adequadamente, inclusive como monitores ambientais, ordenando as atividades e criando novas fontes de rendimento capazes de reduzirem a pressão ambiental, reforçando o papel fundamental dos cidadãos e entidades envolvidas na busca do desenvolvimento sustentável.

O Projeto Mata Branca, através do seu plano de capacitação, treinou até outubro de 2011 cerca de 357 agentes multiplicadores. Os eventos realizados foram nas áreas de: Educação Florestal, Educação Ambiental, Saneamento Básico, Resíduos Sólidos, Combate a incêndios florestais entre outras. A ação teve o objetivo de sensibilizar os atores sociais para uma participação mais consciente no contexto da sociedade, questionando comportamentos, atitudes e valores, além de propor novas práticas.

A atuação do projeto foi considerada satisfatória e positiva por representantes do Banco Mundial - BIRD, o que incentivou o organismo a financiar a pesquisa de mais dois sítios arqueológicos, no município de Itatim. Atualmente, o processo de contratação de consultoria para realização dos estudos.

Em 2010, dois sítios arqueológicos, no município de Curaçá, foram pesquisados e os achados estão expostos no museu local. Das peças encontradas e catalogadas constam fragmentos de recipientes funerários, tembetas, contas, ossos e arcadas dentárias de dois adultos e três crianças indígenas que viveram há mais de 1.600 anos na região. Entre os achados estão ainda pinturas rupestres localizadas em uma parede no fundo de um abrigo de calcário, representando centenas de pinturas e gravuras que se sobrepõem e formam um painel, desenhado provavelmente por grupos indígenas pré-coloniais. Assim o Projeto Mata Branca vem apoiando o interesse de populações em levantar informações sobre o seu passado, e sobre a ocupação do território, fato que se revela um mecanismo importante para o exercício de políticas de afirmação da identidade étnica, para o exercício da cidadania e da participação no desenvolvimento local.