Mata Branca promove a recuperação de nascentes e áreas degradadas de Itatim

27/12/2012
“Quero garantir a sobrevivência das futuras gerações”. É com este pensamento, que o agricultor Deosdete Campos de Sousa, de 57 anos, participa da ação do Projeto GEF Mata Branca “Recuperação de Nascentes e Áreas Degradadas”.Do viveiro construído na frente de casa, na Fazenda Tanquinho de Capoeira, comunidade de Capoeiras, são retiradas diariamente diversas mudas de plantas nativas da caatinga, como Sabiá, Buranhé, São João e Mulungu. De lá, o agricultor leva para plantar em seis nascentes da região. E é com orgulho que Deosdete planta cada muda. “Acredito que a seca que está assolando a Bahia é por causa de tanto desmatamento. Se todos criassem a consciência de que temos que ajudar a salvar o meio ambiente, viveríamos melhor. Cada vez que planto uma mudinha penso que estou ajudando o futuro dos meus filhos e netos”, disse.A ação do Mata Branca visa promover a recuperação de nascentes e matas ciliares das áreas antropizadas e a preservação de áreas remanescentes ou pouco impactadas e difundir práticas de conservação e de manejo sustentável do bioma Caatinga, de Itatim.A comunidade de capoeiras localiza-se na região serrana do município e é caracterizada pela presença de Inselbergs. Sua população é formada basicamente por pequenos agricultores familiares, que sobrevivem basicamente do plantio de milho e feijão, além da criação de pequenos animais, além da prática do artesanato de palha para confecção de chapéus, esteiras, sacolas, entre outros produtos artesanais.De acordo com o coordenador do Mata Branca, Cássio Biscarde, a localidade, onde a ação foi implantada, dispõe de uma vegetação arbórea densa de Caatinga que está sendo devastada e degradada pela ação do homem. “Essa devastação decorre da necessidade que os produtores têm de preparar áreas para pastagem.A ação de desmatamento vem contribuindo para o desequilíbrio do meio ambiente local e provocando o desaparecimento de antigas nascentes e riachos pelo surgimento de fortes erosões nas suas margens. Deste modo, não há como armazenar água até a próxima temporada de chuvas”, explicou.Ainda segundo Biscarde, a área de intervenção do projeto sofre grandes influências das ações humanas, pois, a comunidade não realiza manejos sustentáveis com os plantios típicos da região como o milho e feijão, desmatando assim diversas áreas e não obedecendo o limite dos 20% de área de mata a ser reservado em lei federal. “Esperamos que com a implantação desta ação ocorra uma diminuição do impacto ambiental na área, pela redução dos desmatamentos, e, consequentemente, uma maior conservação e preservação da vegetação ameaçada do bioma e haja um aumento na conscientização cultural”, afirmou.O programa Global Environment Facility (GEF) Mata Branca tem o objetivo de contribuir para a preservação, conservação, uso e gestão sustentável da biodiversidade do bioma caatinga nos estados da Bahia e do Ceará. A ideia é estabelecer um ciclo entre as práticas integradas de gestão do ecossistema e a melhoria da qualidade de vida de seus habitantes.Na Bahia, o projeto tem atuação direta nos municípios de Curaçá, Jeremoabo, Contendas do Sincorá e Itatim, e indiretamente em todo o bioma caatinga no estado. A ação do Mata Branca representa para a comunidade de Capoeiras mais do que a simples recuperação de uma pequena área de Caatinga, mas um avanço de um processo de educação e conscientização da população e, também, o despertar para uma nova forma de interação com o meio ambiente.