Pensando em estimular a atividade artesanal e viabilizar geração de emprego e renda para as famílias do município de Nordestina, a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), braço operativo da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), promoveu uma oficina de artesanato em ‘Palha de Ouricuri’, na comunidade de Salinas.
Cerca de 20 pessoas participaram da capacitação e já estão aptas a produzir objetos artesanais com esse material, como descanso de panelas, bolsas, porta-treco, porta-pano e porta-talher.
“Eu não acredito que fiquei 65 anos de minha vida, para aprender que minha renda está na porta de minha casa. Eu tenho uma riqueza no meu quintal e não utilizava”, constatou D. Emília, moradora da Fazenda Palha, que participou da oficina.
Para o chefe do escritório regional de Euclides da Cunha, Idvandro Nery, responsável pelas ações do projeto Gente de Valor nesta região, a ação propiciou também a reflexão sobre as questões ambientais. “As pessoas foram incentivadas a replantarem mudas, para que não haja uma sobrecarga nas plantas nativas, e ainda sobre a utilização de produtos naturais no tingimento das fibras, com raízes, folhas e frutos da caatinga”, disse.
Os novos artesãos receberam um diploma e estão expondo as peças produzidas no sindicato de trabalhadores rurais de Nordestina, na casa paroquial e em um espaço na feira local.
O Ouricuri
A falta de políticas agrícolas, o desconhecimento de práticas de gestão de produção e comercialização, e a falta de informação têm mantido o produto subaproveitado.
O Ouricuri, também chamado de Licuri, é uma das principais palmeiras da região semi-árida do nordeste do Brasil. Por conseguir suportar bem as secas prolongadas e por florescer e frutificar por um longo período do ano, o Ouricuri é fundamental provedor de recursos para a subsistência do homem da região, sendo utilizado também para alimentar o gado e a criação.
As folhas da palmeira são matéria-prima para a produção de objetos utilitários e de artesanato, como vassouras, chapéus e esteiras. O fruto é comido ainda como um petisco. Montado em cordões como um rosário, as pessoas vão retirando os coquinhos um por um para comer aos poucos.