Tratamento Territorial das Políticas Públicas é tema de palestra no I Encontro de Integração

17/06/2011

O "I Encontro de Integração" dos funcionários da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir) e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), realizada nesta quinta-feira (16), contou com a palestra da socióloga e Doutora em Economia Pública e Organização do Território, Tânia Bacelar de Araújo, que abordou o tema “O Tratamento Territorial das Políticas Públicas e seus Desafios”.

Confira a entrevista com a palestrante:

Qual a importância desse tema pro estado da Bahia?

O tema é muito importante porque o estado da Bahia é imenso e diferenciado. O diálogo das políticas púbicas com essa realidade diferente é necessário pra que a gente possa construir ações adequadas a cada uma dessas realidades.

As palestras, geralmente, estão voltadas para a agricultura familiar. Com a nova diretoria que se formou na CAR e Sedir, esse tema pode contribuir de que modo?

O Brasil está rediscutindo esse assunto. No século XX, esse tema não era muito debatido e existia até uma tendência a não se valorizar esse tipo de agricultura. A partir do final do século XX e no final do século XXI, em grande parte pelo grande esforço dos movimentos sociais e rurais, voltou-se a discutir isso. Há uma avanço nas políticas públicas e temos construído políticas mais adequadas a esse tipo de organização produtiva, e os resultados estão sendo mais estimulantes. O último senso agrícola mostrou que quase metade do consumo de alimentos de um país grande como o Brasil é mantido por esse tipo de produtor. E a agricultura familiar tem outra vantagem, pois ela é empregadora. Grande parte da pobreza do Brasil é a rural, e não podemos desprezar um tipo de agricultura que gera oportunidade e inserção produtiva pra grande parte da população.

Como você analisa a posição da Sedir e CAR dentro desse contexto?

A Sedir e CAR são muito estratégicas nesse contexto porque tem uma missão estimulante de combater a miséria e promover o desenvolvimento. Essa missão precisa ser trabalhada e concretizada em projetos, e estes precisam ter a leitura da diversidade territorial da Bahia, que comporta vários Biomas, bases produtivas e uma mistura social de diversas raças. Não é fácil fazer política pública em uma realidade tão complexa, mas ao mesmo tempo, é instigante porque o potencial dessa diversidade também é muito grande.

Você acredita que a Bahia vai ter uma participação significativa no programa do governo federal de erradicar a miséria no país?

Acredito, pois o programa sempre focou em grandes endereços da pobreza no Brasil, sendo um deles, o interior do Nordeste, e a Bahia tem grande parte do seu território cortado pelo semiárido, onde a pobreza está concentrada com muita força. Pela realidade baiana e pelo tipo de proposta que foi construída, a Bahia tem tudo para estar entre as prioridades desse novo programa.Você acredita que a questão do tamanho do território da Bahia dificulta essas ações voltadas a agricultura familiar?Ao contrário. um território múltiplo e diverso como a Bahia tem um grande potencial e isso conta como um fator positivo.

Recentemente, alguns deputados discutiram a proposta de dividir a Bahia. Esse assunto já está em discussão no Pará. Você acha que essa ideia pode ter andamento aqui no estado?

Não acredito. O Pará é mais conflituoso do que a Bahia, porque na verdade o processo de ocupação é diferente. No sudeste do Pará, principalmente, é diferente do processo antigo de ocupação do estado. Há forças econômicas muito poderosas, patrocinado essa discussão. Já na Bahia, não vejo o assunto com tanta força para que se concretize.

Qual a avaliação que você fez deste encontro?

A CAR e a Sedir estão passando por um momento muito interessante, exatamente pela missão que ela tem, no momento em que o Brasil tem como prioridade combater a miséria. E o Brasil tem tudo pra fazer isso, pois é um país rico e de grande potencial. A Companhia e a Secretaria são estratégicas e podem se tornar referencia pra um debate nacional sobre o assunto.