Com a proposta de reconhecer a importância dos povos originários, desconstruindo os conceitos perpetuados pela colonização, e de debater acerca da diversidade na educação baiana, o Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE-BA) recebeu, na tarde desta quarta-feira (01), em Salvador, dois jovens indígenas Huni Kuĩ, da Aldeia Mati Txana Mukaya, localizada no estado do Acre, e um grupo baiano que trabalha com a disseminação da cultura de etnias como Huni Kuĩ (Kaxinawa) e Kariri-Xocó, Fulni-Ô e Fulcaxó para intercâmbio cultural e articulação com os Povos Originários.
O presidente do Órgão Colegiado, Paulo Gabriel Nacif, seus conselheiros Ronaldo Barros, Eni Bastos e Weslen Moreira, e servidores do Conselho participaram do encontro com os indígenas da maior etnia do Acre: o Txana Siã (18) e a Txana Batani (16). Eles falaram dos projetos desenvolvidos na Aldeia, a exemplo da confecção de saputary (vestimenta sagrada), artesanato e produção de peças de cerâmica, além dos cuidados com a casa, como atividades das mulheres, e a Arte Espiritual realizada pelos homens.
“A longa e movimentada jornada tem a finalidade de levar a quem os acessa uma nova consciência sobre as causas indígenas, além de promover o fortalecimento da Aldeia, beneficiando a comunidade através de investimentos na estrutura física e no desenvolvimento de projetos que proporcionem acesso à água potável e que proporcionem o estudo e formação direcionada para as medicinas nas florestas”, disse a assessora Elaine Araújo, que acompanha os indígenas que estão pela primeira vez na Bahia e já passaram pelos municípios de Itacaré, Lençóis, Irecê, Barra de Pojuca.
No plano da educação, ficou explícito o desejo de uma escola contextualizada e que leve em consideração as questões étnicos-culturais e a contemporaneidade. O presidente do CEE-BA, Paulo Gabriel Nacif, acredita que é preciso conceber a educação indígena em duas dimensões: primeiro, enquanto modalidade, que é aquela educação voltada e preocupada com a organização dos espaços escolares dos indígenas, da diversidade indígena, dos povos indígenas; e segundo, enquanto reconhecimento dessa diversidade, dessa herança cultural, dessa vivência cultural brasileira que todos os 55 milhões de estudantes brasileiros precisam ter acesso.
“Então, os diferentes povos indígenas se organizam em seus territórios étnico-educacionais e precisam, como diversidade de povos, ter acesso a essa diversidade escolar diferenciada. Quando eu defino qual currículo eu vou ministrar no Brasil, eu estou definindo como o brasileiro vai se comportar no seu dia a dia. Quando eu defino, por meio das Leis nº 10.639 e nº 11.141, que eu vou ter a educação para as relações étnico-raciais e indígenas, eu estou definindo que quero criar um país diferenciado, que entenda essa diversidade. É muito importante que a gente ressalte isso a todo momento, e eu não tenho dúvidas que o que nós estamos vivendo nesses últimos anos é fruto da ausência desse tipo de educação: simplesmente as pessoas não compreendem o quanto que isso é importante”, disse o presidente Paulo.
Os Huni Kuĩ cantaram o rezo – canto sagrado responsável pela conexão com a espiritualidade e todos os seres Yuxibu (Grande Espírito, Deus, Grande Mãe e seres encantados) – e conheceram a proposta do Conselho e suas instalações. Eles permanecem em Salvador até a próxima segunda-feira, 06 de fevereiro, quando retornam para a Aldeia.