Debate discute implantação de música nos currículos escolares

29/07/2015
Debate sobre inclusão do ensino de música na Educação Básica



"Não existe povo sem canto". Com essa afirmação, do cantor, compositor e violonista Roberto Mendes, a presidente do Conselho Estadual de Educação da Bahia (CEE/BA), Ana Teixeira, abriu na terça feira (14/08/2012) uma agenda de debates com o objetivo de buscar subsídios para normatizar, através de resolução, a lei 11.769/08, que dispõe sobre a obrigatoriedade do ensino de música na Educação Básica.



Para objetivar foram elencados quatro tópicos – o que, quem e como ensinar música - para serem debatidos entre os Conselheiros membros da Câmara de Educação Básica, músicos e professores convidados, entre eles o pianista Ricardo Castro, da Orquestra Neojibá; o professor de música Leonardo Boccia, da UFBA; os representantes da Ordem dos Músicos da Bahia, Emílio José dos Santos, Maria Luiza Souza e Silvia Santos; Judith Leite e Cristina Nascimento, do Centro de Educação, Artes e Design; além das representantes da Secretaria de Educação, Ana Lúcia Gomes da Silva e Antonia Santana.



O nó da questão, segundo Ana Teixeira, é que música não é disciplina e sim conteúdo e o desafio é equacionar isso com o tempo destinado para a disciplina de artes, além da necessidade de formar professores. Segundo ela, as contribuições da classe artística são fundamentais, assim como as dos professores e das universidades que também serão convidados a debater o assunto para, em seguida, ocorrer uma audiência pública com toda a sociedade.



Formação de professores de música - Para Roberto Mendes não se pode dissociar música de língua e o músico sugeriu que a didática fosse realizada inserindo o canto como conteúdo a partir da música regional ou local. "A educação musical nos leva a entender o comportamento", afirmou ele, recebendo a concordância de Cristina Nascimento para quem, baseada em sua vivência nas escolas, a música regional é bem recebida nas salas de aulas. Leonardo Boccia vai mais além afirmando que o ensino de música nas escolas propicia ao professor abrir as fronteiras da imaginação dos alunos e descobrir talentos que serão encaminhados para projetos do Estado específicos para isso. "A interação com mestres da cultura popular é importante" , concorda ele.



"Na escola não se ensina para formar um músico, mas sim para aprender música", disse Ricardo Castro, ancorado em sua grande experiência com jovens na Orquestra Neojibá. Para ele, o ato de ensinar necessita de uma formação para os professores que irão desenvolver o trabalho nas salas de aula. "Deve-se criar mecanismos para formar muitos instrutores de música e não abrir espaço para qualquer pessoa ensinar, simplesmente porque não há profissionais capacitados para isso", afirmou ele, lembrando que estudos na área de neurociências já mostraram a importância da música na estrutura emocional e física das pessoas. "A real função da música na vida e no desenvolvimento integral de uma criança é impressionante", finalizou.