19/03/2016
Com o intuito de conhecer o cenário atual do Rio Paraguaçu e vivenciar a relação entre as comunidades ribeirinhas e as iniciativas de restauração ecológica existentes na região, fortalecidas pelo projeto Semeando Águas no Paraguaçu, jornalistas de veículos de comunicação que atuam em todo o país visitaram, entre os dias 14 e 17/03, a região da Chapada Diamantina – Bahia. A iniciativa faz parte de uma série de atividades promovidas pelo Projeto, que é realizado pela Conservação Internacional (CI) em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
Durante a programação, os participantes conheceram áreas restauradas e a produção de mudas em dois viveiros apoiados pelo projeto, o da Associação Comunitária das Caraíbas, município de Mucugê, e o da brigada Bicho do Mato, em Ibicoara. Foram realizadas também visitas à nascente do rio, no município de Barra da Estiva, ao Morro do Pai Inácio, o Rio Mucugezinho, dentre outros cenários naturais que compõem a Bacia do Rio Paraguaçu.
Para a coordenadora de Programas e Projetos de Biodiversidade e Florestas da Sema, Luciana Santa Rita, o aspecto de maior destaque percebido nesta etapa foi o efeito multiplicador da iniciativa. “É perceptível a mobilização de diferentes atores locais, população ribeirinha, produtores rurais, agentes públicos, o Movimento Associativo Indígena Payayá, todos estão empenhados no desenvolvimento do projeto. A Sema coordena e apóia vários projetos e iniciativas relacionadas a revitalização de bacias hidrográficas em todo o estado”, pontuou.
Desde março de 2014, quando o Projeto foi iniciado, aproximadamente 60 hectares de áreas de nascentes e áreas estratégicas ao longo do curso d’água do Rio Paraguaçu e afluentes estão sendo restauradas, por meio do plantio de 45 mil mudas de plantas nativas. Encontra-se em andamento à adequação ambiental de propriedades rurais com a inclusão no Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (CEFIR), as ações do projeto contemplam ainda a elaboração do plano estratégico para manutenção e recuperação da capacidade hídrica da bacia, em parceria com o Comitê de Bacia do Paraguaçu.
Para iniciar o processo de recuperação ambiental da bacia, técnicos do projeto realizaram um diagnóstico socioambiental e o mapeamento da cobertura e uso do solo. “Identificamos áreas impactadas às margens do rio, em imóveis rurais privados, localizados nos municípios de Mucugê, Barra da Estiva e Ibicoara, apresentamos aos proprietários a proposta de restauração do projeto e sua importância para a manutenção da qualidade e quantidade dos recursos hídricos e da biodiversidade. A partir daí, iniciamos a implantação das unidades demonstrativas de restauração ecológica e de sistemas agroflorestais. Embora a iniciativa tenha ações que abrangem toda a bacia do Paraguaçu, o foco de atuação é mais concentrado no Alto Paraguaçu, região de encontro de três biomas, Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado, com diversos ecossistemas associados”, explicou o coordenador de projetos da CI, Rogério Mucugê.
Um dos beneficiários e parceiro do projeto, o viveirista da Associação Bicho do Mato, Erlei Aguiar, descreveu os avanços obtidos na produção de mudas com o apoio do Semeando Águas no Paraguaçu. “Começamos com um pequeno viveiro no quintal de casa, através da troca de sementes, doações de mudas, com o apoio do projeto conseguimos construir uma nova estrutura, fomos capacitados através de um curso de gerenciamento de viveiros, que nos ensinou a torná-lo funcional, com novas técnicas de coleta de sementes e plantio, aumentando a produção. Tivemos mais visibilidade e com a renda gerada pela venda de mudas estamos iniciando a construção da nossa sede própria, para que possamos realizar atividades de educação ambiental, cursos e oficinas para estudantes de escolas públicas e comunidade, dentre outros”.
O biólogo da CI, Dary Rigueira, ressaltou a elaboração do plano estratégico, bem como os desafios para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva da restauração. “Procuramos desenvolver técnicas de restauração ecológica e de sistemas agroflorestais levando em consideração o estágio de degradação em cada propriedade, bem como a realidade social, cultural e econômica das comunidades do entorno. O reflorestamento não é barato, é preciso investimento em capacitação, estruturação de viveiros, mão-de-obra, entre outros. Por isso trabalhamos na criação e fortalecimento da cadeia produtiva, desde os coletores de sementes, produtores de mudas nativas, à produtores rurais e gestores públicos, criando alternativas para reduzir os custos do processo de restauração, além de gerar emprego e renda para os diversos atores envolvidos.
“Não podemos pensar que o processo de restauração ecológica se conclui apenas com o plantio de mudas, é necessário buscar a continuidade das ações e, especialmente, consolidar uma rede de parceiros”, explicou Rigueira.
Semeando Águas no Paraguaçu - Com duração de dois anos, o projeto Semeando Águas no Paraguaçu tem o objetivo de elaborar um plano estratégico para manutenção e recuperação da capacidade hídrica da bacia, incluindo a identificação das áreas mais importantes para a produção de água.
O Projeto é executado pela Conservação Internacional (CI) em parceria com a Sema e o Inema, com patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental, e engloba os municípios de Andaraí, Barra da Estiva, Boninal, Bonito, Ibicoara, Iraquara, Lençóis, Mucugê, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Palmeiras, Piatã, Seabra, Souto Soares, Utinga e Wagner.
Bacia do Paraguaçu - A bacia hidrográfica do Paraguaçu é uma das mais importantes para o estado da Bahia, sendo fundamental para o abastecimento de água da região metropolitana de Salvador. Com uma área de 55 mil Km2, inclui 86 municípios, que correspondem a 10% do território do estado. O Paraguaçu tem suas nascentes em áreas de Caatinga, Campos de Altitude e encraves de Mata Atlântica na Chapada Diamantina. Das nascentes até a foz, na baía de Todos os Santos, o rio Paraguaçu percorre 600 km, cruzando uma região com alta diversidade social, cultural e ecológica.
Durante a programação, os participantes conheceram áreas restauradas e a produção de mudas em dois viveiros apoiados pelo projeto, o da Associação Comunitária das Caraíbas, município de Mucugê, e o da brigada Bicho do Mato, em Ibicoara. Foram realizadas também visitas à nascente do rio, no município de Barra da Estiva, ao Morro do Pai Inácio, o Rio Mucugezinho, dentre outros cenários naturais que compõem a Bacia do Rio Paraguaçu.
Para a coordenadora de Programas e Projetos de Biodiversidade e Florestas da Sema, Luciana Santa Rita, o aspecto de maior destaque percebido nesta etapa foi o efeito multiplicador da iniciativa. “É perceptível a mobilização de diferentes atores locais, população ribeirinha, produtores rurais, agentes públicos, o Movimento Associativo Indígena Payayá, todos estão empenhados no desenvolvimento do projeto. A Sema coordena e apóia vários projetos e iniciativas relacionadas a revitalização de bacias hidrográficas em todo o estado”, pontuou.
Desde março de 2014, quando o Projeto foi iniciado, aproximadamente 60 hectares de áreas de nascentes e áreas estratégicas ao longo do curso d’água do Rio Paraguaçu e afluentes estão sendo restauradas, por meio do plantio de 45 mil mudas de plantas nativas. Encontra-se em andamento à adequação ambiental de propriedades rurais com a inclusão no Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (CEFIR), as ações do projeto contemplam ainda a elaboração do plano estratégico para manutenção e recuperação da capacidade hídrica da bacia, em parceria com o Comitê de Bacia do Paraguaçu.
Para iniciar o processo de recuperação ambiental da bacia, técnicos do projeto realizaram um diagnóstico socioambiental e o mapeamento da cobertura e uso do solo. “Identificamos áreas impactadas às margens do rio, em imóveis rurais privados, localizados nos municípios de Mucugê, Barra da Estiva e Ibicoara, apresentamos aos proprietários a proposta de restauração do projeto e sua importância para a manutenção da qualidade e quantidade dos recursos hídricos e da biodiversidade. A partir daí, iniciamos a implantação das unidades demonstrativas de restauração ecológica e de sistemas agroflorestais. Embora a iniciativa tenha ações que abrangem toda a bacia do Paraguaçu, o foco de atuação é mais concentrado no Alto Paraguaçu, região de encontro de três biomas, Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado, com diversos ecossistemas associados”, explicou o coordenador de projetos da CI, Rogério Mucugê.
Um dos beneficiários e parceiro do projeto, o viveirista da Associação Bicho do Mato, Erlei Aguiar, descreveu os avanços obtidos na produção de mudas com o apoio do Semeando Águas no Paraguaçu. “Começamos com um pequeno viveiro no quintal de casa, através da troca de sementes, doações de mudas, com o apoio do projeto conseguimos construir uma nova estrutura, fomos capacitados através de um curso de gerenciamento de viveiros, que nos ensinou a torná-lo funcional, com novas técnicas de coleta de sementes e plantio, aumentando a produção. Tivemos mais visibilidade e com a renda gerada pela venda de mudas estamos iniciando a construção da nossa sede própria, para que possamos realizar atividades de educação ambiental, cursos e oficinas para estudantes de escolas públicas e comunidade, dentre outros”.
O biólogo da CI, Dary Rigueira, ressaltou a elaboração do plano estratégico, bem como os desafios para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva da restauração. “Procuramos desenvolver técnicas de restauração ecológica e de sistemas agroflorestais levando em consideração o estágio de degradação em cada propriedade, bem como a realidade social, cultural e econômica das comunidades do entorno. O reflorestamento não é barato, é preciso investimento em capacitação, estruturação de viveiros, mão-de-obra, entre outros. Por isso trabalhamos na criação e fortalecimento da cadeia produtiva, desde os coletores de sementes, produtores de mudas nativas, à produtores rurais e gestores públicos, criando alternativas para reduzir os custos do processo de restauração, além de gerar emprego e renda para os diversos atores envolvidos.
“Não podemos pensar que o processo de restauração ecológica se conclui apenas com o plantio de mudas, é necessário buscar a continuidade das ações e, especialmente, consolidar uma rede de parceiros”, explicou Rigueira.
Semeando Águas no Paraguaçu - Com duração de dois anos, o projeto Semeando Águas no Paraguaçu tem o objetivo de elaborar um plano estratégico para manutenção e recuperação da capacidade hídrica da bacia, incluindo a identificação das áreas mais importantes para a produção de água.
O Projeto é executado pela Conservação Internacional (CI) em parceria com a Sema e o Inema, com patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental, e engloba os municípios de Andaraí, Barra da Estiva, Boninal, Bonito, Ibicoara, Iraquara, Lençóis, Mucugê, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Palmeiras, Piatã, Seabra, Souto Soares, Utinga e Wagner.
Bacia do Paraguaçu - A bacia hidrográfica do Paraguaçu é uma das mais importantes para o estado da Bahia, sendo fundamental para o abastecimento de água da região metropolitana de Salvador. Com uma área de 55 mil Km2, inclui 86 municípios, que correspondem a 10% do território do estado. O Paraguaçu tem suas nascentes em áreas de Caatinga, Campos de Altitude e encraves de Mata Atlântica na Chapada Diamantina. Das nascentes até a foz, na baía de Todos os Santos, o rio Paraguaçu percorre 600 km, cruzando uma região com alta diversidade social, cultural e ecológica.