O Centro Estadual de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de Salvador, localizado em Pituaçu, comemora hoje (31/08) um ano de atuação. Gerido pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), o CETAS iniciou suas atividades em Agosto de 2020 e, mesmo em meio a um cenário de pandemia que avançava na capital baiana, se tornou um centro de referência no recebimento, triagem, reabilitação e soltura de animais silvestres.
Nesse período, já foram realizadas um total de 2.234 solturas de animais silvestres que chegaram por intermédio de entrega voluntária, apreensão oriunda de fiscalização, vítimas de maus-tratos ou de qualquer outra situação que necessite de atenção especializada. Já o total de entradas desde o mês de Agosto de 2020 foi de 5.751.
“Posso afirmar, com muita tranquilidade, que esse trabalho só tem tido sucesso hoje por causa da motivação da equipe de técnicos, médicos veterinários e biólogos que o estado possui, em especial, no Inema. A gente vê neles o interesse de dar certo e presencia os tratamentos diários que o animal recebe desde o momento em que chega ao CETAS até quando é destinado à soltura. É um olhar apurado aqui, um cuidado extra ali, tudo pensado e articulado para o bem-estar do animal", avalia a secretária interina do Meio Ambiente e diretora-geral do Inema, Márcia Telles.
A gestora continua seu discurso agradecendo o apoio técnico das Polícias Ambientais, municipal e estadual, que contribuíram durante o período de um ano do Centro. "Desde o início das atividades, o CETAS tem contado com o apoio técnico do Grupo Especial de Proteção Ambiental (GEPA), gerido pela Guarda Civil Municipal de Salvador, e da Companhia Independente de Proteção de Polícia Ambiental (COPPA), da Polícia Militar da Bahia. Essa parceria foi fundamental no início, quando ainda não possuíamos um canal de atendimento para demandas de resgate, e continua sendo de enorme ajuda ainda hoje, através dos resgates e apreensões de animais que sofrem com maus-tratos, criação ilegal e tráfico da fauna silvestre", sinaliza Telles.
Para facilitar, o CETAS Estadual disponibilizou, em janeiro deste ano de 2021, um número de WhatsApp que tem sido fundamental nas demandas de resgate de animais silvestres e na entrega voluntária destes. Um trabalho de atendimento coletivo que envolve todo o corpo técnico do Inema, distribuídos pelas Unidades Regionais do estado.
"O atendimento via WhatsApp tem sido extremamente importante hoje para a gestão da fauna no estado. Recebemos inúmeras mensagens, desde solicitação de resgate a relatos de maus-tratos da sociedade e, também, sugestões de manejos da fauna local para outro habitat devido à melhor adaptação da espécie. E isso acontece frequentemente, mas em várias regiões do estado. A depender dos locais de origem do cidadão que entra em contato conosco, a gente sempre tem uma equipe pronta para realizar o trabalho de contenção, resgate e destinação do animal ao CETAS Estadual mais próximo", explica o coordenador de fauna do Inema, Vinícius Dantas.
“Os animais que chegam ao CETAS passam por uma triagem que vai identificar a integridade física e atestar a saúde, necessitando apenas de reabilitação", explica Haeliton Cerqueira, técnico e biólogo do Centro de Triagem de Pituaçu. Ele continua dizendo que "após essa avaliação clínica, é feita também uma avaliação do comportamento selvagem e só então destinamos ele para o viveiro, que é um recinto adaptado ao comportamento natural da espécie, ou, apresentando necessidade clínica, é encaminhado para ala de internamento, onde ele será tratado pela equipe de veterinários, observado e estimulado até estar pronto para ser reintroduzido na natureza".
Um dos técnicos à frente das ações de soltura e resgate desde o início das atividades do CETAS Pituaçu, Haeliton destaca a conscientização da sociedade como grande aliada. “É evidente a necessidade da gestão da fauna no nosso Estado. No contato com a sociedade, através dos atendimentos de resgate e entrega voluntária, é perceptível a sensibilização e conscientização dos envolvidos, no interesse da saúde e bem-estar dos animais que sofrem constantemente com a perda de habitat, maus-tratos e tráfico”, explica o biólogo.
No entanto, “apesar dos muitos que se identificam com a causa ambiental, ainda existe uma grande parcela da população que, por falta de conhecimento e preconceito, acaba atacando os animais, ferindo-os e matando-os a fim de se protegerem em situação de medo ensinado. E este tem sido o nosso desafio ao longo desse período, promover a educação ambiental da comunidade referente ao comportamento da espécie e a devida cautela ao se aproximar para realizar a contenção sem treinamento prévio, ações essas que são intensificadas nas redes sociais do órgão e durante o recebimento e resgate do animal”, complementa Haeliton.
Como proceder ao encontrar animais silvestres feridos ou fora de seu habitat natural:
O cidadão que encontrar animais silvestres e/ou exóticos feridos, vítimas de maus tratos, em cativeiro e posse ilegal, pode solicitar o resgate ou realizar a entrega voluntária aos CETAS Estaduais do Inema através do Disque Resgate (71) 99661-3998 (WhatsApp) ou via telefone fixo (71) 3231-5960.