Inema realiza Seminário de sensibilização de questões identitárias, raciais e religiosas

20/12/2021
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) através da Coordenação de Ações Estratégicas (Coaes) e com o apoio da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), promoveu, na última sexta feira (17), via Teams, o "Seminário de Sensibilização - Questões identitárias, raciais e religiosas".  O evento contou com a participação do sociólogo formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e assessor especial da Sepromi, Ailton Ferreira, e teve como objetivo proporcionar debate e reflexão entre os colaboradores do Instituto.


Durante a abertura, a diretora-geral do Inema, Daniella Fernandes, agradeceu a participação de todos e falou sobre o desejo antigo de realizar o evento. A coordenadora de ações estratégicas, Lílian Ferraz de Carvalho, enfatizou a importância da realização do seminário: "considerando a importância de reforçar ações que promovam o respeito à questões identitárias, raciais e religiosas, trazemos hoje este importante seminário para nossos colaboradores e servidores. Esta ação reflete a preocupação deste Instituto em promover um ambiente de respeito às diferenças, evitando a ocorrência de abordagens equivocadas e em desrespeito à diversidade", disse.




Durante as duas horas de conversa, Ailton abordou  a estrutura racial na qual o Estado brasileiro foi historicamente construído e como, a partir dela, o racismo se mantém até os dias de hoje. "O Brasil se estrutura dessa forma, onde o racismo estruturou a sociedade, as relações e a economia. [...] Os negros começaram no Brasil do zero, enquanto que os europeus foram trazidos para o Brasil no processo de branqueamento da sociedade porque haviam teses científicas que diziam que o país não seria desenvolvido com pessoas negras. Então o Brasil passou as décadas de 30 e 40 trazendo europeus para ocupar e trabalhar no Brasil, com tecnologia e apoio creditício e financiamento do Estado brasileiro, para que montassem suas empresas no sul e no sudeste. [...] O Estado brasileiro ajudou com a riqueza do sul e do sudeste do Brasil. São Paulo, Minas e Rio de Janeiro se desenvolveram com o apoio e o beneficiamento de incentivos fiscais do governo brasileiro", afirmou Ailton.


O Sociólogo também falou sobre as ações de políticas afirmativas implementadas no Brasil e na Bahia ao longo das décadas, como as leis que criminalizam o preconceito racial, o reconhecimento de povos quilombolas, leis de implementação do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, e a criação de secretarias voltadas para políticas de promoção à igualdade racial, suas contribuições no combate ao racismo, entre outras.


Ailton ainda explicou o porquê dessas ações existirem: "o racismo acentua as diferenças ao ponto de colocar uma pessoa como de primeira grandeza e a outra de segunda grandeza. É ai que está o problema; não é biológico, é como a sociedade se estruturou hierarquizando pessoas. Então todos somos humanos? Somos. E por que a consciência negra? É porque há uma parte da sociedade que foi alijada do processo de desenvolvimento. Essa parte foi empobrecida, não tem memória, foi trazida sem nem saber que sãos seus ancestrais, foi proibida de existir, essa parte foi negada durante muito tempo. Então, fazer política afirmativa, não é tratar como coitadinho, é fazer justiça, corrigir as injustiças que foram feitas durante muito tempo", conclui.

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