Proteção dos habitats é essencial para a sobrevivência das aves migratórias

11/10/2025
Proteção dos habitats é essencial para a sobrevivência das aves migratórias
Foto: Marcel Scalon Cerchi / WikiAves

No segundo sábado de outubro é celebrado o Dia Mundial das Aves Migratórias, data que reforça a importância da proteção dessas espécies que cruzam continentes em busca de alimento e locais para reprodução. As aves migratórias têm um papel essencial na natureza: ajudam a controlar insetos, atuam na polinização e dispersão de sementes, desempenham papel importante na cadeia alimentar e na ciclagem de nutrientes, contribuindo diretamente para o equilíbrio dos ecossistemas. O Brasil, especialmente o litoral da Bahia, é ponto de passagem para muitas dessas aves, que encontram aqui áreas de descanso e alimentação durante suas longas jornadas.

Algumas espécies percorrem milhares de quilômetros, mostrando a incrível resistência e adaptação da vida selvagem. Neste ano, a campanha mundial destaca a necessidade da sensibilização global sobre as ameaças que as aves enfrentam ao longo das suas rotas, visando aumentar a consciência sobre a proteção e conservação das aves migratórias e dos seus habitats.

Conforme Relatório de Rotas e Áreas de Concentração de Aves Migratórias no Brasil (3ª Edição | 2019) e Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para Conservação das Espécies Ameaçadas – PAN Aves Limícolas Migratórias (2º ciclo de gestão | 2023), na Bahia, destacam-se importantes áreas de concentração, como Cacha-Prego, Camamu e Mangue Seco, que recebem milhares de indivíduos de espécies como o trinta-réis-de-dougall (Sterna dougallii) e o trinta-réis-comum (Sterna hirundo). Além delas, também é registrada a presença da batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia), espécie vulnerável que utiliza praias e áreas costeiras para reprodução e alimentação. Estas aves dependem de ecossistemas saudáveis para se recuperar das longas viagens e garantir o sucesso reprodutivo.

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA), por meio da Diretoria de Regulação (DIRRE), atua dentro dos processos de licenciamento ambiental na conservação dessas espécies, especialmente quando identificada alguma ameaçada de extinção nas áreas de influência dos empreendimentos. Podem ser realizadas ações de levantamento, salvamento e monitoramento dessas populações para avaliação e redução dos impactos gerados durante a implantação e operação das atividades sujeitas ao licenciamento ambiental sobre a fauna migratória.

“As aves migratórias enfrentam inúmeros desafios durante suas rotas, que vão desde a contaminação de áreas úmidas por atividades humanas, reduzindo a qualidade do ambiente e a disponibilidade de alimento, até efeitos das mudanças climáticas. Nosso trabalho no INEMA inclui acompanhar essas situações no âmbito do licenciamento ambiental e solicitar medidas de mitigação que reduzam os impactos sobre a fauna. É fundamental lembrar que cada ave que conseguimos proteger representa também a manutenção de serviços ecológicos essenciais, como a manutenção da biodiversidade, a reprodução de plantas, a produção de alimentos e o controle de pragas", explica Aline Cruz, da Coordenação de Fauna e Aquicultura (COFAQ/DIRRE).

Além da atuação técnica, o desafio é constante. As aves enfrentam ameaças como a perda de habitat causada pela expansão urbana, desmatamento, agricultura intensiva, turismo desordenado, o avanço de empreendimentos próximos a áreas úmidas, além dos impactos ocasionados por parques eólicos, por linhas de transmissão de energia, pela presença de animais domésticos em praias e pela poluição.

Fonte
Ilary Almeida - Ascom / Inema