O diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Eduardo Topázio, participou na manhã deste sábado (25) da estreia do programa CBN Ambiental, transmitido pela Rádio CBN Salvador (100,7 FM). A nova atração é comandada por Marcell Moraes e pela radialista Fernanda Cruz, com foco em temas relacionados à sustentabilidade e preservação ambiental.
Durante a entrevista, Topázio destacou as principais ações do órgão, abordando temas como gestão de fauna, recursos hídricos e fiscalização ambiental. Segundo ele, embora o Inema exerça papel fiscalizador, a responsabilidade pela preservação dos recursos naturais deve ser compartilhada entre o poder público e a sociedade.
“A política ambiental, na essência, é comando e controle. Então, é fiscalizar e autorizar. É polícia, em síntese. Eu acho que isso não é solução. Você tem que fazer um trabalho prévio”, afirmou.
O diretor também explicou que a política de recursos hídricos permite um diálogo mais amplo com a sociedade e oferece instrumentos mais eficazes para o uso racional da água.
“A política de águas e de recursos hídricos é muito mais avançada. O Inema foi criado em 2011 justamente para reunir essas políticas sob o mesmo teto. A água não vem em público, ela pertence às pessoas, ao cidadão. Não é do governo. O governo passa, mas as pessoas continuam vivendo. Então, é um bem público, e todos têm direito ao uso. Cabe ao Estado agir com racionalidade para garantir que isso ocorra.”
Topázio ressaltou ainda que o modelo de integração adotado na Bahia, reunindo atribuições equivalentes às do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Agência Nacional de Águas (ANA), tem servido de referência para outros estados.
Ao comentar sobre os desafios ambientais nas grandes cidades, o diretor criticou a canalização de rios urbanos, prática comum em décadas passadas e que ainda causa impactos negativos.
“Nos grandes centros, eu sempre fui contra a canalização dos rios. Eu acho que isso é uma aberração. Eu sou engenheiro, e sei o quanto essa intervenção gera impactos ambientais e sociais profundos”, pontuou.
Topázio também comentou sobre alguns parques ambientais sob gestão do Governo do Estado e os seus desafios , mencionando a transformação de áreas naturais de Salvador ao longo das últimas décadas.
“Eu passava as férias no Parque do Abaeté, nos anos 60. Naquela época, aquilo era fora de Salvador. Eu ia porque tinha um tio com casa por perto, e o que eu mais adorava era tomar banho na lagoa do Abaeté.
Segundo ele, o processo de impermeabilização do solo nas áreas urbanas tem comprometido o equilíbrio hídrico das lagoas e mananciais.
“Naquele tempo, nós lançamos um livro [por meio da UFBA] que mostrava o que mantinha aquelas lagoas vivas: a permeabilidade do solo. Quando chove, a água infiltrava. Agora, com o solo impermeabilizado, a água escoa para o mar e não infiltra mais. Isso é fruto de uma falta de política urbana adequada e de uma ocupação desordenada do solo, que afeta principalmente as populações mais vulneráveis”, pontuou.
Topázio também citou o Parque de Pituaçu como outro exemplo de desafio de gestão ambiental e fundiária na capital baiana.
“O caso de Pituaçu é diferente, mas igualmente preocupante. Nós estamos delimitando a área mínima necessária em torno do reservatório. Essa falta de regularização fundiária é um problema que se repete tanto em áreas urbanas quanto rurais e que gera conflitos em todo o país”, destacou.