Nos últimos anos, o trabalho de resgate e reabilitação de animais silvestres na Bahia tem ganhado cada vez mais destaque. Somente entre 2021 e 2025, os Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) ultrapassaram 58 mil atendimentos, segundo dados da Coordenação de Gestão de Fauna.
De acordo com o levantamento apresentado pela bióloga Marianna Pinho, responsável por atender as demandas do Disque Resgate, o CETAS Metropolitano de Salvador registrou 31.526 entradas de animais e 14.945 solturas. Já o CETAS Recôncavo, localizado em Cruz das Almas, contabilizou 26.526 entradas e 13.208 solturas. No total, foram 58.052 animais atendidos, uma média de 1.018 por mês, e 28.153 devolvidos à natureza, o que representa cerca de 48,5% de taxa de soltura.
Para ampliar o panorama do trabalho e da rotina nos CETAS, Vinícius Dantas, Coordenador de Gestão da Fauna (CGFAU) do Inema, explica que ‘‘o CETAS não é um equipamento finalístico, mas um equipamento meio, importante para recepcionar e atender animais silvestres que precisam de ajuda, além de estar envolvido em políticas públicas, combate ao tráfico de animais silvestres e educação ambiental.’’
A rotina intensa foi destaque, inclusive, em matérias na imprensa local, publicadas no dia 26 de outubro, que mostraram o resgate de mais de 100 aves silvestres em feiras nas cidades de Dias D’Ávila e Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. As aves foram apreendidas durante ações da Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (COPPA) e encaminhadas para triagem no CETAS. Casos assim reforçam a importância do trabalho de reabilitação e soltura realizado pelo Inema.
Do resgate à soltura: o caminho da recuperação
No CETAS do Inema, o processo de reabilitação começa logo que o animal chega. De acordo com Marta Calasans, gestora e médica veterinária da unidade Salvador, ‘‘os animais passam por uma triagem documental e clínica. Aqueles que estão machucados recebem cuidados veterinários até ficarem aptos para voltar à natureza. Já os que chegam bem passam por uma fase de reabilitação, onde aprendem a se alimentar e conviver novamente com outros da mesma espécie”, explica.
Ela reforça que a soltura ocorre em áreas cadastradas e monitoradas pelo Inema, conhecidas como ASAS (Áreas de Soltura de Animais Silvestres). “Cada espécie tem um tipo de ambiente ideal. A soltura não pode acontecer em qualquer lugar. A gente analisa se o local tem alimentação adequada, vegetação e condições ambientais que permitam o equilíbrio do ecossistema”, complementa.
Essas áreas, segundo a Portaria Inema nº 22.129/2021, precisam apresentar remanescentes vegetacionais significativos, corpos d’água e registro no CEFIR, além de serem classificadas em três tipos: ASAS I: soltura imediata; ASAS II: soltura com aclimatização; ASAS III: soltura com necessidade de readaptação.
“Quando a gente cadastra essas áreas, observa se são locais conservados, com recursos hídricos e sem ameaças. E sempre que possível, fazemos ações de educação ambiental no entorno para evitar que os animais sejam recapturados”, acrescenta Marianna Pinho.
Desafios e perspectivas da gestão de fauna
Para as biólogas, os números expressivos mostram que a fauna ainda sofre com ameaças, mas também refletem um avanço na conscientização. Segundo Marianna, muitos desses animais vêm de apreensões. ‘‘Mas tem também um número interessante que é a entrega voluntária, quando a pessoa se conscientiza de que não pode manter um animal silvestre de forma ilegal e resolve fazer a entrega para o órgão’’, esclarece.
Sobre o perfil dos animais atendidos, Marta explica que a maioria das entradas é composta por aves, especialmente passeriformes, além de gambás e serpentes. “A população está mais consciente e tem denunciado mais. Ainda há quem não entenda a importância desses animais, mas a educação ambiental e o trabalho do Inema estão fazendo diferença”, afirma.
Encontrou animal silvestre ferido, longe de seu habitat natural, ou pretende fazer uma entrega voluntária? Fale conosco pelo Disque Resgate (71) 99661-3998. Atendimento somente via mensagem de WhatsApp.