Dia do Clima e da Floresta reforça importância da preservação ambiental na Bahia

07/11/2025
Dia da Floresta e do Clima
Matheus Lemos / Ascom - Sema

O Dia do Clima e da Floresta reforça a importância da preservação ambiental e chama a atenção para a estreita ligação entre a cobertura vegetal, o equilíbrio climático e a qualidade de vida das populações. Mais do que uma data simbólica, o momento representa uma oportunidade de reflexão sobre o papel das florestas na regulação do clima, na proteção das nascentes e na manutenção da biodiversidade, especialmente em um estado como a Bahia, que abriga uma grande diversidade de biomas e ecossistemas.

Na Bahia, as florestas desempenham função vital na regulação das chuvas, na proteção das nascentes e na manutenção da biodiversidade. Biomas como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Cerrado formam uma rede natural que contribui para o controle da temperatura, o armazenamento de carbono e a estabilidade dos ecossistemas. A Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) desenvolvem, ao longo do ano, diversas ações voltadas à conservação desses biomas, por meio de programas de restauração florestal, monitoramento climático e incentivo a práticas sustentáveis.

O fortalecimento de unidades de conservação, como parques e reservas estaduais, é outro pilar importante para o enfrentamento das mudanças climáticas. Essas áreas garantem a proteção da fauna e da flora, além de promoverem atividades de pesquisa e educação ambiental que ampliam o conhecimento sobre os impactos do desmatamento e das alterações no regime de chuvas.

Com o avanço das discussões globais sobre o aquecimento do planeta, o governo da Bahia reforça a importância de políticas públicas voltadas à mitigação dos efeitos climáticos e à recuperação de áreas degradadas. A integração entre o poder público, a sociedade e os setores produtivos é fundamental para assegurar um futuro mais sustentável.

Mudanças climáticas na Bahia

As mudanças climáticas têm se intensificado em todo o país, e a Bahia também sente esses impactos. Segundo Guido Brasileiro, biólogo da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), “um dos principais efeitos das mudanças do clima são mais pontuais, como a intensificação da temperatura, vindo associado com o aumento das zonas de aridez, como por exemplo na região de Curaçá, mais acima, próximo a Juazeiro”.

Ele explica que nas regiões litorâneas o efeito é diferente. “Temos uma inconsistência do clima, causando chuvas mais intensas e em menor espaço de tempo. Por consequência disso, aumentam os desastres naturais e o impacto na economia também.” Guido ressalta que “as áreas mais vulneráveis são as de concentração populacional, como Salvador e os litorais, além do aumento do nível do mar”.

Políticas públicas e iniciativas da Sema

Sobre as políticas públicas voltadas à mitigação e adaptação, Guido destaca que “a mitigação está sempre associada à redução de gás de efeito estufa”. Ele cita como exemplo o “aumento das áreas de proteção ambiental, como unidades de conservação, para reduzir o desmatamento”.

Em relação à adaptação, afirma que ela está ligada “a uma maior resiliência populacional aos efeitos da mudança do clima”, mencionando o Programa de Gerenciamento Costeiro do Estado da Bahia (GERCO), como exemplo de adaptação. “Quando a gente faz um planejamento de zona costeira, a gente prevê, por exemplo, a não construção habitacional ali naquele entorno.”

Entre as ações em andamento, Guido cita “o PAE, que é o plano de ação ao combate da desertificação, o plano de ação do clima, o plano de recursos hídricos e o apoio às Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)”, além de iniciativas em “educação ambiental e climática e adesão ao Adapta Cidades”.

Caminhos para uma Bahia mais resiliente

Ao falar sobre o futuro, Guido ressalta que ainda há desafios. “Em tornar a Bahia mais resiliente, sendo franco, eu acho que ainda tem muito para a Bahia fazer, para a Bahia se tornar mais resiliente, caminhar para uma Bahia net zero, uma Bahia que compense suas emissões.”

Ele afirma que “isso é muito desafiador e complexo quando se trata de um estado tão grande”, mas reforça que a Sema vem fortalecendo o fórum climático e os planos em desenvolvimento. “A gente pensar na questão da convivência com o semiárido, o combate da desertificação e o próprio sistema de recursos hídricos”, conclui.

Preservação ambiental na Região Metropolitana de Salvador

Salvador e a Região Metropolitana enfrentam forte pressão urbana sobre os ecossistemas locais. Segundo Geneci Braz, gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) Joanes Ipitanga e especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Inema, “a região metropolitana de Salvador abriga um contingente populacional significativo, são cerca de quase 3,6 milhões de habitantes, chegando a quase 4 milhões. Isso tem uma pressão muito grande por demandas de serviços de infraestrutura”.

Ele destaca que a área conta com importantes bacias hidrográficas, como as do rio Joanes e do rio Jacuípe, que abastecem a capital e a região. “Associados a esses recursos hídricos, nós temos os ecossistemas remanescentes de Mata Atlântica, como manguezais, dunas e restingas”, explica. Para ele, “é importante a preservação e manutenção desses ambientes em função da melhoria da qualidade ambiental da população”.

Projetos e ações de recuperação ambiental

Em relação aos projetos voltados à recuperação de áreas degradadas, Geneci explica que o Inema tem incentivado “a recomposição florestal em áreas degradadas e a manutenção de áreas que estão com vegetação em pé”.

Ele cita o projeto Guardiões das Águas, desenvolvido em parceria com a Embasa, que “prevê a recuperação de nascentes e margens de rios e ações educativas com práticas de restauração florestal nas bacias dos rios Joanes e Jacuípe”.

Segundo ele, “à medida que se conservam esses ambientes naturais, favorecem-se diversos aspectos, como a regulação do clima, a qualidade da água e a conservação da biodiversidade”. Geneci conclui destacando que “à medida que você mantém esses espaços protegidos, essas áreas verdes e remanescentes de Mata Atlântica, você vai ter também um incremento na fauna e na preservação dos habitats dessas espécies”.

Monitoramento e combate à degradação ambiental

O avanço da urbanização e o descarte irregular de resíduos representam grandes desafios ambientais. De acordo com Geneci, “várias estratégias são utilizadas do ponto de vista legal para proteger áreas verdes, parques e remanescentes de Mata Atlântica”.

Ele destaca a criação de APAs, os parques do Abaeté e Pituaçu, além das ações de fiscalização e educação ambiental. “A educação ambiental se traduz como uma atividade importante à medida que são veiculadas informações de reconhecimento por parte da sociedade desses atributos naturais”, afirma.

Fonte
Ilary Almeida - Ascom / Inema