Bahia celebra o Dia da Amazônia Azul reforçando protagonismo na gestão costeira e marinha

16/11/2025
BTS
Matheus Lemos - Ascom / Sema

Neste domingo, o Brasil celebra o Dia da Amazônia Azul, data dedicada à valorização da zona marinha sob jurisdição nacional e ao reconhecimento de sua importância ambiental, econômica e estratégica. Na Bahia, o tema ganha destaque especial: o estado tem consolidado sua posição como referência nacional na conservação dos ecossistemas costeiros e na gestão integrada do litoral.

Bahia: litoral estratégico e compromisso com a conservação

Com mais de mil quilômetros de costa, a Bahia abriga ecossistemas essenciais: manguezais, restingas, recifes, ilhas e ambientes de transição entre o mar e a Mata Atlântica. Essa diversidade coloca o estado como protagonista em ações de planejamento territorial, proteção da biodiversidade e fortalecimento das comunidades costeiras.

O secretario do Meio Ambiente (Sema), Eduardo Mendonça Sodré Martins, ressalta que o fortalecimento da governança costeira é hoje uma prioridade estratégica para o estado. “A Amazônia Azul representa não apenas um bioma de extrema relevância ecológica, mas também uma fronteira de desenvolvimento sustentável. Nosso compromisso é integrar políticas públicas, ciência e participação social para garantir que o litoral baiano seja protegido e utilizado de forma responsável, beneficiando as gerações atuais e futuras.”

A Sema e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) têm atuado de forma contínua para aprimorar políticas públicas voltadas à gestão costeira. Entre as frentes em andamento, destacam-se iniciativas de ordenamento ambiental, programas de restauração ecológica e ações que promovem o uso sustentável dos recursos naturais marinhos.

Amazônia Azul: patrimônio natural e estratégico do Brasil

O conceito de Amazônia Azul engloba a área marítima que se estende pela plataforma continental do país, incluindo águas, solo e subsolo marinhos. É um território que reúne grande riqueza biológica, potencial energético, rotas de navegação fundamentais para o comércio e áreas de relevância para pesquisas científicas.

A oceanógrafa Paloma Avena, da Sema, explica que compreender esse território é essencial para uma governança eficaz. “A Amazônia Azul corresponde à vasta faixa oceânica sob jurisdição brasileira, cuja riqueza ambiental, econômica e estratégica é comparável à da Amazônia terrestre. Nessa área concentram-se recursos pesqueiros, minerais e energéticos, além de uma biodiversidade marinha singular e ainda pouco conhecida.”

Ela ressalta que proteger esse patrimônio depende diretamente de conhecimento científico. “Somente com conhecimento científico consistente e políticas públicas eficazes será possível garantir soberania, segurança, conservação dos ecossistemas e desenvolvimento sustentável, alinhados às necessidades do país e à proteção dos bens naturais que sustentam a vida e a economia no ambiente marinho.”

Paloma também destaca o papel da ciência na formulação de decisões estratégicas. “A oceanografia é central na formulação de políticas públicas porque fornece os dados, métodos e interpretações que orientam decisões sobre qualidade da água, hidrodinâmica, biodiversidade, impactos ambientais, previsão de correntes, dispersão de poluentes, riscos costeiros e eventos extremos.”

Ao concentrar ecossistemas sensíveis e regiões prioritárias para conservação, a Bahia ocupa papel central na proteção desse patrimônio. A Baía de Todos-os-Santos, por exemplo, abriga manguezais densos, recifes de corais e ilhas com remanescentes de vegetação nativa, além de comunidades tradicionais que dependem diretamente desses ambientes para subsistência e identidade cultural.

O diretor-geral do Inema, Eduardo Topázio, destaca que a Bahia vem avançando de forma consistente na qualificação da gestão ambiental marinha. “Temos investido em metodologias mais precisas de monitoramento, em mapeamento de habitats sensíveis e na restauração de áreas críticas. Essa base científica e técnica é fundamental para garantir que nossas decisões de gestão costeira sejam cada vez mais assertivas e alinhadas aos desafios climáticos atuais.”, afirma.

Baía de Todos-os-Santos: sede nacional da Amazônia Azul

O reconhecimento da Baía de Todos-os-Santos (BTS) como sede nacional da Amazônia Azul reforça seu papel estratégico para o Brasil e evidencia seu valor ambiental, histórico e cultural.

Para Paloma Avena, a baía é um ponto de encontro entre sociedade e oceano. “A BTS é um território histórico e socioambientalmente riquíssimo. Suas águas são palco de travessias a nado, regatas de veleiros e saveiros, remo, pesca esportiva, kitesurf, surf, stand-up paddle, mergulho em naufrágios e diversas outras práticas esportivas e culturais.”

A oceanógrafa também aponta desafios importantes. “A baía abriga amplas áreas de manguezais e apicuns, hoje pressionadas pela ocupação urbana, dragagens, assoreamento, alterações hidrológicas e poluição.”

Ela reforça que os desafios locais representam, em escala regional, as pressões comuns ao conjunto da Amazônia Azul. Apesar disso, Paloma acredita no potencial da BTS como modelo de gestão integrada. “A BTS reúne condições únicas para se consolidar como referência nacional em gestão integrada da Amazônia Azul e promoção da cultura oceânica.”

Ações de fortalecimento da gestão ambiental

Nos últimos anos, o Governo do Estado tem ampliado esforços para qualificar a governança da zona costeira, por meio de:

  • Projetos de restauração de manguezais e áreas degradadas;
  • Capacitação de técnicos e gestores em temas relacionados ao ambiente marinho, como manejo de recifes de corais;
  • Ampliação de estudos e diagnósticos ambientais que subsidiam políticas públicas;
  • Iniciativas de educação ambiental voltadas às comunidades do entorno de unidades de conservação;
  • Fortalecimento do Programa de Gerenciamento Costeiro (Gerco), que orienta o planejamento sustentável do litoral.
Fonte
Ilary Almeida - Ascom / Inema