O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) realizou, nesta quarta-feira (03), uma reunião extraordinária com os conselhos gestores das Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Joanes-Ipitanga, Rio Capivara, Lagoas de Guarajuba e Plataforma Continental do Litoral Norte para apresentar o conjunto de ações de monitoramento, recuperação ambiental e socioambientais executadas pela Tronox na região de Camaçari e em sua área de influência na zona costeira do município. O encontro ocorreu no Auditório do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), em Salvador, e reuniu gestores das Unidades de Conservação (UCs), equipes técnicas do Inema, representantes dos conselhos gestores e da empresa.
Coordenada pela Diretoria de Sustentabilidade e Conservação (DISUC), a atividade contou com a participação de gestores das quatro APAs, representantes da Fiscalização Ambiental (DIFIS), Regulação (DIRRE/COIND), Núcleo de Outorga (NOUT) e conselheiros das Unidades de Conservação. Entre os diversos segmentos dos territórios onde estão inseridas as APAs, o encontro buscou fortalecer o alinhamento técnico e a transparência das informações.
Na abertura, Geneci Braz, gestor da APA Joanes-Ipitanga, destacou a importância do alinhamento técnico entre poder público, conselhos e empreendimentos. “Este encontro é uma oportunidade para fortalecermos o diálogo entre o órgão ambiental, os conselhos gestores e os empreendimentos. As APAs têm como missão conciliar conservação ambiental e atividades socioeconômicas, e isso depende de informações transparentes e tecnicamente embasadas. A apresentação da Tronox nos permite acompanhar as ações de monitoramento, a gestão de passivos e os avanços nas metas de sustentabilidade”, afirmou.
Os gestores do Inema também apresentaram o papel estratégico das quatro APAs na proteção de mananciais, zonas costeiras e ecossistemas sensíveis presentes na região. A APA Joanes-Ipitanga integra a bacia do Rio Joanes, que responde por cerca de 40% do abastecimento público de água para a população de Salvador e da Região Metropolitana. Já as APAs do Rio Capivara, Lagoas de Guarajuba e Plataforma Continental do Litoral Norte da Bahia integram áreas úmidas, restingas, manguezais, lagoas e ambientes marinhos costeiros, atualmente em atualização de seus estudos ambientais.
A gestora da APA da Plataforma Continental, Adriana de Castro, enfatizou a necessidade de contar com a presença dos conselhos na busca de opinativos e melhores direcionamentos na gestão da sociobiodiversidade, função primordial da presença das unidades de conservação na região. “As APAs não existem isoladamente: elas estão inseridas em territórios vivos, com comunidades, empreendimentos e ecossistemas sensíveis que precisam ser considerados em cada decisão. O diálogo entre poder público, sociedade civil e empresas é fundamental para garantir que o desenvolvimento ocorra de forma responsável, sem comprometer os recursos naturais que sustentam a vida e a economia da nossa região”, disse.
Monitoramento e Governança Ambiental
Durante a reunião, a Tronox apresentou o panorama das ações ambientais realizadas na unidade instalada na Estrada do Coco. Os investimentos previstos incluem mais de R$ 20 milhões em iniciativas de curto prazo e mais de R$ 120 milhões voltados ao fortalecimento da governança climática, à redução de emissões e ao uso racional de recursos naturais.
A empresa registrou reduções acumuladas desde 2019: 5% no consumo total de energia, 23% no uso de água e 8% nas emissões de gases de efeito estufa. Desde 2024, a planta baiana passou a operar integralmente com energia de fonte eólica, tornando-se a primeira unidade produtora de pigmentos no Brasil abastecida 100% por energia renovável. As metas ambientais estabelecidas incluem reduzir 35% das emissões até 2025, 50% até 2030 e alcançar a neutralidade climática até 2050.
O Líder de Meio Ambiente da Tronox, Gabriel Medina Ataíde, destacou que a unidade está inserida em uma área ambientalmente sensível e próxima a comunidades, o que exige controles rigorosos e diálogo permanente com o Inema e os Conselhos Gestores.
Ele explicou que a gestão ambiental da empresa se baseia em cinco pilares — licenciamento, emissões atmosféricas, efluentes, resíduos e passivos ambientais — e que a Tronox cumpre 21 condicionantes, mantém relatórios anuais atualizados e possui licenças ativas emitidas pelo Inema e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Ao longo dessas décadas, passamos por diferentes resoluções, renovações e ciclos de licenciamento, sempre dentro da normalidade. Esse acompanhamento permanente é motivo de orgulho para nós e reforça a seriedade da nossa gestão ambiental”, afirmou.
Ele ressaltou que, assim como qualquer atividade humana, a operação industrial também gera impactos, mas que o fundamental é garantir controles eficientes e compatíveis com as normas vigentes. “Todos produzimos algum tipo de impacto ambiental, seja em casa ou nas atividades cotidianas. Na indústria não é diferente. A diferença está no rigor dos controles. Trabalhamos para que todas as nossas operações atendam integralmente às exigências das legislações estadual e federal, sempre dentro dos limites estabelecidos”, completou.
Entre as ações operacionais apresentadas estão o monitoramento contínuo de águas superficiais e subterrâneas, a operação de barreiras hidráulicas, inspeções em sistemas de efluentes e programas internos de educação ambiental e economia circular.