Inema intensifica fiscalização e apreende madeira ilegal na Mata Atlântica das Serras de Jacobina

23/12/2025

Com o objetivo de combater o desmatamento ilegal nas Serras de Jacobina e em seu entorno, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) realizou uma série de autuações e apreensões de madeira oriunda de atividades irregulares em áreas de Mata Atlântica. As ações ocorreram dentro da poligonal definida pela Lei nº 11.428/2006, conhecida como Lei da Mata Atlântica.

Entre os dias 16 e 19 de dezembro, a equipe de fiscalização da Unidade Regional do Piemonte da Diamantina (URPD) identificou o corte seletivo de espécimes de ipê-rosa (Handroanthus heptaphyllus) em clareiras abertas no interior de um imóvel rural, no município de Saúde, região centro-norte da Bahia. A supressão da vegetação foi realizada com o uso de motosserra, caracterizando infração ambiental em área de bioma protegido.

A coordenadora regional da URPD, Jaqueline Alves, destacou os resultados positivos das ações, que têm contribuído para conter o desmatamento de importantes remanescentes da Mata Atlântica no interior do estado. “O desmatamento ilegal provoca a destruição de habitats, a perda de biodiversidade, além de contribuir para a erosão do solo e a escassez de recursos hídricos. A intensificação das fiscalizações, sobretudo em regiões com histórico recorrente desse tipo de infração, tem apresentado ótimos resultados em nível regional, resultando em apreensões de materiais e recursos florestais provenientes de crimes ambientais, além do fortalecimento de parcerias interinstitucionais”, ressaltou.

Segundo a coordenadora, o planejamento da operação incluiu o mapeamento prévio das áreas fiscalizadas, com base em imagens de satélite, análise de alertas de alteração da cobertura florestal, além de denúncias e informações recebidas pela equipe. “Com esses dados em mãos, os técnicos realizam o cruzamento das áreas mais impactadas com as informações do Cadastro Estadual Florestal de Imóveis Rurais (CEFIR)”, explicou.

Para garantir a destinação adequada da madeira apreendida, composta por estacas, mourões, pranchas e toras, foi firmado um Termo de Doação com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Campus Senhor do Bonfim. A instituição oferece cursos de Educação Profissional e Tecnológica, especialmente nas áreas de agronomia, agroindústria, agropecuária e zootecnia, e possui laboratórios de campo que demandam o uso desse tipo de material.

O Inema segue investigando o possível destino da madeira extraída ilegalmente, com indícios de uso no escoramento de cavas em garimpos de esmeraldas ou no abastecimento de fazendas da região, para a confecção de currais, além de madeireiras e carpintarias clandestinas. “O ipê, também conhecido como pau-d’arco, é uma madeira nobre e de alta resistência. O Estado não tem poupado esforços no combate ao desmatamento ilegal, reafirmando seu compromisso com a preservação da Mata Atlântica, um bioma de rica biodiversidade e de grande importância para a regulação climática e a recarga hídrica de toda a região”, concluiu Jaqueline Alves.

Os cidadãos que desejarem registrar denúncias de crimes ambientais podem entrar em contato com o Disque Denúncia do Inema, pelo telefone 0800 071 1400, ou pelo e-mail denuncia@inema.ba.gov.br.