Uma jaguatirica resgatada com queimaduras de terceiro grau no rosto passou, nesta terça-feira (10), por um procedimento pré-soltura no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Pituaçu, em Salvador. O animal foi resgatado pela Companhia Independente de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa) e encaminhado ao local, onde recebeu acompanhamento da equipe técnica responsável.
No momento do resgate, que ocorreu no mês de janeiro, no município de Valente, no nordeste do estado, o animal apresentava quadro grave, com desidratação intensa e lesões. A equipe realizou exames de imagem para avaliar possíveis fraturas, que foram descartadas.
Segundo Marta Calazans, gestora do Cetas Pituaçu, o manejo precisou ser cuidadosamente planejado para evitar a habituação do animal ao contato humano. O recinto foi totalmente adaptado, com fechamento e telamento, permitindo apenas o acesso dos técnicos e do tratador responsável pela alimentação. “Nosso objetivo sempre foi a reintrodução à natureza. Por isso, evitamos ao máximo a interação direta”, destacaram.
Após cerca de 15 dias de cuidados, que incluiu o uso de terapia fitoterápica, além de medicações subcutâneas e intramusculares, a equipe avaliou a evolução da cicatrização, observando fechamento completo das lesões. A partir disso, foi realizada a última avaliação clínica, etapa fundamental do processo pré-soltura.
Durante a avaliação, foram realizados exames físicos, de sangue e de imagem, conforme explicou a veterinária do Cetas, Thaís Capistrano. “Para essa avaliação tivemos que sedá-la, um sedativo comumente utilizado para esses animais. Assim, avaliamos frequência cardíaca e respiratória, temperatura, silhueta corporal, ganho de peso e alimentação. Repetimos o teste de giárdia, que precisa ser seriado, realizamos novo raio-x e constatamos presença de conteúdo alimentar, além de pulmões e abdômen limpos”, detalhou.
Com a evolução positiva do quadro clínico, a jaguatirica deve ser solta nos próximos dias em uma Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS). “Concluímos que é um animal saudável, sem parasitas, com ritmo cardíaco e respiratório normais. Ele já está pronto para a última etapa do processo, que é a soltura”, afirmou Capistrano.
Segundo a gestora do Cetas, a ação contou com apoio do Ibama, que forneceu equipamentos e integrará a equipe responsável pela soltura. “Foi possível realizar exames imediatos, utilizar anestesia mais rápida e exames mais ágeis, o que contribuiu significativamente para o sucesso do tratamento. É um trabalho conjunto entre os órgãos estadual e federal em prol da conservação”, destacou.