O Governo do Estado ampliou, neste Carnaval, a rede de Centros de Apoio aos Catadores e Catadoras, fortalecendo a política de inclusão socioprodutiva e garantindo melhores condições de trabalho nos circuitos da folia. Além da manutenção das estruturas nos circuitos tradicionais, a iniciativa chegou a novos territórios estratégicos da cidade.
É nesse cenário que atua o projeto “Meu Corre Decente: Trabalho Decente e Solidário na Folia”, iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), que conta com a participação da Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
Pelo segundo ano consecutivo, o Nordeste de Amaralina conta com um Centro de Apoio, consolidando a presença da política pública no território e reforçando o reconhecimento do trabalho dos catadores e catadoras que atuam no Circuito Mestre Bimba.
“Estamos aqui pelo segundo ano consecutivo no circuito do Nordeste e tivemos um desempenho muito positivo. No ano passado, fomos recebidos pelos catadores de forma até surpreendente, porque muitos não sabiam da nossa chegada e ficaram receosos. Este ano, retornamos com mais organização e com o compromisso de continuar fortalecendo esse trabalho. E já adianto, no próximo ano estaremos aqui novamente podemos afirmar, com segurança, que o apoio do Governo do Estado tem sido satisfatório e que os catadores estão sendo valorizados. Isso nos dá mais confiança para continuar trabalhando e fortalecendo a categoria”, salientou o presidente da Cooperativa de Catadores de Resíduos Sólidos e Reciclagem em Geral da Bahia (CRG), Rodeval Santos.
Guido Brasileiro, que é biólogo da Sema e estava atuando como fiscal no Centro de Apoio no Nordeste destacou que é uma das centrais bem tranquilas.
“Aqui no Nordeste acontece um carnaval de bairro, com maior movimentação no período noturno, quando os catadores atuam com mais intensidade. A maioria dos cadastros foi realizada ainda na quinta e na sexta-feira, o que facilitou bastante a organização. É um projeto extremamente importante, que nasceu a partir da própria organização dos catadores e vem crescendo a cada ano. Hoje já são 13 centrais de apoio funcionando. Ainda temos a central do Pelourinho, que atende um ponto estratégico entre dois circuitos”.
Já em 2026, a ampliação ganhou novos marcos, pela primeira vez, Cajazeiras passou a contar com um Centro de Apoio, instalado no Circuito Ancestralidade, e o Pelourinho também recebeu uma unidade exclusiva para organização da coleta e comercialização dos recicláveis.
“Estamos aqui na Central de Resíduos de Cajazeiras, no primeiro ano fazendo a gestão no bairro onde já atuamos há muito tempo. Para nós, é uma grande satisfação estar à frente desse trabalho aqui em Cajazeiras”, destacou a presidente da cooperativa Cocreja, Vanise Silva. Ela também ressaltou que a importância da central é justamente oferecer apoio aos catadores autônomos. “Quando eles vêm entregar o material, recebem os EPIs completos, calça, camisa, bota, luva e protetor auricular, garantindo mais segurança no trabalho. Além disso, recebem o pagamento pelo material entregue. No caso do plástico, que é um dos resíduos mais coletados, eles recebem o valor correspondente ao peso e ainda contam com uma bonificação: a cada 10 quilos entregues, recebem R$ 30 pelo serviço prestado. Também trabalhamos com um preço justo, que não é defasado. É um valor que reconhece o esforço e a importância ambiental do trabalho que eles realizam”, acrescentou.
O Circuito Ancestralidade, em Cajazeiras, é uma iniciativa que descentraliza a festa e valoriza as expressões culturais das periferias, com forte presença de blocos afro, manifestações culturais comunitárias e artistas locais. O espaço reafirma a identidade cultural dos territórios e amplia o acesso da população à programação oficial do Carnaval.
Carpinteiro e catador há 5 anos, José Melo, salientou o quanto a novidade do Centro de apoio é sensacional em Cajazeiras.
“Eu moro aqui há 15 anos e trabalho com reciclagem desde a pandemia. Antes disso, sempre atuei em obras, já trabalhei em vários segmentos, mas encontrei na reciclagem uma forma de garantir renda. Eu vejo que mudou muito de uns anos pra cá. Antes era tudo muito mais difícil, sem estrutura, sem reconhecimento. Agora a gente tem um ponto de apoio, recebe orientação, tem mais segurança. Isso dá mais ânimo pra continuar trabalhando e mostra que o nosso trabalho está sendo reconhecido”, pontuou Melo.
No Pelourinho, coração histórico de Salvador e símbolo da cultura afro-brasileira, a nova estrutura garante suporte aos catadores e catadoras que atuam em uma área de intensa circulação de foliões e turistas, onde a organização da destinação dos resíduos é fundamental para preservar o patrimônio e manter a cidade limpa.
“Este é o nosso primeiro ano atuando aqui no Pelourinho, trazendo essa novidade para os catadores da região. Estamos instalados na central de apoio aos catadores de materiais recicláveis, oferecendo mais estrutura, organização e valorização para quem trabalha durante o Carnaval. Aqui, compramos a lata por um preço justo, a R$ 8,00 o quilo. Além disso, o catador recebe pela prestação de serviço, a cada 20 quilos de lata entregues na balança, ele recebe R$ 160,00 referentes ao peso e mais R$ 50,00 de bonificação. Esse é o apoio do Governo do Estado às cooperativas e aos catadores individuais, garantindo um trabalho mais digno e valorizado. Nosso corre é decente, com reconhecimento e remuneração justa para a categoria”, disse a presidente da cooperativa canarecicla, Jeane Santos.
Jeane também destacou que no segundo dia após a instalação do Centro foram alcançados 100 cadastros. “Entregamos 100 kits de EPI e fardamento. Os catadores estão satisfeitos com a iniciativa. Hoje é o terceiro dia e a expectativa é arrecadar ainda mais latas e fortalecer esse Carnaval do corre decente, com dignidade e valorização para os trabalhadores”.
Resultados e impacto ambiental
Em três dias de Carnaval, já foram retirados das ruas 54,3 mil quilos de materiais recicláveis, sendo 35.342 kg de alumínio, 12.183 kg de PET e 6.780 kg de plástico. Todo esse material segue um caminho organizado e estratégico, que une inclusão produtiva e proteção ambiental.
Os Centros de Apoio oferecem estrutura para triagem, pesagem, armazenamento e comercialização dos materiais recicláveis, assegurando mais segurança, organização e dignidade para quem atua na coleta. Mais do que pontos de apoio logístico, os espaços representam o reconhecimento do papel essencial desempenhado pelos catadores e catadoras na sustentabilidade do Carnaval.