Você sabe realmente o que está descartando quando joga algo fora? Embora a palavra “lixo” seja usada para definir tudo aquilo que não queremos mais, nem tudo que descartamos é, de fato, lixo.
A distinção entre lixo, resíduo e rejeito pode parecer apenas uma questão de vocabulário, mas tem impacto direto na forma como a Bahia planeja, executa e aprimora suas políticas públicas de gestão de resíduos sólidos. Quando a população compreende essa diferença, contribui para reduzir a poluição, ampliar a reciclagem e diminuir o volume destinado aos aterros sanitários.
Essa mudança cultural é acompanhada por ações estruturantes conduzidas e apoiadas pela Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), como o Plano Estadual de Resíduos Sólidos (PERS). O instrumento orienta o planejamento e as estratégias para aprimorar a gestão em todo o território baiano, estabelecendo metas e diretrizes voltadas à ampliação da coleta seletiva, à regionalização de soluções entre municípios e à redução da destinação inadequada de resíduos.
Para a oceanógrafa da Sema, Paloma Avena, compreender essas diferenças é essencial para transformar hábitos cotidianos e fortalecer a gestão ambiental no estado.
“É muito comum utilizarmos a palavra lixo para tudo aquilo que descartamos, mas não é bem assim. Quando chamamos tudo de lixo, deixamos de perceber que grande parte do que descartamos tem valor. O resíduo pode ser reaproveitado e reciclado, retornando ao ciclo produtivo. Já o rejeito é aquilo que, mesmo após todas as tentativas de recuperação, não tem outra alternativa a não ser a destinação final ambientalmente adequada, como em aterro sanitário”, afirma.
Ela explica que a gestão adequada precisa passar pela prática dos 3 Rs: reduzir, para evitar a geração de resíduos; reutilizar, prolongando a vida útil dos materiais; e reciclar, transformando resíduos em novos produtos.
“Essa gestão começa nas nossas casas, nos locais de trabalho e nos nossos hábitos diários. Ao aplicar os 3 Rs no dia a dia, diminuímos a quantidade de rejeitos enviados aos aterros e evitamos impactos ambientais, como a poluição dos rios e do oceano. Consequentemente, temos cidades mais limpas, menos riscos de inundações, menos doenças e mais qualidade de vida para a população”, completa.
Conheça os conceitos:
Resíduo: material que ainda tem valor
Resíduo é todo material que, mesmo após o uso, mantém valor econômico ou possibilidade de reaproveitamento. Papel, plástico, vidro, metal e até restos de alimentos que podem ser destinados à compostagem são exemplos comuns. Quando separados corretamente, esses materiais retornam ao ciclo produtivo, economizam recursos naturais, reduzem a extração de matérias-primas e geram trabalho e renda para catadores e cooperativas de reciclagem.
Lixo: um conceito do dia a dia
Já o termo lixo é utilizado no dia a dia para designar aquilo que perdeu utilidade para quem descarta. Essa percepção, no entanto, é subjetiva. Algo pode não ter mais valor para uma pessoa, mas ainda possuir potencial de reaproveitamento. É justamente por isso que a legislação ambiental brasileira prioriza o conceito de resíduo, reconhecendo que grande parte do que descartamos ainda pode ser reciclada ou transformada em novos produtos.
Rejeito: o que realmente não pode ser reaproveitado
O rejeito, por sua vez, é o material que, mesmo após esgotadas as possibilidades de reaproveitamento e reciclagem, não possui alternativa técnica ou economicamente viável além da destinação final ambientalmente adequada, como em aterros sanitários licenciados. Quanto melhor for a separação realizada nas residências, escolas, empresas e órgãos públicos, menor será a quantidade de rejeitos encaminhados para disposição final.