Uma década depois, o Harpia continua fortalecendo o combate ao desmatamento na Bahia com tecnologia e monitoramento diário

05/03/2026

O avanço silencioso do desmatamento na Bahia tem um adversário permanente, o Projeto Harpia. O programa começou a ser desenvolvido em 2016 pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), por meio da Coordenação de Tecnologia da Informação e Comunicação (COTIC), o sistema consolidou-se como uma das principais ferramentas estaduais de monitoramento da vegetação nativa, especialmente na Mata Atlântica.

Criado em um período em que o uso de bancos de dados derivados de imagens de satélite ainda era pioneiro no âmbito ambiental estadual, o Harpia surgiu com uma missão clara, suprir o Estado com dados precisos e sistematizados para fortalecer o combate ao desmatamento.

De acordo com o coordenador de Geoprocessamento do Inema, Adriano Cassiano, o projeto foi estruturado para acompanhar, de forma contínua, os remanescentes de vegetação no território baiano.

“O Harpia é um projeto de monitoramento dos remanescentes de vegetação no estado da Bahia. A partir da análise comparativa de imagens ao longo do tempo, conseguimos identificar reduções de cobertura vegetal nativa, dimensionar essas áreas e compreender quando esses eventos ocorreram”, explica.

Monitoramento quase em tempo real

Na prática, o sistema utiliza imagens do satélite Sentinel, disponibilizadas quase diariamente, que são analisadas de forma comparativa para detectar alterações na cobertura vegetal, especialmente na Mata Atlântica baiana.

Além das imagens, o projeto integra tecnologias de geoprocessamento como TerraAmazon e QGIS para visualização e auditoria dos dados, além de gerenciadores de banco de dados como o DBeaver, que permitem consolidar informações e gerar análises estratégicas.

Os dados são atualizados diariamente e disponibilizados por meio da interface do Geobahia, onde podem ser visualizados espacialmente e utilizados em análises comparativas por equipes técnicas e de fiscalização.

Ferramenta estratégica para a proteção ambiental

Para o diretor-geral do Inema, Eduardo Topázio, o Harpia representa um avanço decisivo na política ambiental do Estado.

“O Harpia consolida um sistema de informações de desmatamento específico, acessível e de iniciativa 100% estadual. Isso fortalece nossas ações de vigilância e monitoramento e torna o combate ao desmatamento mais estratégico e eficiente”, destaca.

Segundo ele, a ferramenta se tornou imprescindível para a preservação das matas nativas ao longo da porção leste da Bahia, onde se concentra grande parte dos remanescentes da Mata Atlântica.

Resultados concretos

Os dados já apontam impactos positivos. De 2022, ano que registrou o pico de desmatamento durante a existência do projeto até 2025, houve uma queda progressiva nos números. A área desmatada, que ultrapassava 50 mil hectares em 2022, foi reduzida para pouco mais de 20 mil hectares no ano passado.

A redução superior a 50% demonstra a importância do monitoramento contínuo aliado às ações de fiscalização e responsabilização.

A participação da sociedade

Além do uso de tecnologia de ponta, o combate ao desmatamento também depende da colaboração da sociedade. A denúncia de ações ilegais de supressão ou degradação de áreas florestais contribui para dar ainda mais celeridade às ações de fiscalização. Podem entrar em contato com o Disque Denúncia do Inema, pelo telefone 0800 071 1400, ou pelo e-mail denuncia@inema.ba.gov.br.

Com o Harpia, o Estado amplia sua capacidade de enxergar o território. Com a população, amplia sua capacidade de agir.