Representantes da comunidade de São Tomé de Paripe participaram, nesta sexta-feira (8), de uma reunião com técnicos e gestores do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), na sede do órgão, em Salvador, para discutir sobre as investigações relacionadas à contaminação ambiental identificada na praia da região.
O encontro reuniu representantes da comunidade e contou com a presença do diretor-geral do Inema, Eduardo Topázio, do diretor de Fiscalização do órgão, Miguel Calmon e do coordenador de Atendimento a Emergências Ambientais e Fiscalização (Coade), Maurício Paim.
A reunião teve como foco a escuta dos moradores, além do esclarecimento das ações adotadas pelo órgão ambiental desde o início da ocorrência.
Segundo Maurício, o encontro buscou aproximar o Inema da população atingida e garantir transparência no processo de investigação. “O objetivo é receber a comunidade para ter maiores esclarecimentos sobre a contaminação lá em São Tomé de Paripe. Vieram cinco representantes da comunidade para buscar mais informações e esclarecermos tudo que está sendo feito pelo Inema”, afirmou.
Morador de São Tomé de Paripe há 48 anos e representante da comunidade, Jocival David destacou a importância do encontro como espaço para esclarecimento de dúvidas e diálogo entre os moradores e o órgão ambiental. Segundo ele, a reunião permitiu que a comunidade apresentasse os impactos enfrentados desde o início da ocorrência e também contribuísse com informações que podem auxiliar nas investigações conduzidas pelo Inema.
“A gente veio buscar esclarecimentos, apresentar as preocupações da comunidade e mostrar os impactos que os moradores vêm enfrentando no dia a dia por causa dessa situação”, declarou.
O especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Inema, Rodrigo Pacheco, explicou que o órgão acompanha o caso desde o primeiro atendimento emergencial realizado na área. De acordo com ele, além da investigação técnica, a reunião teve como proposta compreender os impactos enfrentados pela população local.
“A comunidade vinha solicitando essa audiência para entender melhor o que está acontecendo. Enquanto órgão ambiental, temos responsabilidade não apenas sobre o meio ambiente, mas também sobre a vida das pessoas. É importante esclarecer as ações realizadas, ouvir os moradores e compreender como essa contaminação interfere na rotina da comunidade”, afirmou.
Ainda segundo o técnico, o encontro reforça o compromisso do Inema em manter diálogo contínuo com a população e garantir transparência na condução das ações ambientais e administrativas relacionadas ao caso.
Entenda o caso de São Tomé de Paripe
Na última quinta-feira (7), o Inema concluiu mais uma etapa das investigações sobre a presença de líquidos de coloração azulada e amarelada na Praia de São Tomé de Paripe, em Salvador. As análises laboratoriais identificaram concentrações elevadas de compostos nitrogenados e metais, principalmente cobre, em áreas próximas ao foco da contaminação.
Além da avaliação preliminar realizada em março de 2026, o Inema executou novas inspeções e amostragens em abril, com coletas de água superficial marinha, água intersticial e sedimento (areia) em oito pontos distribuídos na região da praia de São Tomé de Paripe até a praia do Inema; e biota (siris e moluscos bivalves) em um quadrante estabelecido na área.
As análises realizadas em água, sedimentos e organismos marinhos também confirmaram a presença de contaminação ambiental na região, subsidiando o órgão ambiental a ampliar as medidas de monitoramento e controle da área afetada.
Desde o início da ocorrência, o Inema vem adotando medidas emergenciais, incluindo a interdição temporária das atividades do Terminal Itapuã, a instalação de placas restringindo o uso da área afetada na praia, notificações às empresas envolvidas e a exigência de ações de investigação e remediação ambiental.
A área do mar agora é considerada imprópria para pesca, banho e recreação de contato primário, conforme a Resolução Conama nº 274/2000, com base nos novos resultados apresentados pelo Inema nesta etapa da investigação. O órgão orienta que a população evite contato com a água e os sedimentos da região até a conclusão das medidas de controle e recuperação ambiental.
Denúncias: O Disque Denúncia do Inema é um canal direto de comunicação com a população para recebimento de informações sobre crimes e irregularidades ambientais em todo o território baiano.
Os cidadãos podem denunciar atividades ilegais como desmatamento, queimadas, poluição de rios, tráfico de animais silvestres e outras infrações ambientais pelo telefone 0800 071 1400 ou pelo e-mail denuncia@inema.ba.gov.br. A identidade do denunciante será preservada e, caso necessário, a denúncia também pode ser realizada de forma anônima.