Semana do Meio Ambiente reúne marcos históricos da conservação ambiental na Bahia

05/06/2026
Semana do Meio Ambiente reúne marcos históricos da conservação ambiental na Bahia
Foto: Matheus Lemos/ASCOM

Os primeiros dias de junho, mês dedicado ao Meio Ambiente, concentram datas emblemáticas para a história da conservação ambiental na Bahia. Entre os dias 05 e 07 de junho, são celebrados aniversários de criação de importantes Unidades de Conservação (UCs) estaduais, além de marcos institucionais que ajudaram a consolidar a política ambiental e de recursos hídricos do estado.

Nesta sexta-feira (05), Dia Mundial do Meio Ambiente, completam aniversário 13 UCs instituídas pelo Estado da Bahia, ao longo de diferentes períodos. O conjunto de áreas protegidas reforça o papel estratégico de gestão das unidades na preservação dos biomas baianos (da Caatinga ao Cerrado, passando pela Mata Atlântica e ecossistemas associados, como restingas, manguezais, dunas e zonas costeiras) além de destacar a importância da gestão participativa na proteção do patrimônio natural do estado e os objetivos de criação de cada uma das UCs.

O sábado (06) marca a criação da Área Estadual de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) do Orobó, instituída em 2002, e da Estação Ecológica Rio Preto, criada em 2005. Já no domingo (07), completam aniversário as Áreas de Proteção Ambiental (APA) de Coroa Vermelha, Serra do Barbado, Costa de Itacaré/Serra Grande e Bacia do Rio de Janeiro, todas criadas em 1993.

Segundo o coordenador de Gestão de Unidades de Conservação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Mateus Camilo Matos, os decretos de criação dessas unidades estabeleceram objetivos alinhados a conservação e ao turismo voltadas à proteção ambiental e o desenvolvimento dos territórios.

“A preservação da vegetação nativa, a garantia dos processos ecológicos, o disciplinamento do uso do solo e a viabilização de atividades compatíveis com a conservação estão entre esses objetivos. Muitas delas preveem ainda a formação de corredores ecológicos, a proteção da fauna migratória e o estímulo ao turismo de sustentável”, destaca.

Diversidade de áreas protegidas

Entre as unidades criadas em 05 de junho está a APA das Ilhas de Tinharé e Boipeba, instituída em 1992 para proteger ecossistemas insulares de grande relevância para a biodiversidade costeira da Baía de Todos-os-Santos. Outra unidade estratégica é a APA Joanes-Ipitanga, criada em 1999 e responsável pela proteção da bacia hidrográfica do Rio Joanes, manancial que responde por aproximadamente 40% do abastecimento de água de Salvador e Região Metropolitana.

De acordo com o especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Inema e gestor da APA Joanes-Ipitanga, Geneci Braz, a administração das unidades ocorre de forma integrada e participativa.

“O trabalho de gestão é desenvolvido envolvendo os diferentes atores sociais do território. As ações incluem projetos socioambientais, reuniões dos conselhos gestores e a articulação entre fiscalização, licenciamento e monitoramento realizados pelo Inema e órgãos parceiros”, explica.

Também em 1999 foi criada a APA da Baía de Todos-os-Santos, voltadas à proteção de importantes bacias hidrográficas e do ecossistema da maior baía do estado.

Em 2001, foram instituídas a APA Serra Branca/Raso da Catarina, localizada em Jeremoabo, e a ARIE Nascentes do Rio de Contas. A primeira tem como foco a preservação da Caatinga, da diversidade genética da fauna nativa e das rotas de aves migratórias, além de prever a formação de corredores ecológicos com a Estação Ecológica Raso da Catarina. Já a segunda protege aproximadamente 4,7 mil hectares nos municípios de Piatã e Abaíra, com ações voltadas à conservação de ecossistemas naturais, recursos hídricos e paisagens de elevado valor cênico.

Em 2003, foram criadas as APA Plataforma Continental do Litoral Norte e Caminhos Ecológicos da Boa Esperança, ampliando a proteção de ambientes marinhos e de áreas de conectividade ecológica.

O ano de 2006 marcou a criação da APA de São Desidério, da APA do Rio Preto e do Monumento Natural dos Cânions do Subaé. No caso de São Desidério, a unidade foi concebida para ordenar o uso do solo e dos recursos hídricos, proteger patrimônios geológico, espeleológico, arqueológico, paleontológico e cultural, além de incentivar o turismo ecológico e atividades sustentáveis compatíveis com a conservação do Cerrado.

A gestão dessas unidades está em consonância ao estabelecidos pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), como planos de manejo, zoneamento ecológico-econômico e conselhos gestores formados por representantes do poder público, da sociedade civil, do setor produtivo e de outros segmentos sociais.

Programação do Mês do Meio Ambiente

A celebração desses marcos históricos ocorre em meio à programação especial do Mês do Meio Ambiente promovida pela Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e pelo Inema. Com investimentos que somam cerca de R$ 49,8 milhões, a agenda reúne mais de dez ações em diferentes regiões da Bahia voltadas à conservação ambiental, educação ambiental e fortalecimento da sustentabilidade.

Nesta sexta-feira, o destaque fica por conta da inauguração do Jardim Ecológico e do novo setor de Nutrição do Parque Zoobotânico da Bahia, em Salvador, além da distribuição de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica e de exemplares da revista Coquetel do Zoo, bem como a realização de exposições temáticas promovidas por instituições parceiras voltadas à conservação da fauna e à educação ambiental.

Ao longo do mês, também será entregue o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de Barreiras, primeiro equipamento do tipo implantado no oeste baiano e no bioma Cerrado. Com investimento próximo de R$ 8 milhões, a unidade ampliará a capacidade de atendimento, reabilitação e destinação de animais silvestres resgatados ou apreendidos.

Outro destaque será a entrega da primeira etapa das obras de revitalização do Parque Metropolitano de Pituaçu, em Salvador. O projeto, financiado com recursos do Fundo Estadual de Recursos para o Meio Ambiente (FERFA), contempla a recuperação dos 15 quilômetros de ciclovia, implantação de bicicletário, melhorias de acessibilidade, iluminação e infraestrutura de apoio aos visitantes.

A programação inclui ainda a realização da Semana Oceânica 2026, entre os dias 08 e 12 de junho, em Salvador; o encontro estadual do Programa Água Doce (PAD Bahia), nos dias 16 e 17 de junho, em Feira de Santana; o seminário de atualização do Plano de Ação Estadual de Combate à Desertificação (PAE Bahia), nos dias 17 e 18 de junho, em Juazeiro; e a campanha “São João Sim, Incêndio Não”, voltada à prevenção de incêndios florestais durante os festejos juninos.

A trajetória construída ao longo de décadas por meio da criação e gestão das Unidades de Conservação encontra continuidade nas ações desenvolvidas pela secretaria e pelo instituto, reafirmando a importância da proteção da biodiversidade, da segurança hídrica e da promoção do desenvolvimento sustentável em todo o estado.

Fonte
Texto: Matheus Santana/ASCOM
Tags
SEMA
Inema
Semana do Meio Ambiente
Unidades de Conservação
APAs