A Bahia enfrenta dias de calor intenso, sensação de abafamento e ocorrência de chuvas fortes em diferentes regiões. Esse cenário está associado à aproximação de um sistema frontal, que altera a circulação dos ventos, contribui para o aumento das temperaturas e favorece a formação de áreas de instabilidade na atmosfera. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), esse processo ajuda a explicar as condições observadas no estado.
Em Salvador, os termômetros chegaram a 37,5 °C no último domingo (25), a maior temperatura registrada na capital baiana em 2026 até então.
O meteorologista Thiago Barros, da Coordenação de Estudos de Clima e Projetos Especiais (COCEP) do Inema, explica que o calor registrado antes da passagem de um sistema frontal é conhecido como aquecimento pré-frontal.
Segundo Barros, esse fenômeno ocorre devido a mudanças na direção dos ventos e ao transporte horizontal de calor, processo chamado de advecção de temperatura.
“Quando o sistema frontal se aproxima da região, a tendência é que os ventos mudem para o quadrante norte, trazendo calor para uma área que já está aquecida, como o Nordeste brasileiro”, explicou o meteorologista.
Esse mecanismo contribuiu para que áreas entre Sergipe e a Bahia registrassem temperaturas acima dos 40 °C, com o calor também alcançando o Agreste de Alagoas. Outro fator que pode intensificar o aquecimento é a compressão do ar quente pelo avanço de uma massa de ar frio. Nesse processo, o ar é comprimido e sua temperatura aumenta, reforçando o calor já presente na região.
Além das altas temperaturas, a umidade do ar influencia a forma como o corpo humano percebe o calor. Quando o ambiente está quente e úmido, o suor encontra mais dificuldade para evaporar, reduzindo a eficiência do mecanismo natural de resfriamento do organismo.
“Quando temos umidade e calor, ocorre essa sensação de abafamento. O suor não consegue evaporar de maneira eficiente e acabamos transpirando mais, o que provoca a sensação de um calor mais sufocante”, elucidou Thiago.
A aproximação do sistema frontal também pode favorecer o transporte de umidade para áreas que já apresentam temperaturas elevadas. A combinação dessas condições intensifica a sensação de desconforto térmico.
Embora esteja associado ao aumento das temperaturas antes de sua passagem, o sistema frontal também pode estimular a formação e a intensificação de áreas de instabilidade atmosférica. Com o movimento ascendente do ar, a umidade se condensa e forma nuvens que podem provocar pancadas de chuva de forte intensidade.
Segundo o meteorologista, algumas cidades do Sudoeste baiano registraram acumulados de aproximadamente 150 milímetros de chuva em apenas seis horas, evidenciando a intensidade das instabilidades que atuam na região.
“São áreas de instabilidade muito intensas e mais organizadas, capazes de produzir grandes volumes de chuva. Uma nuvem passa e, logo depois, outra se forma, mantendo esse ciclo de precipitação”, detalhou.
A previsão apontada pelo meteorologista indica possibilidade de pancadas de chuva a qualquer momento do dia em diferentes regiões da Bahia. Os principais destaques são o Baixo Sul, o Sudoeste, o Oeste e parte da região do São Francisco, sem descartar a ocorrência de chuvas também no Norte e no Nordeste baianos.
Com o avanço do sistema frontal, a tendência é de redução gradual das temperaturas, com possibilidade de alívio do calor mais intenso até sexta-feira (30). A normalização, no entanto, depende da evolução das condições atmosféricas, e as temperaturas ainda podem permanecer elevadas em algumas localidades.
Por se tratar da primavera, estação marcada por variações nas condições de temperatura, umidade e chuva, episódios de calor intenso podem ocorrer mesmo durante períodos de instabilidade. O Inema segue acompanhando as condições meteorológicas e recomenda que a população permaneça atenta às atualizações da previsão do tempo, especialmente diante da possibilidade de chuvas fortes.