Samba de Roda do Recôncavo

a
 
 

O Samba de Roda do Recôncavo baiano passou a ser Patrimônio Cultural Imaterial do Estado em 5 de março de 2020, através de decreto publicado no Diário Oficial da Bahia. Os estudos para a patrimonialização do Samba de Roda foram produzidos pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). 

O Samba de Roda do Recôncavo é  um misto de expressão musical, coreografia característica, poética abrangente, presente em momentos festivos. É uma das principais manifestações culturais engendrada em solo brasileiro. Incide praticamente em todo Estado da Bahia, sendo que é na região conhecida como Recôncavo, área composta de 33 municípios, localizada no entorno da Baía de Todos os Santos, que iremos encontrar uma maior concentração de grupos de sambadeiras e sambadores e pujança da manifestação cultural, haja vista que essa região recebeu as primeiras levas de africanos escravizados para trabalhar nos engenhos de açúcar e onde, consequentemente, concentram-se maior número de templos religiosos de matriz africana, depositários da matéria prima essencial dessa forma de expressão, cuja celebração saltou dos terreiros de candomblé para ganhar as festas, ruas e praças das cidades baianas.

Composto por um grupo de músicos, sambadeiras e sambadores que se reúnem em uma espécie de roda, onde estão presentes diversos instrumentos como atabaques, a viola, o pandeiro, o chocalho o ganzá, o reco-reco e o agogô, podendo a depender da região, haver introdução de outros instrumentos. Acompanhado por cantos e palmas pelos presentes, onde, geralmente as mulheres é quem dançam, cabendo aos homens a execução dos instrumentos. A dança é conhecida como miudinho e o samba chula e o samba corrido são as variantes que ocorrem no Recôncavo.

Seus primeiros registros, com esse nome e com muitas características que ainda hoje o identificam, datam dos anos 1860. Atualmente, reúne as tradições culturais transmitidas por africanos escravizados e seus descendentes, que incluem o culto aos orixás e caboclos, o jogo da capoeira e a chamada comida de azeite. A herança negro-africana no samba de roda se mesclou de maneira singular a traços culturais trazidos pelos portugueses (principalmente viola e pandeiro) e à própria língua portuguesa nos elementos de suas formas poéticas. Pode ser realizado em associação com o calendário festivo - caso das festas da Boa Morte, em Cachoeira (BA), em agosto, de São Cosme e Damião, em setembro, e de sambas ao final de rituais para caboclos em terreiros de candomblé. Mas ele pode também ser realizado em qualquer momento, como uma diversão coletiva, pelo prazer de sambar.

O Samba de Roda foi reconhecido como patrimônio pelo IPHAN desde 2004; e reconhecido como Obra Prima da Humanidade pela UNESCO desde 2005.