Igreja Matriz de Nossa Senhora de Madre de Deus
Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: Madre de Deus
- Endereço: Rua N. Sra. Madre de Deus, n° 573
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento provisório – Processo nº 0607160001200/2016
- Data do Tombamento: 26/07/2016
- Propriedade: Arquidiocese de Salvador
- Uso Original: Religioso
- Uso atual: Religioso
- Estado de conservação: Bom
- Outras Informações:
Breve Histórico
A igreja foi construída no final do século XVII, entre 1679-1680, pelo presbítero Manoel Rodrigues e é a principal da cidade. Ele quis dedicar à mãe de Deus uma cópia do Santuário da Milagrosa Virgem que havia na cidade de Lisboa. O templo foi edificado no alto de uma colina da ilha, conhecida no passado como Cururupeba. Com a sua fachada principal voltada para o poente, do seu adro se descortina um belo panorama da Baía de Todos os Santos e suas ilhas. Na sua vizinhança imediata não existem construções.
Edifício de notável mérito arquitetônico. Igreja de três naves, cuja separação entre elas é feita por duas ordens de arcadas. Se essas arcadas forem originais, como tudo indica, trata-se de uma planta raríssima na arquitetura brasileira. Possui algumas dependências novas ao fundo. Os altares são arranjos de elementos neoclássicos, provavelmente de outros altares. Construção em alvenaria de pedra e tijolo. As portas e janelas são de madeira maciça do tipo almofadado simples. Forro de madeira na nave central e telha-vã no restante.
A modulação das arcadas e a presença de três portas na fachada, coincidindo com o eixo das três naves, nos fazem acreditar que as torres não são originais e seccionaram as naves laterais. A fachada obedece à composição que teria origem no final do século XVII, mas que se tornou comum no século seguinte. Sua torre terminada em pirâmide é também típica do século XVIII. Todavia a presença de janelas terminadas em arco pleno sugere que se trata de uma fachada executada ou ao menos modificada no século XIX. (IPAC)
Usina Cinco Rios
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Sebastião do Passé
- Endereço: Distrito de Maracangalha
- Processo de origem: 0607160001200/2016
- Proteção Legal: Tombamento Estadual - Decreto nº 13.152/2011
- Data do Tombamento: 09/08/2011
- Propriedade: Jarbas Lima de Araújo
- Uso Original: Beneficiamento de cana de açúcar
- Uso atual: Sem uso.
- Estado de conservação: Ruína
- Outras Informações:
Breve Histórico
A Usina Cinco Rios foi fundada em 6 de novembro de 1912, sucedendo a antiga Usina Maracangalha. O engenho Maracangalha, que deu origem à usina, já existia desde 1757. O pequeno distrito de Maracangalha onde se encontram as ruínas da Usina Cinco Rios, está situado no município de São Sebastião do Passé, no Recôncavo Baiano.
Inicialmente de propriedade da tradicional família Costa Pinto, a Usina foi adquirida nos anos 1930 por Clemente Mariani, famoso empresário e político baiano. Fechou e reabriu na mesma década, passando para a administração de Álvaro Martins Catharino. No final da década de 1940 esteve à frente Augusto Novis, um dos mais conhecidos usineiros da Bahia. Em meio à decadência de outras usinas no Estado, teve êxito considerável entre as décadas de 1950 e 70.
Cinco Rios foi uma das mais bem equipadas usinas baianas, com maquinário de última geração e força motriz de máquinas a vapor. Possuía propriedades agrícolas que forneciam a cana de açúcar, direcionadas para as moendas e caldeiras. Ao longo do tempo chegou a ter um laboratório químico de controle de qualidade, oficina mecânica, serraria, carpintaria, fundição e outros serviços auxiliares capacitados a produzir peças de reposição.
A história desse monumento está diretamente ligada ao período açucareiro na Bahia, passando por momentos de grande prosperidade e outros de total decadência. Compõem a Usina um conjunto de prédios e uma vila de casas, hoje já de propriedade dos antigos trabalhadores da usina e seus descendentes. O conjunto de prédios estava dividido em: fábrica, administração, oficinas, além de uma pequena hospedaria. (IPAC)
Capela de Santo Antônio de Mataripe
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Francisco do Conde
- Endereço: Distrito de Mataripe
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento Provisório – Processo nº 0607080015056/2008
- Data do Tombamento: 08/07/2008
- Uso Original: Religioso
- Uso atual: Sem uso
- Estado de conservação:
- Outras Informações
Breve Histórico
É uma capela de engenho de meados do século XVIII, com planta característica de igrejas matrizes interioranas do final do século XVII, com galerias abertas ao exterior e recobertas por tribunas. Seu mérito arquitetônico é ser uma capela de engenho com pretensões de matriz: duas torres, galerias laterais com arcos, como em matrizes de peregrinação do Recôncavo, coro e tribunas.
É um templo com grossas paredes, com telhado tipo telha canal, piso quadriculado em mármore branco e cinza. Nas lápides funerárias, de grande valor histórico, há nove enterramentos dos membros dos Moniz Aragão, personagens da história do Recôncavo e da Bahia.
Na fachada, encontram-se um frontão em espiral, uma porta em cantaria e cinco janelas de guilhotinas. No interior do imóvel, o destaque fica por conta das imagens de Nossa Senhora da Conceição, São José e Ascenção do Senhor, e o lavabo com o golfinho, datado de 1873. As torres são do final do século XIX, com terminação piramidal remetendo à arquitetura gótica da Idade Média.
O ano de 1873 assinalado no frontão da capela indica o ano de alguma grande reforma. Nesta oportunidade pode ter sido eliminado o primitivo altar barroco, e construído um outro, neoclássico, ao gosto da época. Possui sistema construtivo de paredes autoportantes de alvenaria mista de pedra e tijolo. Na década de 1960 foram introduzidas lajes de concreto no segundo pavimento. (IPAC)
Casa de Câmara e Cadeia
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Francisco do Conde
- Endereço: Praça da Independência
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento provisório – Processo nº 0607170010975/2017
- Data do Tombamento: 13/12/2017
- Uso Original: Cadeia, alojamento da guarda (piso inferior) e Senado da Câmara e Intendência (no piso superior)
- Uso atual: Prefeitura e Câmara Municipal
- Estado de conservação: Bom
- Outras Informações:
Breve Histórico
Em 1618, por ordem do Conde de Linhares, foi construído no alto de um monte, no Recôncavo Baiano, um convento e uma igreja, onde, mais tarde, surgiria a cidade de São Francisco do Conde, em 1698. O nome homenageia o padroeiro da cidade e o conde Fernão Rodrigues, que herdou o terreno do 3° governador-geral do Brasil, Mem de Sá. A região onde fica a cidade foi conquistada pelo império português através de guerras travadas contra os índios que viviam nas margens dos rios Paraguaçu e Jaguaribe. No passado, a riqueza da cidade se baseava nas plantações de cana de açúcar que deram início ao desenvolvimento econômico da área.
A construção da Casa de Câmara e Cadeia é de relevante interesse arquitetônico, desenvolvida em dois pisos. O edifício apresenta planta em “L” organizada em torno de um diminutivo pátio que ilumina o saguão. Primitivamente o pavimento térreo servia como cadeia e alojamento da guarda enquanto o pavimento superior abrigava o Senado da Câmara e a Intendência. Destacam-se as grades de ferro das enxovias situada no térreo remetendo à antiga prisão.
Esta construção foi terminada, provavelmente, em meados do século XVIII, embora sua fachada nordeste pareça anterior. O edifício foi reformado provavelmente no quartel de século passado. Muito curioso nesse edifício é o sistema de circulação. Uma escadaria conduz diretamente da rua um patamar intermediário entre os dois pisos onde nascem as escadas diretamente para os vários salões do sobrado e para a primitiva cadeia.
As fachadas do edifício são emolduradas por cunhais e cornija enquanto que a área interna apresenta beiral do tipo beira-seveira. Na segunda metade do século XIX o prédio deve ter sofrido uma grande reforma, quando foram os varais de ferro dos balcões da fachada principal substituídos por grades daquele período. Desta mesma época seria o frontão recortado que substituiu a sineira primitiva e provavelmente a ampliação do edifício para o fundo.
O edifício conserva a carpintaria almofadada original. As grades dos balcões da fachada principal são do século XIX. A sua construção é com uma caixa de muros e algumas paredes mestras de alvenarias de pedras que suportam o assoalho e a cobertura. As divisórias são de alvenaria com tijolo. (IPAC)
Conjunto Arquitetônico da Praça da Independência
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Francisco do Conde
- Endereço: Praça da Independência
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento Provisório – Processo nº 0607170010959/2017
- Data do Tombamento: 13/12/2017
- Uso Original: Conjunto Arquitetônico
- Uso atual: Conjunto Arquitetônico
- Estado de conservação: Bom
- Outras Informações
Breve Histórico
A primitiva povoação de onde é hoje São Francisco do Conde surgiu devido a instalação do Convento de Santo Antônio e espalhou-se pelas encostas do local, progredindo e chegando à Baía de Todos os Santos. Apesar de atualmente restarem poucas construções relacionadas à memória histórica do município, a sua importância e o relevante desenvolvimento econômico que teve no passado, são atestados através das construções remanescentes, de grande valor histórico e arquitetônico.
Os imóveis estão localizados no entorno da Praça da Independência e constitui interessante valor de conjunto arquitetônico: Casa de Câmara e Cadeia (atual prefeitura), imóvel na Praça Camerindo de Freitas, s/n (atual Banco do Brasil), imóvel na rua Espírito Santo, nº 03, sobrado na Praça da Independência (Pousada Recanto do Parque) e imóvel na Praça da Independência (atual Secretaria de Serviços Públicos).
A Casa de Câmara e Cadeia, atual prefeitura, desenvolve-se em dois pavimentos, em torno de um pátio central, que ilumina o saguão. Apresenta características tipológicas do século XVIII, com vergas das envasaduras em arco abatido. Possui espanada central com sineira e a modenatura das fachadas é arrematada por cimalhas, friso e cunhais, enquanto a parte interna apresenta beiral do tipo beira-seveira.
O imóvel na Praça Camerindo de Freitas, sede atual do Banco do Brasil na cidade, trata-se de uma casa térrea de corredor lateral, com beiral do tipo beira-seveira. A fachada principal apresenta características tipológicas do século XVIII, com portas e janelas em arco abatido. Internamente não apresenta os elementos tipológicos primitivos.
O imóvel na rua Espírito Santo, nº 03, trata-se de um sobrado de dois pavimentos, situado em esquina e a sua implantação é definidora para a caracterização do conjunto arquitetônico. Possui a fachada principal na empena, que se constitui numa característica tipológica do século XIX, embora as vergas ainda sejam de arco abatido, o que remete ao século XVIII. A fachada principal possui portada central e as janelas estão dispostas simetricamente em relação à mesma. Duas envasaduras na mesma fachada evidenciam a existência de um sótão. As fachadas apresentam modernatura de cimalhas e cunhais e os vãos possuem cercaduras em massa. As janelas são em madeira e vido tipo guilhotina e as portas em madeira tipo calha.
O sobrado na Praça da Independência, atual, Pousada Recanto do Parque, possui dois pavimentos e está situado em esquina. Possui a fachada principal na empena, mas, nesse caso, um friso faz a marcação da base triangular, tendo ao centro um óculo, à semelhança dos edifícios religiosos.
O imóvel na Praça da Independência, atual Secretaria de Serviços Públicos, tem indicação de que este edifício seria um depósito de açúcar. Com características do século XIX trata-se de uma edificação térrea, que se desenvolve no sentido longitudinal. Os beirais repousam em cimalhas e os vãos, com vergas em arco pleno, possuem cercaduras de massa. (IPAC)
Fazenda Engenho D’água
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Francisco do Conde
- Endereço: Rodovia BA- Km 10 (estrada que liga Candeias/ São Francisco do Conde).
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento Provisório – Processo nº 0607170010959/2017
- Data do Tombamento: 13/12/2017
- Uso Original: Engenho de Açúcar
- Uso atual: Particular
- Estado de conservação: Bom
- Outras Informações: Propriedade particular bem conservada, e desde 2002 pertencente a Mario Augusto Nascimento Ribeiro, sobrinho-neto de Emídio de Sá Ribeiro, que o havia adquirido em 1911 da Família Bulcão que estava com o mesmo desde sua fundação na primeira metade do século XVII.
Breve Histórico
Trata-se de um antigo engenho de açúcar, que foi adquirido pela família Bulcão em 1650, data aproximada de sua construção original. Está localizado no município de São Francisco do Conde a uma distância de 60 Km de Salvador. A Fazenda homônima está situada numa colina e por estar situada numa zona rural o seu entrono é cercado por áreas verdes totalmente preservadas e possibilita uma linda visão da Baía de Todos os Santos.
O conjunto é atualmente é formado pela casa-grande, capela, residência de trabalhadores, pousada, depósitos e barcaças de cacau. A implantação das edificações segue a disposição característica do século XVII, quando a capela ficava em posição mais elevada em relação à casa-grande. Abaixo da capela, na base da colina, está o sobrado do engenho e os demais edifícios que compõem a fazenda.
A casa-grande é de relevante interesse arquitetônico, constituído de dois pavilhões em “L”. A parte mais antiga é recoberta por um telhado de quatro águas e possui vãos de verga reta. A parte mais nova, devido ao desnível do terreno, eleva-se sobre um porão alto, é recoberta por telhado de duas águas e possui vergas de em arco abatido. Uma varanda contínua contorna e articula os dois blocos.
Este edifício é um caso curioso de casa cujo desenvolvimento de algumas funções obrigou a anexação de novos pavilhões. Podem-se distinguir três blocos: a casa original, as dependências de serviço e o pavilhão social com salões e quartos para hóspedes. O edifício antigo possui estrutura autônoma de tijolos e madeira. As paredes são de adobe e pau-a-pique. O pavilhão novo apresenta uma caixa de muros auto-portantes de pedra (porão) e de tijolos (térreo) e uma fileira de pilares internos que sustentam o assoalho e a cobertura.
A capela possui partido centrado renascentista, embora tenha sido construída tardiamente, na segunda metade do século XVII. Dentre os exemplares do gênero existentes no país podemos citar a capela da Torre de Garcia D’Ávila do século XVI. São exemplos portugueses as capelas de S. Gregório (século XVI) em Tomar e da Madre de Deus, em Aveiro. Não se confunde, portanto, com as igrejas poligonais setecentistas portuguesas e brasileiras, especialmente mineiras, de influência barroca italiana. (IPAC)
Mosteiro de São Bento das Lajes (antiga Escola Agrícola.)
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Francisco do Conde
- Endereço: Distrito de São Bento das Lajes
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento Estadual - Decreto nº 28.398/1981
- Data do Tombamento: 10/11/1981
- Uso Original: Mosteiro e, posteriormente, Escola Agrícola.
- Uso atual: Sem uso
- Estado de conservação: Ruína
- Outras Informações:
Breve Histórico
A antiga edificação, hoje em ruína, é um documento na história da economia da região e da evolução agrícola do país. Foi fundada no segundo império, no antigo engenho das Lajes, propriedade dos Padres Beneditinos. A comunidade dispunha de casa própria em fins do século XVIII denominado “Mosteiro N. Sra. das Brotas” com três religiosos e um engenho, conforme mapa das terras do Mosteiro em 1797: O Engenho de Lajes. O Imperador prometeu 1859, erguer o Imperial Instituto Baiano de Agricultura. A construção só foi concluída 12 anos depois e inaugurada em 1877.
O edifício da Escola Agrícola é de meados do século XIX, tem importância arquitetônica, possuindo três pisos em torno de um pátio. As fachadas terminam em platibandas do início do início do século XX. A Escola possuía biblioteca, Museu de História Natural, gabinetes de ciência, laboratórios, e, foi uma das primeiras escolas agrícolas da América Latina. Trata-se de um dos melhores exemplares neoclássicos da Bahia, com fachadas modulares horizontalmente por pilastras, e. verticalmente por frisos que marcam os pisos. Três ordens de pilastras se superpõem, sendo as duas primeiras dóricas e a última, jônica, canelurada.
Uma característica rara do edifício é a incorporação de uma Capela mais antiga, do Engenho de São Bento das Lajes, do final do século XVII, que teve alguns dos seus elementos eliminados como as sacristias e escada externa, mantendo outros, como a Portada e Arco Cruzeiro com aduelas almofadadas. A construção é em paredes estruturais de alvenaria de tijolos, com exceção da Capela, que tem muros de pedra. Em sua última fase, o prédio era coberto por telhas francesas sobre tesouras de madeira.
A Escola Agrícola da Bahia fomentou um importante campo científico e foi pioneira na formação dos primeiros engenheiros da província, além de responsável por desses profissionais nesse campo de trabalho no país. Atravessando os tempos, as ruínas da Escola Agrícola no município de São Francisco do Conde ainda ocupam o imaginário e as memórias de antigos moradores da região, sendo importante até mesmo problematizar o próprio estado de deterioração no qual o prédio se encontra. (IPAC).
Sobrado e Fábrica do Engenho Cajaíba
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Francisco do Conde
- Endereço: Ilha de Cajaíba
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento Estadual - Decreto nº 9.214/2004
- Data do Tombamento: 05/11/2004
- Uso Original: Engenho de açúcar
- Uso atual: Sem uso
- Estado de conservação:
- Outras Informações:
Breve Histórico
O conjunto arquitetônico formado pelo Sobrado e Fábrica do Engenho Cajaíba fica situado na Ilha Cajaíba, localizado na foz do Rio Serigi, no município de São Francisco do Conde, Bahia. O antigo engenho foi construído na margem do canal que separa a ilha do continente, quase em frente à cidade de São Francisco do Conde, Recôncavo Baiano.
As edificações que compunham o engenho foram implantadas num platô definido pelo cais, que impede o avanço do mar. O acesso ao conjunto se faz através de uma escadaria circular que submerge parcialmente com a subida da maré. O sobrado fica situado à esquerda e ligeiramente recuado em relação à fábrica.
O conjunto formado pelo sobrado e pela fábrica do Engenho Cajaíba, tal como se apresenta atualmente, salvo algumas alterações, remonta ao início do século XIX. Esta sede da propriedade substituiu o primitivo engenho que teria sido erguido no século anterior, entre os anos de 1712 e 1715. Uma inscrição com a data de 1760 parece significar que tenha ocorrido, nesse ano, uma primeira restauração do imóvel.
No sobrado do engenho o 1º piso era reservado à habitação da família proprietária e à recepção dos convidados, enquanto no primeiro térreo ficavam as acomodações dos escravos domésticos, o escritório e os espaços destinados à atividade comercial do “senhor de engenho”, assim como o local de hospedagem dos viajantes. Trata-se de uma casa-grande de relevante interesse arquitetônico, com dois pavimentos, cujo corpo principal é recoberto por um telhado de quatro águas.
Possui partido em “U”, criando um pátio posterior, fechado por grades. Alguns detalhes, como o terraço existente no 1º pavimento, indicam influência neoclássica. As fachadas possuem terminação em cornija, à exceção da fachada posterior, em beira-seveira e os cantos são arrematados por cunhais interrompidos com bordas de cardeal, no limite do pavimento térreo.
O outro prédio, a fábrica, data, provavelmente, do início do século XIX e possui grande valor por se tratar de um dos raros remanescentes de antigas fábricas de engenho. Esse edifício trata-se de um galpão de 942 m², de planta trapezoidal e cobertura de duas águas. O telhado apoia-se nas paredes externas e duas fileiras internas de pilares. As paredes são auto-portantes, de alvenaria mista de pedra e tijolos. A arcaria da fachada principal é de alvenaria de tijolo.
Costrutivamente, a fábrica apresenta um elemento único em construções deste tipo do Recôncavo, a galeria de arcos sobre o cais. Este elemento foi utilizado, desde o início do século XVI, para elevar o pavimento nobre de sobrados e edifícios públicos, sendo visto também, em fábricas de engenho, na iconografia holandesa do nordeste brasileiro, mas não se tem referências de nenhum outro exemplo em edifícios fabris da Bahia.
Igreja a de Nossa Senhora do Monte
- Livro de Inscrição: Livro do Tombamento dos Bens Imóveis
- Território de Identidade: Metropolitano de Salvador
- Município: São Francisco do Conde
- Endereço: Vila do Monte
- Processo de origem:
- Proteção Legal: Tombamento Provisório – Processo nº 0607160022533/2016
- Data do Tombamento: 18/04/2017
- Uso Original: Religioso
- Uso atual: Religioso
- Estado de conservação: Bom
- Outras Informações:
Breve Histórico
O monumento está localizado no ponto mais alto do município de São Francisco do Conde, atingindo a cota de 180 metros acima do nível do mar, denominado Monte Recôncavo. Do mesmo se abre a vista para a Baía de Todos os Santos, diante da sua fachada principal, enquanto a fachada lateral serve de fundo à praça principal da Vila do Monte. A Igreja de Nossa Senhora do Monte apresenta características arquitetônicas referentes a exemplares do período de transição do século XVII para o século XVIII.
Edifício de grandes dimensões e de relevante interesse arquitetônico. Sua planta, que se inscreve em um retângulo, apresenta nave flanqueada de um lado por corredor e de outro por galeria aberta para o exterior, ambos recobertos por tribunas. A cobertura se desenvolve em vários planos com terminação em beira-seveira e cornija. Sua fachada está dividida em três corpos por pilastras. A parte central é uma empena que apresenta portada e duas janelas de coros com cercadura em arenito. Os corpos laterais são torres atarracadas que não ultrapassam o beiral da nave. O interior está despojado da ornamentação primitiva. Dos trabalhos em cantaria de arenito destacam-se: portada com tranças, três portas com vergas ricamente trabalhadas, embasamento do altar-mor, cunhais e conversadeiras.
A julgar por sua planta, fachada em empena, janelas das sacristias e tratamento dispensado às três portas laterais da nave, trata-se de um edifício da transição do século XVII para o seguinte. Sua planta com corredores ou galerias superpostas por tribunas surge em matrizes do final do século XVII. As portas laterais da nave com alizares de “orelha” e friso decorado por folhagens. A portada principal com sua verga em arco abatido recoberta por cimalha curva é da segunda metade do século XVIII, mas revive um tema decorativo do século anterior. As demais janelas de verga em arco abatido são do mesmo período.
A edificação possui paredes autoportantes em alvenaria de pedra, com utilização de tijolos em arcos e vergas. Há também a presença de um ossário atrás do altar-mor. Na Igreja atualmente encontram-se as imagens de Nossa Senhora do Monte, Sagrado Coração, São José, Nossa Senhora do Rosário, Santo Antônio, Senhora da Piedade e São Gonçalo. (IPAC)