Retrospectiva 2025: museus do IPAC encerram o ano com reconhecimento nacional, fortalecimento educativo e recorde de exposições

30/12/2025
Exposição Fatumbi no MAB
Foto: Fernando Barbosa/IPAC

Os equipamentos culturais do Governo da Bahia apresentaram mais de 40 mostras, além de atividades educativas, residências e ocupações artísticas

A um dia do fim do ano, a rede de museus administrados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) celebra um dos períodos mais expressivos de sua trajetória recente. Em 2025, os equipamentos culturais alcançaram reconhecimento nacional, ampliaram o acesso do público às artes e realizaram mais de 40 exposições, além de ações educativas, formativas e de valorização dos acervos.

O balanço positivo reflete os investimentos contínuos do Governo da Bahia no setor. Nos últimos dois anos, mais de R$ 32 milhões foram destinados aos museus do IPAC, assegurando a manutenção da programação cultural, a preservação dos acervos, melhorias estruturais e o fortalecimento institucional da rede museal. As ações reafirmaram a Bahia como referência no cenário cultural brasileiro, com iniciativas que aproximam os museus da sociedade e ampliam o acesso à cultura.

O reconhecimento público confirma a relevância desse trabalho. Em 2025, a revista pernambucana Continente, especializada em arte e cultura, destacou o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) entre os cinco melhores do Brasil. Na mesma publicação, a exposição “Okòtò: Espiral de Evolução”, da artista Goya Lopes, exibida no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), foi eleita a segunda melhor mostra do ano. Esses destaques reforçam a consistência curatorial da rede museal e a força da produção cultural baiana.

Exposição Okotô de Goya Lopes
Exposição Okotô: Espiral de Evolução, de Goya Lopes, foi considerada a segunda melhor do ano em todo o país. Foto: Naiade Bianchi/MAM

Museu de Arte da Bahia 

Em 2025, o Museu de Arte da Bahia (MAB) consolidou-se como um dos principais espaços de preservação e difusão artística do estado. Ao completar 107 anos de existência, o primeiro museu da Bahia promoveu uma programação intensa, reunindo exposições de grande alcance, ações educativas e atividades culturais que ampliaram o diálogo com diferentes públicos. Recebendo mais de 90 mil visitantes ao longo do ano, o MAB consolidou-se como referência no cenário artístico local.

A agenda expositiva criou pontes entre tradição e contemporaneidade, como em “Tradição e Invenção”, que revisitou a memória artística baiana sob novas leituras. Também integraram a programação mostras como “Enquanto Existe Azul”, de Carlos Barral; “Naturezas Insistentes”, de Josilton Tom; e “Vitória, um corredor de histórias”, dedicada ao simbolismo cultural do Corredor da Vitória. Destaque ainda para “Bancos Indígenas”, exposição que reuniu cerca de cem bancos cerimoniais e chamou a atenção do público pelo valor estético e ritual das peças.

Exposição Tradição e Invenção no MAB
Mostra "Tradição e Invenção" revista acervo do MAB, a partir de um novo conceito expográfico. Foto: Thales Albieri/MAB

Paralelamente às exposições, o MAB manteve uma agenda consistente de atividades formativas e culturais, com oficinas de cerâmica, aulas abertas, clube de leitura LGBTQIAPN+, concertos de percussão, encontros musicais em parceria com a Escola de Música da UFBA e apresentações cênicas, entre elas o espetáculo “Do Outro Lado do Mar” e montagens dedicadas ao universo de Dorival Caymmi. O resultado foi um ano marcado pela integração entre acervo, educação e produção contemporânea, ampliando o diálogo do museu com diferentes públicos.

Museu de Arte Moderna da Bahia 

Com mais de 220 mil visitantes em 2025, o Museu de Arte Moderna da Bahia viveu, em 2025, um ano de intensa aproximação com o público e de grande visibilidade nacional, sendo o museu mais visitado da capital baiana. Em janeiro, o MAM celebrou seus 65 anos de história, reafirmando-se como espaço de arte, convivência e formação cultural.

Entre os destaques do ano esteve a exposição “Okòtò: Espiral de Evolução”, de Goya Lopes, reconhecida nacionalmente como uma das melhores mostras de 2025. A programação também incluiu exposições como “Alafiou”, de Alberto Pitta, “Orixás”, de Josafá Neves, “Smetak – Espaço Rubem Valentim”, e a coletiva “Mostra Xiló_Lab: Mulheres que Gravam Histórias”, além de projetos coletivos e da 7ª edição do Deu Insight: Infâncias, fortalecendo o diálogo do museu com temas como memória, identidade, ancestralidade e infância.

O MAM-BA seguiu investindo na dimensão educativa que marca sua trajetória há mais de quatro décadas, com visitas mediadas e oficinas em diversas linguagens, desenho, xilogravura, cartum, pintura e dança afro, voltadas principalmente para crianças e adolescentes. Atividades ligadas ao bem-estar, como Yoga no MAM e Yoga para Elas, ajudaram a consolidar o espaço como um lugar de cuidado, encontro e troca. O Cine MAM manteve a agenda de sessões e debates, ampliando o acesso do público ao audiovisual.

Um dos momentos mais marcantes do ano foi a oficialização do nome Praça Maestro Letieres dos Santos Leite para a área externa do museu, durante cerimônia realizada em 10 de agosto, em homenagem ao músico e educador baiano. O espaço recebeu apresentações de artistas como Luiz Caldas, Rachel Reis, Maria Gadú, Illy, Jorge Aragão, Diogo Nogueira e Marina Sena, além do tradicional Jam no MAM, com a banda Geleia Solar, reforçando o caráter plural e pulsante do MAM-BA.

Museu de Arte Contemporânea da Bahia

O Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia) encerrou 2025 consolidado como um dos espaços culturais mais dinâmicos do país, reunindo arte, educação e propostas expositivas que ampliaram os vínculos entre o público e a produção contemporânea. Com aproximadamente 120 mil visitações ao longo do ano, o museu manteve uma programação diversa e inovadora, que dialogou com múltiplas linguagens e perspectivas.

Entre as exposições inauguradas estiveram “Mar Caymmi”, de Guilherme Almeida, que investigou a relação entre o mar e a vida litorânea baiana, e “Afetos Itaparicanos”, organizada pelo Instituto Sacatar, reunindo obras de artistas que realizaram residência na Ilha de Itaparica. No segundo semestre, o MAC_Bahia recebeu “Hálito e Fumaça”, primeira individual do artista Cipriano, concebida como uma instalação imersiva que entrelaça corpo, palavra e ancestralidade. Também estiveram em cartaz núcleos como “Corpo-Cidadão”, com trabalhos que refletem sobre o corpo como sujeito social e político, e “Tudo que Gira”, individual de Caetano Dias, apresentando mais de duas décadas de produção em múltiplos suportes.

Um dos momentos mais marcantes do ano foi a Virada MAC_Bahia, que celebrou os dois anos do museu com mais de 30 horas de programação ininterrupta. Performances, oficinas, videomapping, cinema, visitas guiadas noturnas e apresentações musicais atraíram um público diverso e reforçaram o papel do museu como espaço de encontro, de experimentação e de acesso democrático à arte contemporânea. 

O MAC_Bahia encerra 2025 sediando a exposição A Olho Nu, a maior retrospectiva do prestigiado artista brasileiro Vik Muniz, que permanece em cartaz até 29 de março de 2026. Com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, A Olho Nu reúne trabalhos fundamentais de diferentes fases da trajetória de Vik Muniz, reconhecido internacionalmente por sua capacidade de transformar materiais cotidianos em imagens de forte impacto visual e simbólico. 

Exposição A Olho Nu de Vik Muniz
Exposição A Olho Nu de Vik Muniz em cartaz no MAC_Bahia até março de 2026. Foto: Ytalo Barreto.

Parque Histórico Castro Alves (PHCA)

No Parque Histórico Castro Alves (PHCA), além do Acervo PHCA, o museu recebeu importantes exposições ao longo de 2025, como “Nossas Curvas Não se Curvam”, que destacou o empoderamento da mulher negra e gorda e sua luta contra preconceitos, e “Uma Casa Sertaneja”, que reuniu elementos do cotidiano rural e documentos que retratam a cultura sertaneja e as tradições do Recôncavo. O PHCA também abrigou a I Mostra Paraguaçu – Recôncavo Antirracista, que promoveu oficinas e debates sobre educação patrimonial antirracista, protagonismo negro e expressões culturais locais.

Ao longo do ano, o parque promoveu diversas atividades culturais e educativas, como a Oficina de Arte de Fotografia com Celular, o 9º Festival de Declamação de Poemas de Antônio Castro Alves, contação de histórias, oficina de tranças, o 3º Encontro de Mulheres e Meninas Negras Julho das Pretas, oficina de teatro e a Conferência Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário.

Um dos destaques da programação foi a 4ª edição da FLIPAR – Festa Literária de Cabaceiras do Paraguaçu, realizada de 21 a 23 de agosto. O evento se consolidou como um dos principais do Recôncavo ao celebrar a literatura de cordel sob o tema “Um Mundo Chamado Cordel”, reunindo bate-papos literários, lançamentos de livros e cordéis, mostra estudantil, oficinas e apresentações culturais gratuitas. A FLIPAR ainda homenageou o cordelista Pedro Braz e contou com programação diversa que atraiu milhares de participantes, incluindo oficinas de xilogravura, atrações musicais e o espaço FLIPAR +, voltado ao público com mais de 50 anos.

O PHCA bateu recorde de visitação em 2025 com 44 mil visitantes, reforçando sua importância como polo cultural e de memória no Recôncavo Baiano.

Temporada Brasil França 2025

Também em 2025, a Bahia integrou uma das mais importantes iniciativas de intercâmbio cultural do ano, com uma programação especial que aproximou artistas, instituições e públicos do Brasil e da França. Em Salvador, três museus administrados pelo IPAC foram palco de exposições inéditas e de grande repercussão, reforçando o papel do Estado como um polo cultural conectado a debates contemporâneos, à memória e às artes visuais.

No MAM, a programação foi inaugurada com a exposição “O Avesso do Tempo”, do artista franco-beninense Roméo Mivekannin. A mostra revisitou a tradição da pintura ocidental inserindo a presença negra nos retratos históricos, questionando narrativas coloniais e abrindo espaço para leituras críticas sobre identidade, poder e representação. O diálogo entre passado e presente atraiu a atenção do público e consolidou a exposição como um dos destaques do ano no Museu.

Expo O Avesso do Tempo no MAM
Exposição "O Avesso do Tempo", de Roméo Mivekannin abriu a Temporada França-Brasil na Bahia. Foto: Fernando Barbosa/IPAC

Com curadoria de Annabelle Ténèze, diretora do museu Louvre-Lens, onde a exposição foi produzida e apresentada, pela primeira vez, a mostra O Avesso do Tempo resultou de uma ação colaborativa entre o Louvre-Lens, o Instituto Francês, a Galeria Cecile Fakhoury, em Toulouse, o Consulado Geral da França em Recife, a SecultBA, o Ipac e o MAM – Bahia.

O MAB recebeu a exposição “Fatumbi”, dedicada ao legado de Pierre Verger. Em cartaz, 110 fotografias do etnógrafo e fotógrafo francês foram apresentadas ao lado de 16 obras contemporâneas de Emo de Medeiros, desenvolvidas a partir de tecnologias digitais e inteligência artificial. A mostra também reuniu documentos e objetos ligados à trajetória de Verger, permitindo ao público revisitar sua relação com a Bahia, com a cultura afro-atlântica e com as religiões de matriz africana. O diálogo entre acervo histórico e criação contemporânea gerou novas interpretações sobre ancestralidade, memória e circulação cultural entre Brasil e África.

A exposição foi realizada pela Fundação Pierre Verger em parceria com o MAB, com apoio financeiro da Embaixada da França no Brasil e apoio institucional do Instituto Çaré e Corrupio Vídeo.

Já o MAC_Bahia apresentou uma seleção de videoartes dos Fundos Regionais de Arte Contemporânea (Frac) da França, reunidos na exposição “Coleção_FRAC no MAC_Bahia”. As obras abordaram temas como migração, deslocamento, diversidade e os atravessamentos sociais do mundo contemporâneo, ampliando o contato do público baiano com linguagens audiovisuais experimentais e com produções que circulam nos principais circuitos internacionais de arte.

A mostra foi fruto de parceria com FracBretagne e FracCorsica em nome da Platform, rede nacional de Fundos Regionais de Arte Contemporânea, com obras das coleções do FracBretagne, FrancheComté, Île-de-France, Normandie, Nouvelle Aquitaine MECA, Occitanie Toulouse-LesAbattoirs, Rhône-Alpes-IAC e Sud.

Em 2025, os museus administrados pelo IPAC se destacaram pelo alcance de suas exposições, pela diversidade de eventos e pela aproximação com o público. Com atividades que vão da arte contemporânea à preservação da memória, o ano mostrou a força da cultura baiana e o papel dos museus como espaços de aprendizado, troca e experiência artística. Em 2026, novas exposições, projetos educativos e eventos especiais prometem manter o público envolvido e celebrar ainda mais a riqueza cultural da Bahia.

 

Alexa Santa Rosa/ Ascom IPAC