Centro de Documentação e Memória do Recôncavo é inaugurado no Museu Wanderley Pinho

15/05/2026
Fachada do Museu Wanderley Pinho na inauguração do Centro de Documentação e Memória
Fernando Barbosa/IPAC

Iniciativa do IPAC e da Fundação Pedro Calmon fortalece a preservação das narrativas históricas, culturais e sociais do território

O Recôncavo Baiano passou a contar com um novo espaço voltado à preservação, pesquisa e difusão das memórias e saberes do território. Instalado no Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, na Enseada do Caboto, em Candeias, o Centro de Documentação e Memória do Recôncavo foi inaugurado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), em parceria com a Fundação Pedro Calmon (FPC), unidades vinculadas à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), na tarde desta quinta-feira (14).

A escolha da data buscou reforçar o simbolismo do período posterior ao 13 de maio, estimulando reflexões sobre os limites da abolição formal da escravidão e a importância da preservação das histórias, experiências e contribuições da população negra para a formação do país.

Durante a cerimônia, o diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, destacou a relação entre memória, patrimônio e pertencimento. “É um dia emblemático para o povo preto, que nos faz refletir sobre o nosso lugar na sociedade, em sintonia com o novo conceito do museu, que passa a recontar a história a partir das narrativas africanas e indígenas. O Centro é uma semente plantada agora para ser fortalecida ao longo do tempo, atraindo pesquisadores, parcerias e novas produções de conhecimento”, afirmou. “Patrimônio, história e memória caminham juntos”, completou.

Centro de Documentação e Memória do Recôncavo
O Centro de Documentação e Memória reúne documentos, fotografias, livros e outros objetos no Museu do Recôncavo. Foto: Fernando Barbosa/IPAC.

A inauguração integrou uma programação especial voltada à valorização das narrativas negras, populares e das memórias coletivas do território. Autoridades e representantes das instituições parceiras ressaltaram a importância do novo espaço para a salvaguarda documental e o fortalecimento das políticas públicas de memória na Bahia.

Segundo o diretor do Arquivo Público do Estado da Bahia, Jorge Vieira, a iniciativa representa um compromisso do Governo do Bahia com políticas afirmativas e de valorização da ancestralidade. “Este Centro resulta do compromisso do Governo do Estado com políticas públicas que valorizam a memória dos nossos ancestrais e só está sendo possível porque temos representatividade”, afirmou, lembrando que a criação do espaço foi um compromisso assumido pelo governador Jerônimo Rodrigues.

Memória e pesquisa

Centro de Documentação e Memória do Recôncavo
Foto: Fernando Barbosa/IPAC

Desenvolvido com contribuição técnica do Centro de Memória da Bahia, vinculado à FPC, o Centro de Documentação e Memória do Recôncavo reúne cartas, fotografias, livros, atas, jornais e arquivos digitais relacionados às práticas sociais, culturais e históricas do território e do próprio museu. A proposta é consolidar o equipamento como referência para pesquisa, formação e preservação das narrativas do Recôncavo Baiano.

Durante o processo de organização do acervo, foram encontrados panfletos datilografados e ilustrados sobre a história do Museu do Recôncavo. As peças foram emolduradas e incorporadas à exposição permanente do espaço.

Entre os itens disponíveis no Centro de Memória está a obra O Tupi na Geografia Nacional, publicada em 1955 por Theodoro Sampaio, engenheiro, geógrafo, historiador e escritor nascido no Engenho Canabrava, no atual município de Teodoro Sampaio, então distrito de Santo Amaro.

“Catalogamos cada item para garantir a preservação e o acesso fácil ao acervo, que foca principalmente na museologia, história, além de ciências sociais, livros de arte e publicações como os Cadernos do IPAC sobre os patrimônios imateriais da Bahia”, explicou a bibliotecária Suzana Ferreira, do Centro de Documentação da Diretoria de Museus (Dimus) do IPAC, responsável pela organização do espaço

Exposições

Exposição Comida de Santo
Exposição do fotógrafo André Fernandes ocupa a cozinha do Museu com fotografias de comidas de orixá. Foto: Fernando Barbosa/IPAC

Como parte da programação de abertura, foram inauguradas duas exposições alinhadas aos eixos de memória, identidade e patrimônio. A mostra Fragmentos da Memória, do Arquivo Público do Estado da Bahia, reúne 40 retratos produzidos com uso de Inteligência Artificial a partir de documentos históricos, como cartas de alforria, registros de compra e venda e títulos de residência de africanos libertos.

Já a exposição OUNJE ORISÁ – Comida de Orixá, do artista André Fernandes, instalada na cozinha do museu, apresenta registros fotográficos sobre os sentidos simbólicos, rituais e culturais da alimentação nas religiões de matriz africana.

Reconvexo do Recôncavo

A programação foi iniciada com a apresentação dos resultados do projeto educativo Reconvexo do Recôncavo – tecendo redes para expansão de novos olhares sobre a história, desenvolvido pelo Instituto IDES e contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), executados pelo Governo da Bahia, via SecultBA.

A iniciativa reuniu experiências de mediação cultural e práticas formativas com públicos do museu e comunidades de 12 municípios do Recôncavo, fortalecendo os vínculos entre patrimônio, educação e território. Como resultado, foram produzidos documentários sobre manifestações culturais dos municípios participantes, que passarão a integrar a programação audiovisual do Museu do Recôncavo.

A inauguração do Centro de Documentação e Memória do Recôncavo integra o conjunto de ações de reativação e fortalecimento do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, consolidando o equipamento como espaço de valorização da diversidade cultural, das memórias coletivas e das experiências sociais do Recôncavo Baiano.

 

Ascom IPAC