Projeto Forte de Monte Serrat

27/09/2011
Até esta sexta-feira, dia 30 (setembro, 2011), será entregue ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), após seis meses de elaboração, o Projeto Arquitetônico de Restauração do Forte de Monte Serrat. O monumento está localizado às margens da Baía de Todos os Santos, na península de Itapagipe, em Salvador, e é originário do período entre o final do século 16 e início do século 17.

Com investimento de R$ 100 mil do Fundo de Cultura do Estado, o projeto foi realizado graças aos Editais da Secretaria de Cultura (Secult) que atendem também a área de patrimônio cultural edificado. A fortaleza é de propriedade do exército brasileiro, sendo tombada como Monumento Nacional desde 1957 pelo Ministério da Cultura (MinC).

Estimada em cerca de R$ 3,5 milhões a execução das obras só deve acontecer após a obtenção desses recursos que podem ser captados pelo proprietário do antigo prédio ou pelo órgão federal que tombou o imóvel desde 1957, no caso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao MinC.

Antes, o projeto será analisado ainda pela diretoria de Obras e Restauro (Dipro) do IPAC, depois pelo Iphan, para aprovação final, e finamente entregue ao proprietário que é o Ministério do Exército. Com o projeto arquitetônico finalizado será mais fácil ser aprovado em linhas de financiamento estaduais, federais e até internacionais.

"Os editais do IPAC contemplam projetos da sociedade civil para a preservação de bens culturais baianos reconhecidos oficialmente pelo Estado ou União", explica o diretor geral do Instituto, Frederico Mendonça. Segundo o dirigente, de 2008 a 2010 o IPAC já investiu mais de R$ 2 milhões em editais, beneficiando dezenas de municípios baianos. "Já estão sendo executados, ao todo, 72 projetos", ressalta Mendonça. Educação patrimonial, realização de inventários, registros de bens culturais, difusão e dinamização de patrimônios, são algumas das categorias contempladas.

O forte faz parte da 1ª linha de defesa avançada da cidade de Salvador, juntamente com os fortes de Santo Antônio da Barra, conhecido como Farol da Barra, e o de Santo Alberto. Construído entre 1590 e 1610, e localizado igualmente na Cidade Baixa, entre as atuais avenidas Frederico Pontes e Jequitaia, o Santo Alberto é conhecido como forte da largatixa e bordejava a enseada de Água de Meninos, antes do aterramento dessa região.

O Forte de Monte Serrat é mantido pelo Exército como espaço aberto à visitação. Contudo, seu estado de conservação ainda é precário e por isso motivou o projeto de restauração. Para o engenheiro responsável pelo projeto, Ernesto Carvalho, as possíveis intervenções ajudarão a consolidar lesões e fissuras da estrutura e áreas de entorno.

"Será de extrema importância saber que a Bahia poderá contar com mais um monumento dessa importância", diz Carvalho. Ele explica que o projeto foi pensado para a revitalização da fortaleza, sem deixar de respeitar as características arquitetônicas singulares em estilo barroco do imóvel tombado. "Uma das ideias seria criar um museu do Exército no local", finaliza o autor da proposta.

Informações sobre o projeto do forte, são obtidas com o engenheiro Ernesto Carvalho pelo telefone 3363.4388. Sobre os Editais do IPAC, com a Coordenação via telefone 3117.7482, durante horário comercial.

Box Opcional: Monte Serrat - Apesar da boa condição da implantação de Salvador por Tomé de Sousa em 1549, a cidade não poderia prescindir do auxílio de defesas avançadas. E, dentro desta ótica, que sucedeu a implantação do Forte, originalmente conhecido como fortaleza de S. Filipe ou Fortim de São Felipe (ou São Philippi). Sua denominação atual – Forte de Monte Serrat, teria sido usada oficialmente ainda no começo do Século 19, em função do local de implantação, na ponta de Monte Serrat.

Sua origem também é razão de controvérsias, que configuram duas correntes: a primeira define sua origem entre os anos de 1583 a 1587, ainda no governo de Manuel Teles Barreto (1582-1587); e a segunda situa sua criação no Governo de Francisco de Sousa, em seu primeiro mandato (1592-1602), quando seu poder ofensivo foi ampliado, num período de reformulação geral das defesas da cidade.

Dessa discussão pode-se extrair uma série de deduções, uma delas de que o forte em questão tenha sido edificado, de forma provisória, no governo de Teles Barreto e, posteriormente, na sua forma definitiva e permanente, no governo de Francisco de Sousa, e aí poderia associar-se já com a traça de Baccio de Philicaia, seu provável autor. Independentemente das contestações, pode-se observar que o Forte de Monte Serrat já é documentado na planta "Bahia de Todos os Santos", com planos do Forte de Santiago, Forte de Santo Alberto, Forte de S. Phillipe e Forte de Santo Antônio, de autoria de Teixeira Albernaz, em 1624, na sua forma inicial, pouco ou quase nada alterada da sua forma atual. Esse fato basta-nos como reconhecimento da importância desse forte e ponto de partida para este estudo físico e visual.

O Forte já incorporava, em sua origem, as inovações modernas típicas da escola renascentista, na medida em que possuía muros mais baixos e em forma de talude. Além disso, possuía torreões de tiro com seteiras e pontos de artilharia pesada, e não mais elementos típicos da arquitetura militar medieval, considerada defasada para a época. A fortaleza ainda é citada por uma série de cronistas e viajantes em várias épocas, de Gabriel Soares, no século 16, Diogo de Campos Moreno, século 17 Antonio Caldas, em Notícia Geral de Toda essa capitania da Bahia desde o seu descobrimento até o presente ano de 1759, Luís dos Santos Vilhena ainda no final do Século 18, o viajante inglês, Thomas Lindley, em 1802.

As batalhas a despeito do fato de que a maioria dos fortes construídos na Bahia nunca ter participado de uma contenda, ele se destaca como uma das exceções, juntamente com o Forte de Santo Antonio da Barra, como a 1624: A Invasão Holandesa, 1638: a segunda tentativa de invasão dos holandeses, Participação na Sabinada e na própria Questão Christie entre os anos de 1862 a 1865. O Forte de Monte Serrat é uma das fortificações mais antigas do Brasil e, certamente a única remanescente no seu formato original do final do século XVI quando é construído no local. Ainda é considerado, por muitos especialistas uma das mais belas construções coloniais do Brasil e tem participado de toda a história da cidade e se envolveu em diversas batalhas, como a de resistência a da Invasão holandesa de 1624 e 1638.

 

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