Pinturas originais do século XVIII são redescobertas na Chapada

05/09/2012
Pinturas originais do século XVIII de dois altares da igreja matriz de Bom Jesus de Piatã, cidade da Chapada Diamantina localizada a 572 km de Salvador, foram redescobertas por restauradores do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), autarquia da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

“São duas peças entalhadas em madeira umburana, com 17 m², sendo 6,5 cm de altura por 2,65 cm de largura, que têm mérito excepcional pela originalidade”, explica a coordenadora de Restauro de Elementos Artísticos (Cores) do IPAC, Milena Tavares. Segundo ela, o atual desenho na talha em madeira foi pintado grotescamente, mas a pintura original se revelou graças ao trabalho criterioso da equipe de restauro do IPAC.

Os trabalhos em Piatã começaram em abril e devem ser finalizados até o final deste ano (2012). “Ao retirarmos o altar de madeira, descobrimos que existia outro altar por trás, em alvenaria e com decoração em alto relevo”, conta Tavares. Na prospecção, os restauradores Bruno Visco e João Magalhães descobriram ainda a pintura original com vestígios de douramento, que recebeu várias pinturas ao longo dos anos, recobrindo a criação original. Os técnicos do IPAC fazem agora a remoção das repinturas, emassamento, reposição de partes faltantes e imunização.

A igreja de Piatã está sob tombamento provisório pelo Estado e por isso a atuação do IPAC/Secult em parceria com a Paróquia local. “O IPAC disponibiliza mão-de-obra especializada, material artístico, equipamentos de segurança e formação de ateliê, enquanto a Paróquia cedeu madeiras e logística local”, comenta a coordenadora do IPAC.

BARROCO POPULAR - Segundo a subgerente de Restauro, Káthia Berbert, os altares têm características em estilo ‘barroco popular’, bem raro no Brasil. “Os elementos são diferentes dos existentes nas igrejas barrocas do país, a exemplo da Igreja do São Francisco, que tem barroco monumental”, diz Berbert.

A igreja de Piatã tem seus querubins, anjos, atlantes (figuras masculinas) e cariátides (femininas) com fisionomia nordestina, representando a população local. “Encontramos ainda, na ornamentação, aves e frutas típicas da região”, alerta a restauradora. Até agora não se sabe do autor dos altares, mas técnicos do IPAC descobriram assinatura de um vigário José de Souza Batista. “Isso vai ser motivo de investigação posterior”, garante Káthia Berbert.

Ainda na Chapada, o IPAC desenvolve com o Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia o Projeto ‘Circuitos Arqueológicos’ que promove a criação de roteiros para o desenvolvimento sustentável da região a partir dos patrimônios materiais e imateriais, como imóveis seculares e tombados, bens ambientais e paisagísticos, e sítios de pinturas rupestres. Na região o IPAC tombou o Instituto Ponte Nova, o Grace Memorial Hospital e a Igreja Presbiteriana da cidade de Wagner, o centro histórico de Iraporanga e registrou como patrimônio intangível o Ofício dos Vaqueiros.

HISTÓRIA - A igreja matriz de Piatã é originária do século XVIII (1730). O desenho da edificação com paredes e portais em pedras lavradas é originário do século XVII. O tipo de fachada foi introduzido no país pelos jesuítas nos primeiros anos de colonização. Os altares laterais, sob arcos, são heranças da tradição jesuítica luso-brasileira de capelas laterais à nave.

Já a cidade está encravada num planalto, entre vales formados pelas serras da Tromba e de Santana. Piatã é o mais antigo povoado da Chapada, conhecida anteriormente sob nome de Bom Jesus de Limões, a partir do expansionismo minerador do século XVII, no caminho aberto por Pedro Barbosa Leal em 1725 e que ligava Rio de Contas a Jacobina. Outras informações sobre os trabalhos de restauração em Piatã são disponibilizadas pela Cores/IPAC, via telefone (71) 3117-6387 e endereço eletrônico cores.ipac@ipac.ba.gov.br.

 

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CRONOLOGIA

1726 - João de M. Barros faz, nesse ano, doação do terreno para o patrimônio da capela (1).

1730 - Segundo documento de 1888, o povoado se formou por essa época, em função da abundância de ouro de suas minas. Por esse tempo, construiu-se a Capela do Bom Jesus (2).

1793 - É feito o "Compromisso da Irmandade do Senhor Bom Jesus Menino, erecta na capella do mesmo Senhor nas Minas do Rio das Contas, pertencente na era de 1731 à Freguesia de Santo Antônio do Urubu e mais tarde à SS. Sacramento das Minas do Rio de Contas" (3).

1842 - Em 25/V, a Lei nº 169 erigiu em matriz a Capela do Bom Jesus, conjuntamente com as de N. Sra. de Maracás e S. Sebastião do Sincorá. A lei determinava que os habitantes ficavam obrigados a construir as respectivas igrejas e dotá-las com as alfaias necessárias (4). Em 4/XII foi feita a reforma do Compromisso da Irmandade do Bom Jesus, sendo a igreja transformada em Matriz e cedida ao bispado (5). Nessa época devem ter sido feitas obras no edifício. O salão, que superpõe esta sacristia, com beiral beira-seveira, parece datar dessa época, enquanto o corpo simétrico é do final do século.

 

Fotos em ALTA DEFINIÇÃO: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157631324413828/

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