30/05/2011
Casarão de 1894 construído pelo Barão de Jeremoabo, em terras que pertenceu à famosa Casa da Torre e foi uma das sedes da luta da independência do Brasil no litoral norte da Bahia, em Itapicuru a 227 km de Salvador, é recuperado graças aos Editais do IPAC
O sobrado da Fazenda Camuciatá do Barão de Jeremoabo, localizado a cerca de9,4 kmda sede do município de Itapicuru, no litoral norte da Bahia, e tombado em 1994 pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), está sendo restaurado. A iniciativa acontece graças aos editais do IPAC que auxiliam a política pública da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) na preservação dos patrimônios culturais baianos.
Segundo o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, os editais possibilitam a participação efetiva da sociedade civil nas políticas culturais. “Um dos objetivos dos editais é apoiar projetos de restauração de bens edificados já tombados e reconhecidos pela sua importância e singularidade, como é o caso da Casa de Engenho do Barão de Jeremoabo”, diz Mendonça. Para o dirigente estadual, os editais garantem ferramentas transparentes e democráticas para a distribuição de recursos públicos. “De2009 a2011 o IPAC já está executando 73 projetos, reunindo R$ 2 milhões de investimentos do Fundo de Cultura da Bahia em editais no período 2008-2010”, comenta Mendonça.
A obra está sendo realizada por R$ 499,9 mil e terá duração de até seis meses, com objetivo de conter a degradação física do monumento. “Pretendo transformar esse prédioem um Museudo Nordeste”, diz o representante do descendente do Barão de Jeremoabo, atual proprietário do casarão Álvaro Dantas Júnior. “É grande a satisfação de saber que a Bahia pode contar com mais um monumento dessa importância”, comemora Dantas.
O casarão foi construído entre 1888 e 1894 por Cícero Dantas Martins, Barão de Jeremoabo, deputado do império, senador estadual e também um dos responsáveis pela edificação do Engenho Central do Bom Jardim,em Santo Amaro.“Após as obras e a implantação do museu pretendo abrir o edifício ao público para visitação do sítio histórico, promovendo acesso à cultura, fortalecendo a cidadania e divulgando a história regional e do estado da Bahia”, finaliza Álvaro Dantas.
O imóvel com elevado valor arquitetônico em estilo neoclássico detém precioso acervo museológico composto de mobiliário antigo, arte sacra, pratarias, quadros, objetos de arte decorativa, documentos e indumentárias, datados dos séculos 18 e 19. O prédio, projetado pelo engenheiro baiano José Ramos, lembra uma pequena vila toscana com hall central e planta simétrica. No andar superior estão salas, quartos e capela com imagens barrocas e, no inferior, sala de jantar, quartos, cozinha e escadaem jacarandá. Móveisantigos, cristais, lustres, retratos a óleo, jarras, bacias e utensílios de louça portuguesa completam o acervo, além de livros em francês e português, cartas, mapas e selos.
HISTÓRICO opcional - Em 15 de outubro de 1754, O Engenho Camuciatá, propriedade que pertencia à família da Casa da Torre – do castelo Garcia D’Ávila em Praia do Forte – foi vendida ao português Baltazar dos Reis Porto. Um dos proprietários seguintes, o capitão-mor João d’Antas, teve participação na Independência da Bahia (1823), fazendo do local quartel que recebeu o general Labatut e organizou batalhão de 500 homens para aclamar D. Pedro I, imperador do Brasil, em Cachoeira. A ideia do atual proprietário é implantar o Museu do Nordeste envolvendo esferas públicas e privadas, ativando áreas do turismo, educação, meio ambiente, saúde, segurança, cultura e entretenimento. Para Helio Fernandes, produtor do projeto, a intenção é ainda ter um espaço para o lazer, a cultura e ações educativas, impulsionando, enriquecendo e desenvolvendo a cultura da região com eventos, cursos, palestras e exposições. ITAPICURU é um nome tupi que significa “laje carouçuda” em função de rochas da região. Antigo povoamento indígena, habitada por Kariris, Payayás e Tupinambás, o local teve seus primeiros habitantes europeus nos séculos 16 e 17 com os desbravadores portugueses e a distribuição das sesmarias. A missão franciscana é de 1636, denominada Saúde ou de Santo Antonio, quando foi erigida pequena capela em 1698, com nome de Nossa Senhora de Nazaré do Itapicuru de Cima. É considerado um dos municípios mais antigos da Bahia e surgiu a partir de 1728. Em 1876 foi visitado por Antônio Conselheiro e seus seguidores.
FOTOS no link: http://www.flickr.com/photos/secultba/sets/72157626841308438/
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