Depois de 20 anos na rua, cabeleireiro vence edital e recebe casa para trabalhar no Pelô

21/01/2011
Mesmo tendo celebridades brasileiras e estrangeiras como clientes, como o cantor espanhol Enrique Iglesias, o compositor mineiro Milton Nascimento, os atores globais Lázaro Ramos, Murílio Benício e Danielle Winits, o cantor Netinho e dezenas de outros, o cabeleireiro Oliver Pereira, mais conhecido como Oliver Black, sempre trabalhou nas ruas. Por não encontrar apoio de órgãos públicos, ao longo de 20 anos, ele foi obrigado a atender os seus clientes nas ruas do Pelourinho, em Salvador, área considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Com cadeira e mesa nas calçadas Oliver mostrava seu talento à céu aberto, fizesse chuva ou sol. “Mesmo atendendo na rua fiquei no Pelourinho porque é aqui que tudo acontece”, explica. Oliver já circulou como maquiador e cabeleireiro em camarotes de carnaval, eventos locais, nacionais e até internacionais, mas nunca conseguiu espaço para trabalhar dignamente no centro histórico da sua cidade.

A situação de Oliver mudou graças à política de ocupação de imóveis que o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) da secretaria estadual de Cultura (SecultBA) inicia na área desde 2010. São editais públicos abertos a qualquer interessado que apresente projeto com atividades comerciais, artísticas ou culturais, objetivando dinamização da região e valorização do patrimônio cultural. “Os editais garantem processo mais democrático, legalizado e transparente, evitando escolhas pessoais para imóveis que são propriedade do poder público”, alerta o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça.

O diretor do IPAC conta que já foram disponibilizadas casas nas ruas João de Deus, Laranjeiras e Frei Vicente. “Os vencedores dos editais passam a ser responsáveis pela manutenção dos espaços por dois anos, renovável por mais dois anos, pagando remuneração mensal ao IPAC, mas sempre abaixo do valor praticado na área”, comenta Mendonça. Os valores cobrados pelo IPAC são considerados de ‘locação social’ já que o órgão pratica sempre 60% abaixo do valor de mercado.

Estima-se que o Centro Histórico de Salvador (CHS) – área tombada pelo governo federal e com edificações dos séculos 17, 18, 19 e 20 – detenha cerca de três mil imóveis. Após as desapropriações das gestões estaduais na década de 1980 e 1990, o IPAC ficou responsável por cerca de 237 imóveis, ou seja, 7,8% do total imobiliário dessa área. Já os proprietários dos outros 92% dos imóveis do CHS são a Igreja Católica Romana, Santa Casa de Misericórdia e irmandades religiosas católicas.

“O sentimento agora é de vitória”, garante Oliver, que sempre quis permanecer no Pelourinho, mas nunca obteve espaço para trabalhar. O salão se chama Ministério da Beleza e ocupa imóvel na Rua Frei Vicente. “Mais três profissionais trabalham no local comigo, trançadeira, manicure e outra cabeleireira”, diz Oliver. “Agora além de cortar, vou poder tingir, hidratar e alisar”, complementa o cabeleireiro.

Outros profissionais, organizações não-governamentais e artistas também participam dos editais do IPAC. “Estou feliz e o edital prova que as escolhas para ocupar casas podem ser mais transparentes”, garante a artista plástica Bárbara Tércia que está com projeto educativo e cultural a ser inaugurado até segunda-feira, dia 24 (janeiro, 2011). Outras informações sobre ocupação de imóveis do IPAC no Pelourinho são disponibilizadas pela Comissão Permanente de Licitação (Copel/IPAC) através do telefone 3117-6484 ou endereço eletrônico cpl.ipac@ipac.ba.gov.br.

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