Mesmo com o período chuvoso em Salvador, o trabalho de restauração da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, localizada no Pelourinho e que sedia uma das mais antigas e importantes irmandades de escravos e ex-escravos do Brasil, criada no século 17, está com mais de 70% dos serviços concluídos e com obra que prossegue em ritmo acelerado.
A previsão do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão da secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) responsável pelas restaurações, é que em novembro quando se comemora o mês da consciência negra, o governo estadual entregará a obra pronta. A intervenção começou em outubro do ano passado (2009) com investimento de R$ 2,3 milhões.
A restauração da igreja integra o conjunto de seis grandes monumentos que o IPAC recupera no Centro Histórico de Salvador com investimentos de mais de R$ 20 milhões do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) do Ministério do Turismo, com recursos complementares do Banco do Nordeste e contrapartida do Governo do Estado da Bahia, via secretaria de Turismo.
Para o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, a obra do Rosário dos Pretos é oportuna, já que a cobertura e as madeiras de sustentação estavam em avançado grau de deterioração. “Os telhado central da nave e do altar-mor já estão recuperados e as coberturas laterais se encontram em fase final”, diz Mendonça. A obra do IPAC recupera edificação, estruturas, telhados e bens móveis, que são imagens sacras, altares e complementos decorativos.
O diretor explica que o templo – edificação do início do século 18 – ganhou sobreforro especial de fibra, entre o telhado e o forro de madeira, para evitar infiltrações que, quase sempre, são responsáveis pela destruição de valiosos forros das igrejas baianas. “Concluímos os serviços de limpeza, rejuntamento da cerâmica e substituição de peças na torre esquerda, enquanto os na torre direita serão finalizados em outubro”, garante Mendonça.
A outra novidade é a criação de acesso para pessoas com necessidades especiais facilitando a visita ao templo. Será construída passarela para aproveitar declive da rua e acesso ao nível zero do adro da igreja, além de instalada plataforma elevatória e elevador para acesso às galerias do púlpito e coral. Esse sistema ficará no lado direito da igreja. “A obra do IPAC permitiu ainda a construção de banheiros, com adaptação para cadeirante e cozinha para recepções religiosas”, comenta o subgerente de Obras do Ipac, Cássio Sales.
A Igreja ganhou novo sistema elétrico, iluminação especial nos altares e novo sistema hidráulico. Os azulejos, alguns com cenas relativas à devoção ao Rosário de Lisboa originários de 1790, necessitaram de processo especial de limpeza, recuperação e produção de faltantes. “Colocamos placa de fibrocimento que evita umidade e tornar mais fácil a remoção”, completa Sales.
As 13 imagens sacras principais da igreja, a maioria do século 18, também foram restauradas com processos de limpeza, reintegrações cromáticas e do corpo, pintura e aplicação do verniz de proteção. Todas concluídas, exceto quatro que estão em fase de acabamento. “É um acervo rico, merecendo destaques as estátuas de São Benedito, Santo Antonio do Categeró, Nossa Senhora do Rosário e Santa Ifigênia, todas com estilo erudito, raras e de grande beleza”, salienta a coordenadora de Bens Integrados do IPAC, Rosândila Freitas.