IPAC finaliza dossiê para proteção de prédio de 1914 na Rua Chile

22/05/2011

O prédio da Associação dos Empregados do Comércio (Aecba), localizado na esquina das ruas Chile e Tira Chapéu, na praça onde o governador Tomé de Souza decidiu construir a cidade do Salvador, pode ser tombado como Patrimônio do Estado. O Instituto do Patrimônio e Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) já finalizou as pesquisas e o Conselho Estadual de Cultura (CEC) já analisou o dossiê que permitirá o tombamento, tão logo a secretaria estadual de Cultura (SecultBA) faça as últimas deliberações.


 


O imóvel foi construído no início do século 20, sob inspiração eclética, movimento arquitetônico de fins do século 19 que valorizou elementos ornamentais de linguagem clássica. O prédio tem pavimentos com frente para a Rua do Tira Chapéu e laterais para as ruas Chile e da Ajuda, inserido no perímetro de tombamento federal do Centro Histórico de Salvador. A sua imponência rivaliza com edificações vizinhas, como o Palácio do Rio Branco, que foi restaurado pelo IPAC e entregue pelo então presidente Lula e o governador Jaques Wagner em 2010, ou a Câmara Municipal que já é tombada pelo IPAC desde 1984 e cuja arquitetura remete ao colonial-barroco português no Brasil.


 


Segundo o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça, o edifício da associação é um monumento da arquitetura baiana e resgata a memória comercial do estado. “Como sede da associação, o imóvel rememora o triunfo das exportações e importações sobre a atividade agro-industrial na Bahia, representando a consolidação da burguesia urbana em Salvador”, comenta. O diretor explica que o tombamento é benéfico, pois ao ser reconhecido oficialmente o imóvel passa a ter prioridade nas linhas de financiamento de restauração, sejam elas municipais, estaduais, federais ou até internacionais. “Além disso, o tombamento proíbe a descaracterização da edificação”, diz Mendonça.


 


Para a equipe multidisciplinar do IPAC formada por arquitetos, historiadores e sociólogos, trata-se de uma das mais suntuosas edificações dentre as 32 construídas pelo arquiteto italiano Rossi Baptista, no período de1911 a1933, na capital baiana. “Casarões desse estilo apresentam integração das artes na arquitetura, através dos vitrais, pinturas em forros e paredes, além de elementos em gesso como águias, homens atlantes, carrancas e mosaicos”, ressalta o diretor do IPAC.


 


Rossi Baptista chegou à Bahia em 1911 e integra o grupo de profissionais que se destacaram na renovação urbanística, arquitetônica e artística da época, em Salvador, juntamente com Pasqule de Chirico, Julio Conti, Filinto Santoro e Oreste Sercelli. De acordo com o especialista em História da Arquitetura, Francisco Senna, as mudanças mais impactantes ocorrem a partir de 1912, quando assume o governo, José Joaquim Seabra.


 


 “A cidade amplia seu porto, abrem-se as avenidas Sete de Setembro e Oceânica na orla, definem-se vetores de expansão urbana e constroem-se diversos edifícios públicos, como os palácios Rio Branco e Aclamação, além de imóveis privados”, conta Senna. Para o pesquisador, a arquitetura burguesa estabelecia um novo padrão de gosto e de vida, em detrimento de um passado aristocrata e barroco que perdia sua expressão. “Novos bairros se consolidam neste momento além do centro histórico, como Campo Grande, Corredor da Vitória, Graça, Canela, Barra e Jardim de Nazaré”, finaliza o estudioso.


 


Rossi Baptista veio a convite de Bernardo Martins Catharino, empresário de influência social e econômica da época, para a construção de sua residência na Graça, onde hoje funciona o Palacete das Artes, prédio também tombado pelo IPAC desde 1986. Rossi foi convidado por Alberto Catharino a realizar o projeto da Aecba. Iniciado em l914, o prédio foi inaugurado em 30 de dezembro de1917. Asede da Aecba foi palco de reuniões e shows reunindo personalidades baianas e do país. Além do seu papel associativo, foi filantrópica com cursos profissionalizantes e pioneiros, como o de formação profissional de mulheres.


 


Atualmente o edifício continua a ser de direito privado, tendo a Aecba como proprietária e somente com a parte térrea utilizada. Já os pavimentos superiores estão vazios, favorecendo proliferação de patologias prediais. Por isso, o dossiê do IPAC recomenda intervenções de restauro, manutenção e consolidação da estrutura. Caso o tombamento do imóvel seja reconhecido, a Aecba poderá se inscrever as várias linhas de financiamento para recuperar o imóvel.


 


FOTOS anexas e no Flickr/SecultBA: http://www.flickr.com/photos/secultba/5809169707/in/set-72157626909899804


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