O Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, afirmou ontem (05.06), durante a entrega de dois afrescos modernistas restaurados na tradicional Escola Parque, que a cultura não pode funcionar como um adorno e, sim, de forma articulada com a educação. Para ele, a junção das ações educacionais e culturais é o grande ensinamento deixado pelo baiano Anísio Teixeira, fundador da unidade de ensino no bairro da Caixa D’Água, em Salvador, e um dos mais importantes educadores do país, reconhecido internacionalmente. “A educação e a cultura devem estar intrinsecamente ligadas. A dissociação entre elas deve ser superada”, enfatizou.
O secretário da Educação, Osvaldo Barreto Filho, que também participou da cerimônia, destacou o espírito vanguardista de Anísio Teixeira em várias ações realizadas como secretário da educação no período de 1930 a 1940. “Ações voltadas para a cultura, as artes, a arquitetura e as ciências sociais, que já demonstravam sua visão de transversalidade desde aquela época”, salientou. Apostando, assim como Albino, na associação entre educação e cultura, Barreto anunciou para breve a assinatura de novos convênios entre as secretarias que vão solidificar essa parceria.
O diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Frederico Mendonça, agradeceu aos dirigentes e técnicos envolvidos na restauração. “Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente e, de certa forma, homenageamos a data ao realizarmos essa cerimônia num conjunto de edifícios cuja integração à natureza é vanguardista na historia da arquitetura baiana”, ressaltou.
O IPAC é o órgão responsável por coordenar a parceria entre as duas secretarias para a restauração do grupo de sete painéis, murais e afrescos da Escola Parque. Denominada de Centro Educacional Carneiro Ribeiro, o complexo educacional desenhado pelo arquiteto modernista baiano Diógenes Rebouças, é tombado como Patrimônio da Bahia desde 1981 por sua importância arquitetônica.
Durante a solenidade, O IPAC lançou ainda uma nova coleção de livros, as ‘Apostilas Conversando sobre Patrimônio´, que conta com cinco volumes sobre bens culturais imateriais e materiais do estado, e sua ações de salvaguarda. Ao final da solenidade, foram distribuídos exemplares para os professores e gestores presentes.
O diretor da Escola Parque, professor Gedean Ribeiro, se disse emocionado com a restauração das obras de arte, que representou investimento de R$ 755 mil do Governo do Estado. “Sinto-me um privilegiado, pois, em pouco tempo, vivenciei o tombamento da Escola Parque como patrimônio cultural do Estado e a criação do Memorial de Anísio Teixeira, no ano passado”, orgulhou-se.
Aulas Públicas - O professor de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia e presidente do Departamento da Bahia do Instituto dos Arquitetos do Brasil, Nivaldo Andrade, ministrou aula pública sobre a Escola Parque e a importância de seu tombamento como bem cultural baiano. "Este conjunto traça um perfil artístico essencial para a Bahia e é o ponto mais alto do trabalho de Anísio Teixeira", salientou.
Em seguida, foi a vez do professor de Restauro da UFBA, Dirson Argolo, que coordenou o trabalho de restauração dos afrescos. Ele falou sobre os afrescos e a necessidade de preservá-los. Exibindo slides com fotos do trabalho de restauro, enfatizou que as duas obras entregues, e mais uma no Hotel da Bahia, são as únicas representantes da técnica do afresco na Bahia.
Mais informações sobre as publicações do IPAC são obtidas no Centro de Documentação e Memória do Instituto, localizado na Rua Gregório de Mattos, nº29, Pelourinho, Centro Histórico do Salvador (CEP. 40025-060), pelo telefone (71) 3116-6945 ou ainda através do site www.ipac.ba.gov.br.
BOX 1 - Afrescos - Os dois afrescos entregues ontem - um de Carlos Magano e outro de Jenner Augusto, ambos intitulados `A evolução do homem´ - foram produzidos entre 1953 e 1954 e medem 2,70m X 20,00m cada um. Pertencem a um conjunto formado por outras cinco obras localizadas no complexo da Escola Parque que estão sendo restauradas graças à parceria entre as Secretarias da Educação e de Cultura e que deverão ser entregues até o final deste ano (2013). São painéis e murais do período modernista das artes plásticas na Bahia, tendo a autoria de outros artistas renomados, nacional e internacionalmente, como Carybé, Maria Célia Amado, Carlos Bastos e Djanira Motta da Silva.
BOX 2 - Apostilas - A coleção `Conversando sobre Patrimônio ´, lançada durante a solenidade, reúne, em cinco volumes, as compilações de palestras de especialistas e debates públicos que ocorreram no Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC) no ano de 2011 sobre os bens culturais materiais e imateriais da Bahia e as suas ações de salvaguarda.
O objetivo do projeto ´Conversando sobre patrimônio` foi colher elementos para balizar ações voltadas para a preservação dos bens culturais da Bahia. Cinco dessas “conversas” foram escolhidas e transformadas em apostilas. A primeira é sobre a Salvaguarda do Patrimônio Afro-brasileiro, com destaque para os terreiros do candomblé. As demais destacam, respectivamente, o Patrimônio e Festas Populares; Patrimônio Material e Imaterial do Cortejo do Dois de Julho; construção de um Sistema Estadual de Patrimônio, tomando como base a experiência do ICMS Cultural de Minas Gerais; e, por último, os Circuitos Arqueológicos da Chapada Diamantina. Com 29 a 42 páginas cada (176 no total), as ‘Apostilas do IPAC’ contam, ao todo, com 141 fotografias e 19 mapas, além de tabelas, gráficos e outras ilustrações.
FOTOGRAFIAS em alta resolução:
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Assessoria de Comunicação – IPAC, em 06.06.2013
Jornalista responsável Geraldo Moniz (DRT-BA nº 1498)
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Texto-base: Ronaldo Macedo e Djalma Júnior
Edição: Silvana Malta (coordenadora de jornalismo - DRT-BA nº 1907) e Geraldo Moniz
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