Decreto Estadual 12.227/2010
Manifestação característica da religiosidade popular que acontece, todos os anos, na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. A festividade se inicia no dia 13 de agosto, dia dedicado às irmãs falecidas. Neste dia, as irmãs vestem-se de branco, saem em procissão carregando a imagem postada sobre um andor rumo à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. No dia 14, com a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, as irmãs saem da sede da Irmandade em procissão noturna, carregando velas, entoando cânticos proferidos durante o percurso, fazendo menção à dormição de Nossa Senhora. O dia 15 de agosto é dedicado a Nossa Senhora da Glória. A procissão sai pela manhã da sede da Irmandade, seguida pelas filarmônicas locais. Levam flores, carregam o andor de Nossa Senhora da Glória até à Igreja Matriz, onde uma missa é celebrada. É quando acontece a transferência dos cargos, com posse da nova comissão de festa. A festa se prolonga até o dia 17, com muito samba de roda e uma farta ceia durante cinco dias..
De 13 a 17 de Agosto
O culto a Nossa Senhora foi difundido por todo o mundo ocidental, desde o século IX, através da expansão católica. De forte tradição portuguesa, as festividades dedicadas à santa remontam às realizadas em louvor à Nossa Senhora D'Agosto. Nos trópicos sofreu influência do catolicismo afro-brasileiro. Em Salvador, a devoção à Nossa Senhora da Boa Morte é registrada desde o séc. XIX, com a criação de uma Irmandade exclusivamente feminina, na Igreja da Barroquinha. Uma devoção de mulheres negras. A oralidade tende a afirmar que a transferência dessa Irmandade para a cidade de Cachoeira se deu por volta de 1820. Lá, se instalou numa casa de nº 41, chamada de Casa Estrela, local ainda hoje reverenciado pelas irmãs durante o trajeto da procissão. As irmãs revelam que a devoção surgiu vinculada a um pedido pelo fim da escravidão feito pelas africanas à Nossa Senhora da Boa Morte.