Ofício de Vaqueiros

 

 

O Ofício de Vaqueiro é um Bem Cultural reconhecido através de Decreto nº 13.150/11 e Inscrito no Livro de Registro Especial VI - dos Saberes e Modos de Fazer, e incide em todo território baiano. 

O ofício de vaqueiro é uma arte. Exige apuro técnico, conhecimento, habilidade e criatividade. Envolve uma infinidade de aspectos. Implica em conhecimentos dos mais variados – sobre o ambiente, a lida com o gado – e implica também na construção de um imaginário que o diferencia dos demais ofícios ligados ao sertão. É uma atividade complexa e peculiar e suas correlações vão muito além do âmbito do trabalho. 

Sobre o seu traje, um dos mais tradicionais e antigos do país, é preciso sublinhar que se trata do único traje brasileiro de trabalho em uso que tem quase a idade do país e que ainda pode ser encontrado no sertão. Quem não participa desse cotidiano, por vezes, depara-se com termos praticamente desconhecidos como: gibão, guarda-peito, perneira, ferrão e chapéu com barbela e jaleco, que sintetizam e simbolizam o Ofício de Vaqueiro. Não se pode perder de vista que o conjunto cavalo com seus arreios, o vaqueiro vestido com seu traje de trabalho e empunhando um ferrão – e, muitas vezes, em companhia de um pequeno cachorro – constitui, na história, o conjunto de maior referencial simbólico da cultura sertaneja. (Fonte: Cadernos do IPAC, nº 06 - Salvador, 2013)

A marcha das boiadas pelos sertões foi iniciada em 1550, empreendido pelos d'Ávila com os primeiros vaqueiros. Foi o fenômeno social mais significativo no sentido da ocupação, assentamento e fixação do homem nos sertões da Colônia na Bahia, do Nordeste e do Brasil. Fenômeno este fundado em dois momentos: o primeiro, com a criação e estabelecimento dos primeiros currais, que tem inicio no século XVI e vai até meados do século XVIII; e o segundo, quando o senhor feudal começa a erguer em pleno sertão as chamadas casas-de-fazenda, que predominam desde a segunda metade do século XVIII. O ofício de vaqueiros surgiu a partir da introdução dos animais domésticos - bovinos, caprinos, ovinos e suínos, que serviam para a alimentação e uso no trabalho, assim como da pecuária.

Nordeste do Brasil e Região de Minas Gerais