“Omó Asìpá Borogum elese Kan Gongo”
Filhos do Asipá andam com as duas pernas
tão sutil que parece que tem uma
Estão abertas as inscrições para as oficinas 2014 do Projeto `Ilê Asipá: Atabaques entre as Folhas´, que é gratuito e visa qualificar e divulgar o universo afro-baiano das tradições Kêtu através da explanação dos toques, cânticos, mitos e ensinamentos no contexto dos mestres alabês. As inscrições são via e-mailatabaquesentreasfolhas@gmail.
A ação formativa é do famoso Terreiro Ilê Asipá, fundado pelo Mestre Didi (1917-2013) e registrado neste ano (2013) como Bem Cultural da Bahia pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) da Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA). Segundo o coordenador geral do projeto, Jurandy Souza, as oficinas são gratuitas e abertas a pessoas de todas as idades – de 8 a 80 anos.
“Como a procura é grande, teremos duas turmas de 30 alunos cada, com aulas de quatro horas de duração nas manhãs de sábado por um período de 10 semanas a partir de janeiro (2014)”, diz Jurandy. Segundo ele, em princípio, uma das turmas será para iniciantes e a outra para alabês e pessoas da comunidade afro-baiana, com formação musical inicial.
CULINÁRIA AFRO-BAIANA – Para a antropóloga e mestre em Estudos Étnicos e Africanos pelo CEAO/UFBA, Nívea Alves, da equipe do IPAC/SecultBA e que estuda o registro do Ilê Assipá como patrimônio cultural baiano, é fundamental que, nos terreiros, os mais velhos e mais experientes compartilhem o conhecimento com as gerações mais novas. "Muitas tradições se perdem quando não ocorre esse compartilhamento; e o curso do Ilê Assipá é uma excelente oportunidade para repassar e discutir noções e características próprias dessa atividade musical-sagrada", afirma a especialista.
Serão oferecidas aulas práticas com professores e monitores, que são ojés do Ilê Asipá e alabês do Ilê Axé Opô Afonjá, acompanhados pelo supervisor musical Gerson Costa – Odun Tayo’Nilê Asipá. Além disso, acontecerão aulas teórico-práticas com alabês, mostra das oficinas e encontro final para apresentação e avaliação geral. “Devido à importância multissensorial da culinária afrobaiana, do ajeum – ato de se alimentar – e da preparação dos alimentos na nossa cultura, serão servidos quitutes típicos aos presentes ao final das aulas das oficinas”, explica o diretor de produção do projeto, Gabriel Pedreira.
SÉCULO XIX – As origens do Terreiro Ilê Assipá – voltado ao culto dos ancestrais (Egúnsgúns), aos quais, ao lado dos orixás, conformam o complexo cultural nagô – remontam à primeira metade do século XIX, quando foi fundado, por Marcos, o Velho, o Terreiro de Mocambo, na Ilha de Itaparica, Baía de Todos os Santos, no Recôncavo baiano. No Asipá, que está instalado em Salvador, no Bairro da Paz, o culto é voltado aos antepassados (Egúngúns), mas se faz presente também o culto aos orixás em espaços e momentos delimitados.
Mais informações sobre o projeto via telefone (71) 3117-5377 e endereço eletrônicoatabaquesentreasfolhas@gmail.
BOX OPCIONAL: MESTRE DIDI – Deoscóredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, foi sacerdote, artista e escritor. Filho de Arsenio dos Santos, que pertencia à elite dos alfaiates da Bahia, e de Maria Bibiana do Espírito Santo, mais conhecida como Mãe Senhora, Mestre Didi é descendente da tradicional família Asipá, originária de Oyó e Ketu, importantes cidades do império Yorubá, na África. Sua trisavó, Marcelina da Silva, Oba Tossi, foi uma das fundadoras da primeira casa de tradição nagô de candomblé na Bahia, o Ilê Asé Airá Intile, depois Ilê Iya Nassô, a famosa Casa Branca, considerada um dos primeiros terreiros do Brasil, sendo o primeiro a ser reconhecido pelo Governo Federal, via IPHAN/MinC, como Monumento Cultural do Brasil. Eugenia Ana dos Santos - Mãe Aninha do Ilê Axé Opô Afonjá, tratada por Didi como avó, foi quem o iniciou no culto aos Orixás e lhe deu o título de Assogba, Supremo Sacerdote do Culto de Obaluaiyê. Iniciado no culto aos Egun aos oito anos de idade pelo filho de Marcos o Velho, Marcos Theodoro Pimentel, Mestre Didi teve sal formação continuada com Arsenio Ferreira dos Santos, sobrinho de Marcos Theodoro Pimentel, o Alapini, primeiro mestre de Didi no Culto aos Egun. A tradição é originária de Oyó, capital do império Yorubá. A herança de Marcos Alapini, para seu sobrinho Arsenio Alagba passou para Didi, Ojé Korikowe Olukotun. Mais tarde Didi recebeu o título de Alapini, o mais alto do Culto aos Egun, e anos depois, em 1980, fundou o Ilê Asipá onde é cultuado o Baba Olukotun e demais Eguns desta tradição antiga. Em setembro de 1970, não tendo no Brasil quem pudesse fazer sua confirmação de Balé Xangô, foi para Oyó e realiza a obrigação na cidade originária do culto à Xangô. A cerimônia foi realizada pelo Balé Sàngó e o Otun Balé do reino de Xangô de Oyó. Mestre Didi tem título de Alapini (sacerdote maior no culto aos Eguns), Assogbá (sacerdote supremo do culto a Obaluaiyê) no Ilê Axé Opô Afonjá, zelador do culto à Ossayin, Balé de Xangô confirmado pelo Rei de Oyó (1970) e o de Baba Mogbá Oga Oni Xangô pelo Rei de Ketu (1983), ambos na África.
Crédito Fotográfico obrigatório - Lei nº 9610/98: Ilê Assipá
Fotos em ALTA RESOLUÇÃO no Flickr: http://www.flickr.com/photos/
Assessoria de Comunicação – IPAC, em 18.12.2013
Jornalista responsável Geraldo Moniz (DRT-BA nº 1498)
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