“Multiplicidade de culturas e saberes”. Assim pode ser definida a aula do Curso de Formação de Mediadores que aconteceu neste sábado, 15. Logo cedo, o auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (Faufba) foi preenchido pelos inscritos, que aguardavam as palestrantes de diferentes lugares e instituições, inclusive fora do território nacional.
À convite do Educativo da 3ª Bienal da Bahia, profissionais de grande notoriedade no circuito de arte falaram sobre suas experiências em formação de mediadores, núcleos educativos, museus e Identidade na Contemporaneidade – conceito amplamente difundido pelo teórico cultural jamaicano, Stuart Hall.
Durante a manhã, a curadora pernambucana e crítica de arte, Cristiana Tejo, destacou aspectos relacionados à pertença a determinadas culturas e a concepção de identidade proposta por Hall.
Segundo a curadora, que apresentou a música “Afrociberdelia”, de Chico Science e Nação Zumbi – um dos principais colaboradores do movimento recifense manguebeat –, a diversidade cultural está diretamente ligada ao modo de fazer arte. Para ela, “cada mundo da arte é uma ecologia. A Bienal da Bahia abre a possibilidade de ancorar outros mundos da arte”, enfatiza.
Cristiana contextualizou do circuito da Arte Contemporânea e das Artes Visuais no estado de Pernambuco, ressaltando a diferença entre guia e mediador: “o guia pode até gravar histórias sobre as obras e repassá-las aos visitantes, mas o mediador dialoga com o espaço, com a obra, com o público. Tem caráter orgânico”.
Pela tarde, o mediador da mesa, Marcelo Rezende (diretor geral e curador-chefe da 3ª Bienal da Bahia, além de diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia) iniciou a segunda parte da aula indagando aos inscritos sobre suas percepções sobre o curso e sobre a Bienal da Bahia. Uma das respostas, dada pela inscrita Luciana Souza, ressaltou que o projeto curatorial leva em consideração os saberes de todas as pessoas, estejam elas ligadas à arte ou não.
A palestrante que abriu a discussão foi a gaúcha Mônica Hoff, curadora pedagógica que trabalhou por nove anos na Bienal do Mercosul, que acontece em Porto Alegre (RS). A Bienal do Mercosul como escola, a cidade como o currículo e o mediador-etc foi o tema que conduziu a a conversa com o público. Mônica contou que começou a trabalhar na Bienal do Mercosul como mediadora e que, assim como a Bienal da Bahia, a do Mercosul não é só uma mostra: “a Bienal é um programa muito maior, que excede o discurso expositivo”, destaca.
De acordo com a curadora pedagógica, “o mediador não é um prestador de serviço, mas o primeiro público da Bienal”. Mônica também comentou sobre a importância da mediação como lugar de autonomia e criação, uma vez que “mediar é uma troca, um encontro”, completa.
Outra convidada que compôs a mesa foi Vânia Leal, paraense e curadora educativa do Arte Pará e do Programa Itaú Rumos Cultural, que evidenciou: “a dimensão da mediação realmente envolve uma ética política”. Ao concordar com a explanação de Mônica Hoff, Vânia enfatizou ainda que o mediador deve se despir de preconceitos.
Florencia de Langarica, membro da Red de Educadores de Museos y Centros de Arte de Argentina, falou que a Argentina não tem muita experiência com Bienais, mas sim com projetos educativos. Ao falar um pouco sobre essas vivências educativas no segundo maior país da América do Sul, Florencia crê na capacidade das equipes e ações educativas de modificar a natureza dos museus.
Completando a mesa e o diálogo, a coordenadora geral do Educativo Bienal de São Paulo, Daniela Azevedo, acredita que “o Educativo tem como principal intenção dialogar sobre a vida e a arte contemporânea com diferentes públicos”. O final da aula foi marcado por muitas perguntas e debates acerca da mediação cultural.
O Curso de Formação de Mediadores dá continuidade à sua programação do fim de semana neste domingo (16) com o Workshop Relações públicas e Mediação, com Florencia de Langarica e Vânia Leal. A próxima aula está marcada para o dia 22.
Inscritos, fiquem atentos ao calendário de aulas:
Março: dias 15, 16, 22, 23, 29 e 30;
Abril: dias 5, 6, 12, 13, 26 e 27.