A forte repressão às artes baianas no período da ditadura militar e civil das décadas de 1960/70, além do impacto disso sobre a cultura e as artes na Bahia é o tema da palestra que diretor do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), Marcelo Rezende, realiza nesta quarta-feira (26.03), às 14h, como parte do Fórum do Pensamento Crítico, que acontece no Teatro Castro Alves, em Salvador, reunindo expressões da cultura baiana e brasileira em torno da questão ‘Quais as heranças culturais e comunicacionais da ditadura?’.
Em sua fala, intitulada ‘Pitanga, caju e verde oliva’, Rezende enfocará, entre outras abordagens, a censura à 2ª Bienal da Bahia, que foi drasticamente interrompida pelo regime militar dois dias após sua abertura, tendo obras confiscadas e nunca mais devolvidas, criando-se a partir daí um hiato de quase 50 anos, até a retomada com a realização agora da terceira edição do evento.
Escritor, crítico de arte e curador com trabalhos realizados no Brasil e em outros países, como China, Estados Unidos e Canadá, além de diretor do MAM – espaço da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA) – Marcelo Rezende é curador-chefe da 3ª Bienal da Bahia, que acontecerá durante 100 dias, entre 29 de maio e 7 de setembro deste ano, reunindo obras de artistas nacionais e estrangeiros e, sobretudo, com uma nova proposta de diálogo entre o público e o espaço artístico, inclusive questionando os limites desse ‘locus’.
RETORNO - O curador-chefe da Bienal alerta que a terceira edição renasce exatamente 46 anos depois da 2ª Bienal, de 1968, indo além do circuito artístico convencional baseado em exposições. “A terceira edição será marcada pelo importante resgate da história e memória da Bienal, sem deixar de lado a necessidade de atualizar as intenções originais das primeiras edições do evento”, explica Marcelo Rezende. “A 3ª Bienal da Bahia está sendo construída em torno da indagação ‘É tudo Nordeste?’, propondo com isso uma experiência cultural e histórica nordestina a partir de uma perspectiva baiana, abrindo novos canais de diálogo com o resto do Brasil e a cena artística mundial”, completa.
A bienal tem um grupo de curadores de diferentes partes do Brasil e com experiência em grandes eventos nacionais e internacionais. Marcelo Rezende (escritor, crítico e diretor do MAM-BA), Ayrson Heráclito (artista visual e professor) e Ana Pato (pesquisadora e ex-diretora executiva da Associação Cultural Videobrasil) formam o conselho curatorial. A equipe se complementa com a presença de Fernando Oliva (crítico e pesquisador) e Alejandra Muñoz (professora e pesquisadora), como curadores adjuntos.
O Fórum no TCA é uma promoção do Governo do Estado via SecultBA, com coordenação da Fundação Pedro Calmon. A 3ª Bienal da Bahia, tem coordenação geral do MAM e é realizada pelo Governo do Estado, via convênio entre a Fundação Hansen Bahia e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), também vinculado à SecultBA. Mais informações no site www.bienaldabahia2014.
2ª Bienal da Bahia e ditadura militar (1968) - Dois anos após a realização da primeira edição, Salvador voltou a sediar uma Bienal, desta vez no Convento da Lapa, onde atualmente funciona um campus da Universidade Católica. Entre as novidades dessa segunda edição – inaugurada pelo então governador do Estado, Luís Viana Filho –, havia uma seção especial de objetos que não faziam parte dos campos tradicionais das artes, além de um prêmio especial para pesquisas. Foram expostos ao público cerca de três mil trabalhos, divididos da seguinte forma: Gravura e Pintura; Desenho, objeto e escultura; Salas Especiais, Pintura Primitiva, desenho e fotografia; e Sala Especial de Artesanato. O evento, entretanto, foi fechado dois dias após sua abertura. Passado um mês, foi reaberto com dez obras a menos, consideradas subversivas pelo Regime Militar, além das obras retiradas por outros artistas em solidariedade aos colegas censurados. Os jornais da época noticiaram o acontecimento, como a matéria do A TARDE, publicada no dia 23 de dezembro de 1968. A reportagem retrata o contexto político da época e o fechamento do evento, como exposto no seguinte trecho: “Em verdade, o que houve foi a apresentação de quadros considerados subversivos, o que causou sérios aborrecimentos e o fechamento da exposição por algumas horas para retirada dos referidos trabalhos. Entre eles figuram quadros de Lênio Braga, Antônio Manuel, Antônio Lima Dias e Tereza Simões. Também os prêmios que deveriam ser distribuídos ontem, às 20:00, no Teatro Castro Alves, não o foram, porque apenas um dos artistas agraciados, Francisco Liberato (Objeto), encontra-se em Salvador. Telegramas já foram enviados aos artistas vencedores do certame, aguardando-se a qualquer momento as respostas”. Desde então, as Bienais não foram mais realizadas. A 3ª Bienal da Bahia, que acontece de 29 de maio a 7 de setembro de 2014, vem fechar uma lacuna de 46 anos na arte baiana. Durante 100 dias, mais de 30 espaços culturais da capital e do interior receberão exposições, performances, ações educativas e uma programação cultural. É tudo nordeste? é a indagação que move o projeto curatorial, o conceito central que percorre todas as ações, exibições, projetos e encontros da 3ª Bienal da Bahia. A questão impõe um ato de aproximação da produção cultural e artística da região, em suas mais diversas perspectivas: o Nordeste como condição geográfica, construção histórica e ainda como potente peça do imaginário.
Em 24.03.2014
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