O evento, realizado na manhã de 13/05, contou ainda com a palestra "Objetos que se oferecem ao olhar: colecionadores e o 'desejo' de museu", do museólogo Cícero de Almeida
A Política Setorial para os Museus, formulada pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC), foi lançada nesta terça-feira (13/05), durante o evento de abertura da 12ª Semana de Museus. O evento – realizado a partir das 9h no Instituto Feminino da Bahia - contou ainda com a apresentação do IPACORAL (formado pelos funcionários do IPAC) e com a palestra "Objetos que se oferecem ao olhar: colecionadores e o 'desejo' de museu", de Cícero de Almeida – museólogo, diretor do Centro Cultural Justiça Federal (Rio de Janeiro, RJ) e professor da Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
O secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim, esteve presente e falou sobre a importância do lançamento da Política Setorial de Museus. “Planos e políticas possibilitam um trabalho mais seguro, qualificado, com maior impacto e importância. Com esta política, os museus podem trabalhar de forma mais articulada, sistemática, visando determinados fins. Parabenizo a energia e o trabalho realizado para a construção desse documento, pois museus são preciosos espaços de nossa memória, mas também de atividade cultural intensa”, declarou.
Idealizadora da Política Setorial de Museus, a ex-diretora da DIMUS, a professora doutora Maria Célia também prestigiou o evento que considera um marco para a museologia baiana. “Este texto é de suma importância porque foi, inclusive, escrito por muitas mãos. Nele estão reunidas as diretrizes que vão nortear todos os museus da Bahia”, disse a professora depois de agradecer, em especial, a presença dos alunos de Museologia. “Que bom ver esses jovens aqui, pois serão eles que, junto conosco, vão colocar tudo isso em prática. Que este documento seja elemento constante de reflexão”.
“Políticas construídas são políticas para serem usadas”. Assim a diretora geral do IPAC, Elizabete Gándara, começou sua fala durante o evento de lançamento da Política Setorial de Museus e abertura da 12ª Semana de Museus. Para Gándara, este momento das unidades museais é muito mais que de realização de atividades. É momento de reflexão para que os museus conquistem mais visibilidade, além da movimentação.
Para Ana Liberato, diretora da DIMUS, o lançamento da Política Setorial de Museus é mais uma vitória da classe de museólogos e vai nortear as ações, os projetos, as atividades museais em todo o Estado. “Os museus são compreendidos como dispositivos estratégicos de aprimoramento dos processos democráticos, de inclusão sociocultural, de educação e de desenvolvimento local, além de contribuir para o fortalecimento e institucionalização do setor museal no Estado da Bahia. A DIMUS compreende que, no atual cenário de construção de políticas públicas culturais, de forma participativa e compartilhada, deve-se fomentar e alargar as discussões e absorver as proposições advindas dos múltiplos setores da sociedade”, explica.
A 12ª Semana de Museus é uma realização do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) articulada na Bahia pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (DIMUS/IPAC). Para o evento – nacional –as instituições museológicas promovem ações voltadas para uma temática específica que, nesta edição, será: “Museus: as coleções criam conexões". Até o dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, os museus vinculados à DIMUS estarão com atividades – gratuitas e abertas ao público. São eles: Centro Cultural Solar Ferrão, Museu Tempostal, Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica – localizados no Pelourinho – e o Parque Histórico Castro Alves, em Cabeceiras do Paraguaçu. (ver programação abaixo)
A palestra – Cícero de Almeida, em sua palestra, fez uma viagem pelo conceito e história das coleções e colecionistas, além de fazer a conexão entre eles e os museus. “O colecionismo é uma atividade intrínseca à história dos museus. Muitos deles surgem de coleções particulares, como inclusive podemos ver aqui em Salvador nos museus da DIMUS”, disse. Segundo Cícero, um objeto de coleção perde o sentido para que foi criado e vira abstração para o colecionador que o tem por posse, paixão. “A psicologia do colecionador é o acúmulo de objetos para serem vistos, admirados. Isso sempre existiu, mas a partir do século 18, os museus passam a ocupar espaço no desejo deles. O desejo, aqui, é o da posteridade. Com os museus, essas coleções particulares sobrevivem à morte de quem as formou”.
Programação museus vinculados
Centro Cultural Solar Ferrão
Mediação temática: “Maria, representação de mãe”, destacando a imagem de Nossa Senhora do Rosário presente no acervo do Museu Abelardo Rodrigues (Pelourinho). Em seguida, oficina de confecção de terços em tecido e pedrarias. Relacionar uma parcela do acervo do Museu a um dos papéis sociais da mulher; Estabelecer conexões entre a representação de N. Sra. do Rosário com uma tradição popular, o artesanato do fuxico; Ampliar a interlocução do Museu Abelardo Rodrigues com o público. Com o Grupo da Terceira Idade Alegria de Viver. Dia 13/05; às 14h
Oficina de cerâmica “Arte africana e arte popular, uma conexão lúdica”. Inspirada nas Coleções de Arte Africana Claudio Masella e de Arte Popular, abrigadas no Solar Ferrão, a oficina pretende estimular a criatividade, integrando os dois estilos de arte, sobretudo com livre criação, observação e expressão artística. Dia 14/05; às 14h com Mônica Silva - Artista Plástica, especialista em Arte Educação pela Universidade Federal da Bahia – e 20 alunos entre 10 a 14 anos, estudantes do Colégio Estadual Tereza Conceição Menezes.
Palestra musicada da Orquestra Museofônica com o tema “Mestiço por inteiro, sou baiano, brasileiro”. A partir da utilização de instrumentos musicais tradicionais da Coleção Emília Biancardi, a palestra musicada vai enfocar a diversidade cultural e musical dos grupos étnicos formadores da nossa sociedade. Pretende ainda apresentar as possíveis conexões entre a coleção e a formação histórica e musical do povo brasileiro, com ênfase na contribuição do europeu, do africano e do indígena. Dia 16/05; às 16h comEmília Biancardi e Orquestra Museofônica - e convidados, entre eles o dançarino e coreógrafo Márcio Fidelis.
Museu Udo Knoff de Azulejaria e Cerâmica
Exposições:
"Azulejos de Udo" - Ampliada com 14 obras, sendo 12 delas do ceramista alemão, constrói uma leitura histórica sobre as especificidades do cenário urbano ao apresentar mais de 300 azulejos que trazem parte significativa da arquitetura de Salvador.
"Udo, o artista” - Apresenta o lado criacionista do artista que dá nome à instituição, através das várias possibilidades do ceramista ao trabalhar na criação de motivos em azulejos e na criação ou utilização de suportes de cerâmica para função de decorar.
Oficinas:
Através da parceria com o SESC - Centro de Formação Artesanal serão realizadas oficinas que estabelecerão a conexão do acervo do museu a outros universos culturais.
- Oficina de confecção de bolsas e acessórios com motivos de azulejos com materiais recicláveis. Dia 13/05, das 14h às 17h.
- Oficina de Mosaico: 14 e 15/05, das 14h às 17h.
- Pintura em Tecido com motivo dos azulejos do museu: 15/05, das 9h às 12h.
PARQUE HISTÓRICO CASTRO ALVES (PHCA)
Lançamento da página Poemas - Castro Alves no blog DIMUS (http://dimusbahia.
Contação da Historias: “Aventuras da Memória”, de Patrícia Secco. Por Karina Machado.
13 a 16/05- 10h às 12h
Orientação dos usuários do Lab DIMUS PHCA.
13 a 18/05 - 10h às 17h
Apresentação da biblioteca.
13 a 18/05 - 9h às 17h
Visita guiada (apresentação do PHCA e da história de Castro Alves).
13 a 18/05 - 9h às 17h
Sarau no Parque: Música, Poesia e Arte nos Finais de Tarde, com a cantora e compositora Priscila Sales e convidados.
14/05 - 17h às 20h
Espetáculo teatral - “Semo da Roça, mas temo instrução shô”, pela CIA de Teatro Cecéu, escrita e dirigida por Marineide Menezes.
17 a 18/05 - 16h às 18h
MUSEU TEMPOSTAL
Mostra O Bairro do Comércio, composta por postais e fotos que retratam a região do Comércio, no trecho da Preguiça até o antigo Mercado do Ouro, da primeira década do século XX até os anos 80.
A exposição Pelos Caminhos de Salvador retrata parte da urbanização, crescimento e modernização da capital baiana. A mostra constitui um grande apanhado de imagens e fotografias que retratam as diversas transformações ocorridas no tecido urbano da cidade, iniciadas em fins do século XIX.
A mostra Bahia – Litoral e Sertão apresenta a relação econômica e social desenvolvida entre duas regiões distintas da Bahia através de registros de imagens.
Yara Vasku
Jornalista DRT/PR 2904
Dimus – Diretoria de Museus – BA
(71) 3117-6445/ 9119-7746
Núcleo de Comunicação
Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia
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