Ícone da arquitetura colonial do ciclo do gado na Bahia, ganha projeto

10/11/2011
Construção barroca de 601 m², originária de meados do século XIX e localizada no município de Caetité, no sudoeste da Bahia, a Casa da Fazenda Santa Bárbara acaba de ganhar um projeto arquitetônico no valor de R$ 66,1 mil. A edificação é tombada desde novembro 1981 como Patrimônio Cultural baiano (decreto nº 28.398) via Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia da Secretaria de Cultura do Estado (Secult).

“A casa é considerada singular por ser exemplo arquitetônico raríssimo nessa região, com um pequeno mirante, tradição mais típica encontrada na capital baiana, e não em áreas do sertão baiano”, explica o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça. A casa representa parte do ciclo do gado que desbravou o interior do nosso estado, quando eram criados postos de passagens, estâncias e fazendas. “Muitos desses lugares se transformaram em vilas e cidades, garantindo povoamento e colonização dessas terras”, completa Mendonça.

Os recursos para o projeto foram do Fundo de Cultura, via Editais do IPAC. A iniciativa viabiliza apoio financeiro para projetos da sociedade civil que visem a preservação e dinamização de bens culturais da Bahia. São ações de educação patrimonial, publicação livros, criação de sites, CDs, DVDs, elaboração de projetos arquitetônicos e realização obras de restauro.

O projeto executivo de restauração desse antigo prédio será entregue ao IPAC na próxima quarta-feira, dia 16 (novembro, 2011). O estudo inclui intervenções, reformas e conservação da estrutura física da casa. A próxima etapa será análise da diretoria de Projetos, Obras e Restauro (Dipro) do IPAC, para avaliações e repasse posterior ao proprietário do imóvel, João Paulo Silveira, que com o projeto em mãos terá à disposição várias linhas de financiamento público para as obras.

“A Secult dispõe hoje de 10 editais que auxiliam a política pública no estado. Oito foram lançados em 2009 e mais dois em 2010. O objetivo dos editais é inserir empresas e profissionais da sociedade em ações de restauração de monumentos de importância arquitetônico-histórica para a Bahia”, explica a coordenadora de Editais do IPAC, Mirnah Leite. Segundo ela, com a iniciativa será mais fácil obter recursos, já que nenhuma obra pode ser realizada sem projeto.

Atualmente o monumento está desabitado e estado de conservação precário, devido ao longo tempo de abandono. De acordo com a formuladora do projeto, Elisa Fialho, foram realizados estudos de viabilidade econômica e história local. Para ela o imóvel é referência histórica e cultural, possuindo valor estético incomum, em estilo barroco. “É um monumento de extrema importância para a história da região e o projeto é apenas o primeiro passo para a sua recuperação” diz Fialho.

Passado e futuro - A casa já pertenceu a Joaquim Manoel Rodrigues Lima, primeiro governador eleito por sufrágio direto na Bahia. Propriedade rural com destaque no alto do sertão baiano, a fazenda ainda conserva a tradição da montaria, servindo como ponto de encontro de cavaleiros e amazonas, o que motivou inclusive a criação de um grupo de montaria que, além das habituais cavalgadas, participa dos festejos pela Independência da Bahia, aos 2 de julho, na cidade de Caetité.

No início dos anos 2000 a casa foi utilizada na gravação do filme brasileiro Abril Despedaçado do renomado cineasta Walter Salles, o que despertou ainda mais o interesse de estudiosos pesquisadores e alunos das redes de ensino. Hoje está com o atual proprietário João Silveira, que pretende transformá-la, após a reforma, em um empreendimento viável e sustentável, com museu e hospedaria.

Uma das possibilidades é obter verbas com empresas de mineração da região e investimento próprio. O museu trataria da história da fazenda, estrada real e o Barão de Caetité, via pesquisas de acadêmicos da UNEB. O projeto arquitetônico foi elaborado pela empresa Bruno Sgrillo e Marcelo Barretto, com a coordenação de Elisa. Já projetos elétricos, hidráulicos, combate a incêndio, segurança e estrutural foram de responsabilidade da Construtora Vieira Garrida e Plana Engenharia.

Mais informações sobre o projeto da fazenda com a arquiteta Elisa, através do telefone (71) 8101.4541. Sobre editais do IPAC, com a coordenação do Instituto via telefone 3117.7482. Acesse também o site www.ipac.ba.gov.br.

BOX Opcional: - HISTÓRICO - Casa da Fazenda Santa Bárbara, na região de Caetité. A casa situa-se sobre uma pequena elevação, de onde se aprecia a topografia ondulada das pastagens. Em frente ao monumento, no sopé da elevação, corre o Riacho São José, de curso temporário. Do lado esquerdo da casa construída sobre um terrapleno, estão os currais da fazenda. Para atingi-la se parte de Caetité pela BR-030 e após dois quilômetros e meio se volta à esquerda, percorrendo-se sete e meio quilômetros de estrada vicinal até se alcançar o monumento. A casa detém relevante interesse arquitetônico, com mirante. O corpo principal apresenta planta quadrada com mirante central e varandas nas fachadas principal e lateral direita, para onde uma pequena capela se abre. Recobre-o um telhado em quatro águas. À direita, estende-se um longo alojamento de empregados da fazenda. Seu piso é em lajota de barro, com exceção da sala anterior direita e quarto contíguo, que são assoalhados. Tombada pelo IPAC, a edificação é um exemplo raríssimo de casa de fazenda do tipo períptero incompleto com mirante. Acredita-se que se trate de construção da segunda metade do século XIX. As casas perípteras surgiram no Recôncavo no início do século passado, mas só se popularizaram na metade do mesmo. Edifícios deste tipo são muitos raros no Sertão. Conhece-se apenas um outro exemplo, a Fazenda Caldeirão, em Pindaí. A capela, abrindo-se para a varanda, é encontrada, também, em casas do Recôncavo, como na do Pedreira, em Itaparica e o Engenho Caetá, em Terra Nova. Em Caetité, porém, existe uma capela semelhante, na Fazenda Brejo dos Padres. Elementos arcaicos, como os vãos em arco abatido, continuaram sendo usados tardiamente na região.

Cronologia:

  • Séc. XIX - Características tipológicas da segunda metade do século XIX. Segundo a tradição local o imóvel teria pertencido a José Antônio Gomes Neto, nomeado, em 1860, Juiz Municipal dos Órfãos e, mais tarde, Barão de Caetité.

  • 1879 - Theodoro Sampaio, em viagem realizada, nesse ano, região, assinala a Fazenda Stª Bárbara e confirma que pertencia a José A. Gomes Neto, Juiz de Direito da Comarca.

  • 1943 - A fazenda pertencia a Felinto de Souza, conforme planta cadastral da fazenda, elaborada por Álvaro Sampaio. Por sua morte, passa a seus filhos: Paulino, Paulo, Maria do Carmo e Lucidalva de Souza.

  • 1972 - Conforme escritura, passada em novembro desse ano, Valdívio Lopes de Oliveira compra a propriedade dos irmãos Souza.

  • 1978 - Valdívio vende o imóvel a Leôncio Fagundes de Oliveira, segundo a escritura do Cartório de Paz da Vila de Caldeiras, da Comarca de Caetité.





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